A mensagem de Putin para o Ocidente: "O mundo não será como dantes"

17 jun, 15:29
Vladimir Putin no Fórum Económico de São Petersburgo (Sergei Bobylev/TASS Host Photo Agency Pool via AP)

Num discurso de mais de uma hora no Fórum Económico de São Petersburgo, o presidente russo acusou o Ocidente de viver na ilusão, considerando que as sanções são "uma faca de dois gumes", que terão graves consequências para todos

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse esta sexta-feira que "o Ocidente está a viver uma ilusão" ao considerar-se o poder dominante na cena internacional, e alertou que "o mundo não será como dantes".

Num discurso no Fórum Económico de São Petersburgo, na Rússia, que começou com um atraso de mais de uma hora devido a um ciberataque no sistema informático do evento, Putin salientou as mudanças na geopolítica, com "o surgimento e crescente proeminência de novos centros de poder” - uma realidade que, considerou, os países ocidentais se recusam a reconhecer.

"Os nossos colegas ocidentais ainda pensam como no século passado, tratam os outros Estados como colónias. Os EUA declararam vitória na Guerra Fria tal como o fez Londres, e mais tarde passaram a considerar-se deuses no planeta Terra, que não têm quaisquer responsabilidades e deveres, apenas interesses”, denunciou.

Vladimir Putin insistiu depois que as sanções do Ocidente contra a Rússia são uma demonstração da "russofobia" que existe "em todo o mundo". Mas estas sanções, implementadas na sequência da invasão da Ucrânia, são "uma faca de dois gumes", que, advertiu, terão graves consequências para o Ocidente.

“Estamos a assistir a um agravamento das questões sociais e económicas na Europa. Nos EUA, vemos constantes aumentos dos preços de bens alimentares e energia. Os níveis de vida dos europeus estão a diminuir e as suas empresas estão a perder competitividade", apontou.

Dirigindo-se depois à União Europeia (UE), Vladimir Putin acusou o bloco de “perder por completo a sua soberania” e “dançar ao som do que outros lhe dizem”. 

“Fazem tudo o que desde cima lhes mandam fazer, causando danos à sua própria população e à sua economia, aos seus negócios”, denunciou.

O chefe de Estado russo abordou ainda a crise alimentar mundial, considerando que o problema "não é de agora" e acusando a Europa de "tentar atribuir as culpas a outros".

"A Rússia certamente não tem culpa, embora [os países ocidentais] estejam a tentar culpar-nos por tudo o que está a acontecer na economia mundial", frisou.

Por fim, Vladimir Putin reiterou que a decisão de iniciar a "operação militar especial" na Ucrânia foi uma "decisão difícil, mas forçada", salientando que o exército russo está a defender os direitos do país e a defender o povo de Donbass.

O presidente da Rússia deixou ainda uma garantia, concluindo o discurso de 73 minutos: "Todos os objetivos da operação militar especial da Rússia serão cumpridos."

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