Rishi Sunak, o próximo primeiro-ministro do Reino Unido que tem uma fortuna maior que a do rei

24 out, 15:08

Milionário antes dos 30 anos, já se viu envolto em várias polémicas, incluindo ligações à Rússia

Já imaginou António Costa numa mansão com piscina, ginásio, sala de ioga ou jacuzzi? E se o primeiro-ministro tivesse uma frota de carros em que três das viaturas são de topo de gama? Um cenário pouco comum para um governante, mas que será realidade em breve, quando Rishi Sunak for nomeado oficialmente como o líder do Partido Conservador (depois da desistência de Penny Mordaunt) e, consequentemente, primeiro-ministro do Reino Unido, sucedendo assim a Liz Truss, com quem tinha perdido as diretas a 5 de setembro.

É que Rishi Sunak, que já era o grande favorito a ganhar a corrida, tem, em conjunto com a mulher, uma fortuna avaliada em cerca de 730 milhões de libras (cerca de 841 milhões de euros). Esse valor coloca o casal na posição número 220 na lista dos cidadãos mais ricos do Reino Unido, e que recentemente foi atualizada pelo jornal The Times, tornando o antigo chanceler o primeiro político de renome a aparecer na referida lista desde a sua criação, em 1989. O mesmo valor significa ainda que o casal que vai ocupar o número 10 de Downing Street tem uma fortuna duas vezes maior que o rei Carlos III e a rainha consorte Camilla.

Rishi Sunak faz ainda história ao tornar-se no primeiro cidadão não branco a liderar o governo britânico, sendo ainda o segundo primeiro-ministro mais jovem da história, e o mais novo em mais de 200 anos, seguindo-se a William Pitt, que tinha apenas 24 anos quando assumiu os destinos do país. David Cameron e Tony Blair tinham 43 anos quando subiram ao poder.

Milionário aos 20

Grande parte da fortuna de Rishi Sunak vem na sequência do casamento com Akshata Murty, que tem uma participação de 0,93% na tecnológica indiana Infosys (fundada pelo pai, Narayana Murthy), participação essa que tem um valor anual a rondar os 690 milhões de libras (cerca de 794 milhões de euros).

Ainda assim, e com uma carreira desde cedo ligada ao dinheiro, Rishi Sunak já era considerado um milionário antes dos 30 anos, quando conseguiu uma posição no banco Goldman Sachs. Filho de um médico de família e de uma farmacêutica que chegaram ao Reino Unido vindos da África Oriental, habituou-se desde cedo à melhor educação, logo a começar em Southampton, onde nasceu, em 1980.

Caricatura brinca com a diferença do nível de vida de Rishi Sunak e Liz Truss (Peter Morrison/AP)

Depois de ter frequentado o Winchester College, onde foi editor do jornal escolar, e enquanto no verão trabalhava num restaurante de caril para juntar dinheiro, ingressou na Universidade de Oxford, onde estudou política, filosofia e economia.

Logo aos 21 anos, então na Goldman Sachs, terá auferido um valor anual, contabilizando prémios, a rondar as 61 mil libras (perto de 70 mil euros). No fim da experiência, aos 24 anos, preparava-se já para receber bem acima das 100 mil libras. O website efinancialcareers brinca mesmo, dizendo que "foi o único momento da sua carreira em que Rishi Sunak ganhou menos de 100 mil libras".

Nessa altura decidiu fazer uma pausa profissional para ingressar na Universidade de Stanford, onde concluiu um MBA de dois anos, tendo completado os estudos com direito a uma bolsa paga pela instituição, uma das mais reputadas em todo o mundo. O salário médio para um graduado com MBA que saía de Stanford em 2006, como fez Rishi Sunak, era de 152 mil dólares (cerca de 154 mil euros), mas a escolha certeira do britânico fê-lo milionário: com 28 anos o especialista em finanças já era sócio do Children's Investment Fund, que em 2008 anunciou uma faturação de 556 mil libras (cerca de 640 mil euros).

Nunca mais viria a fazer tanto dinheiro individualmente, até porque vendeu essa empresa, para depois fundar a Theleme Partners, empresa de investimento que, entre perdas e poucos ganhos, acabou por ver Rishi Sunak sair em 2015 para abraçar a carreira política, que agora verá o seu ponto mais alto.

Os carros e as propriedades

Entre Reino Unido e Estados Unidos, Rishi Sunak e a mulher têm quatro propriedades avaliadas em 15 milhões de libras (cerca de 17 milhões de euros). A maior parte do tempo da família, que conta ainda com as filhas Krishna e Anouskha, é passada numa mansão em Kensington, no oeste de Londres.

Aos fins de semana vão para o campo, na vila de Kirby Sigston. É aí que ficam a piscina interior, o ginásio, o salão de ioga, o jacuzzi ou o court de ténis. As contas do jornal The Guardian revelam que apenas para aquecer a piscina são precisos mais de 16 mil euros por mês, cerca de seis vezes o valor médio da fatura de eletricidade no país.

Rishi Sunak e Akshata Murty (Max Mumby/Getty Images)

Outra das propriedades sonantes fica na Califórnia, precisamente na praia onde foi filmada a série Marés Vivas.

Se em relação às casas Rishi Sunak e a mulher até parecem passar discretos, o mesmo não se aplica aos carros. O então chanceler teve de vir emendar uma frase sua, depois de ter dito que diariamente conduzia um Volkswagen Golf para se deslocar em Londres. O que o governante se esqueceu é que na sua garagem estão mais três carros: um Range Rover, um Lexus e um BMW, todos considerados topo de gama.

Da pandemia ao partygate - a queda depois da subida

Popular pela forma como geriu os pacotes de apoio providenciados pelo Estado britânico às famílias e negócios afetados pela covid-19, ficou particularmente conhecido pelo programa "Coma Fora para Ajudar", destinado a apoiar os restaurantes, e que lhe valeu a alcunha "dishy Rishi".

Foram 18 meses de resistência de capacidade de resposta, que até o chegaram a colocar como um natural sucessor de Boris Johnson.

Mas, tal como com o então primeiro-ministro, houve um caso do qual Rishi Sunak não se conseguiu dissociar: o partygate, as famosas e inúmeras festas dadas em Downing Street durante o confinamento, algumas das quais com o então chanceler.

Aliando isso a uma política errática para financiar o Serviço Nacional de Saúde, a popularidade conseguida no pico da pandemia esvaziou-se, atribuindo-se a isso grande parte da derrota nas diretas dos Conservadores.

As polémicas com impostos

O salário anual de 151.649 libras (perto de 174 mil euros) que Rishi Sunak declara desde que entrou no parlamento, e mais tarde no governo, nunca esteve em causa. Mas o mesmo não se pode dizer da mulher, que, ainda que legalmente, conseguiu evitar pagar impostos no valor de 20 milhões de libras ao longo dos anos. Algo que acabou por se tornar um escândalo com a crescente importância do britânico, e que acabou por levar Akshata Murty a recuar.

A mulher beneficiava de um estatuto de cidadã não doméstica, o que lhe permitia declarar os rendimentos noutros locais, ainda que passasse a esmagadora maioria do tempo no Reino Unido.

A pressão popular e do Partido Trabalhista, que falou em falta de ética neste caso, acabou por levar a mulher de Rishi Sunak a decidir que passaria a declarar os seus rendimentos à luz de Londres.

Rishi Sunak era um dos principais rostos do governo de Boris Johnson (Dan Kitwood/AP)

A mesma pressão surgiu logo quando Rishi Sunak subiu ao governo, até porque o então deputado mantinha vários investimentos financeiros, algo que a nível executivo podia consistir em conflito de interesses. Por isso mesmo foi escudado por uma figura chamada "fundo cego", que permite que o dinheiro seja gerido e investido, mas de forma cega, sem que o investidor, no caso o ministro, saiba quais as empresas em causa.

O chanceler era um dos seis ministros a usufruir desta figura, mas os trabalhistas acusaram-no de ser o primeiro no cargo a registar um investimento num fundo desde que a figura foi criada. Apesar da polémica, o departamento do Tesouro garantiu que Rishi Sunak "seguiu o código ministerial à letra".

Também este ano surgiu outra polémica, depois de se ter ficado a saber que a Infosys mantinha negócios e retirava dividendos de uma sucursal na Rússia. A mulher de Rishi Sunak foi acusada de faturar com "dinheiro sangrento", isto um mês depois de a guerra ter começado na Ucrânia.

A pressão foi tal que a empresa indiana foi obrigada a esclarecer que iria fechar os seus escritórios na Rússia "urgentemente".

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