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A derrota em Arouca (e não só): o tempo da incerteza no FC Porto já entrou no balneário

14 fev, 18:13

O FC Porto está a viver genericamente um momento muito delicado e de incerteza, que afecta as suas lideranças e isso — por mais que não se queira — pode ter consequências  ao nível do desempenho desportivo.

A derrota em Arouca podia ter acontecido noutro contexto — jogo é jogo… —mas aconteceu num contexto histórico muito desvantajoso. Repito: de incerteza.

Depois do empate no Bessa e com as alterações introduzidas por Sérgio Conceição (basicamente Francisco Conceição, Pepê e Galeno atrás de Evanilson), o FC Porto realizou 4 jogos em que exibiu claras melhorias, mas o ’nulo’ no Dragão com o Rio Ave — o primeiro jogo após as primeiras detenções no âmbito da Operação Pretoriano — voltou a mostrar uma equipa descrente, sem confiança, incerta, incapaz de jogar um futebol dominador e eficaz.

Diz-se que aquilo que se passa em redor de uma equipa de futebol, na sua relação com o exterior e com a componente interna não desportiva, raramente afecta os grupos de trabalho, que  — quase sempre através da acção dos treinadores — conseguem blindar os balneários.

Todavia, o caso que neste momento afecta o FC Porto alcança uma dimensão absolutamente singular, no domínio da INCERTEZA:

Primeira INCERTEZA: o FC Porto tem eleições marcadas para Abril e, pela primeira vez nos últimos 4 decénios, o presidente Pinto da Costa é confrontado com um tipo de oposição que nunca teve, protagonizada por André Villas-Boas, empenhado em não desistir perante as reações muito adversas que se fizeram sentir.

Quer dizer: é INCERTO que Pinto da Costa continue a liderança do FC Porto.

Segunda INCERTEZA: Sérgio Conceição termina contrato e é INCERTO que seja o treinador do FC Porto na próxima época.

Terceira INCERTEZA: PEPE, a completar 41 anos este mês, extensão dentro do campo das lideranças mais visíveis, não é certo que continue na próxima temporada. a desempenhar o papel que lhe foi atribuído.

Quarta INCERTEZA: a claque dominante do FC Porto sofreu um duro revés com a Operação Pretoriano, tem o seu líder detido e neste momento colocam-se sérias dúvidas sobre o seu futuro.

Quer dizer: o contexto não é exactamente propício à coesão e à estabilidade e, por muito que se queira fazer a blindagem, há sinais de muito menor solidez, como aliás se viu logo após o jogo em Arouca, através das declarações de Sérgio Conceição e Pepe, muito menos seguros — como é costume — de que a recuperação é possível.

Futebol é futebol, mas não é normal que nesta Liga o FC Porto não tenha conseguido vencer o Arouca (empate no Dragão à 4.ª jornada, recorde-se) e, para além destes 5 pontos perdidos, tenha perdido mais 5 pontos em casa com o Estoril e o Rio Ave. São 18 pontos perdidos neste campeonato, de 3 empates e 4 derrotas.

Em Arouca, perante uma equipa muito bem orientada por Daniel Sousa, o FC Porto esteve muito mal no processo defensivo (más coberturas e erros individuais) e sucumbiu na sua ineficácia à maior eficácia dos locais.

O FC Porto tem agora dois jogos em casa (Est. Amadora para a Liga e Arsenal para a Champions e o jogo com o Benfica no Dragão já não vem longe). Quer dizer: em meados de Março, a equipa de Conceição pode ter o seu destino traçado, e é bom não esquecer a pressão desportiva e financeira resultante do apuramento, ou não apuramento, para a Champions da próxima época.

É com esta INCERTEZA que o FC Porto vai ter de lidar e é incerto como a equipa vai reagir, mesmo antes do acto eleitoral.

Não está fácil para ninguém: nem para o presidente, nem para o treinador, nem para os jogadores, nem para a claque.

INCERTEZA é mesmo a palavra de ordem, tornada mais evidente com o futebol incerto praticado em Arouca.

A ironia de Sérgio Conceição (“o treinador é o culpado… não percebe nada disto”) é o mesmo que dizer: “neste quadro, o que querem que eu faço mais: ir-me embora?” De facto, a incerteza já entrou no balneário e, neste quadro, fica difícil arranjar bodes expiatórios (Luis Gonçalves bem tentou) para emular uma nova (mesmo que artificial) coesão.

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