Os 7 escândalos que marcam a família real britânica e como se resolveram

20 fev, 11:00

O caso de abuso sexual que envolveu o príncipe André não é escândalo único na família de Isabel II. Do topless de Kate Middleton às polémicas que envolvem o príncipe Harry, recordamos os casos que mancham a história real

1. Príncipe André e a acusação de abusos sexuais

O caso parece ter chegado ao fim com um acordo, mas foram dois longos anos de trocas de acusações e desmentidos por parte do príncipe André que foi acusado por Virginia Giuffre de ter abusado dela sexualmente na mansão de Jeffrey Epstein em Nova Iorque. A mulher, que atualmente tem 38 anos, sustenta que foi abusada sexualmente pelo príncipe André quando tinha 17 anos, pelo menos três vezes e em casas diferentes, que o magnata norte-americano Jeffrey Epstein (que morreu antes do julgamento) colocou à disposição do filho da rainha Isabel II.

O segundo filho da rainha Isabel II sempre negou veementemente as acusações e qualquer comportamento impróprio, alegando que nunca se encontrou com a mulher em causa mas, em fevereiro deste ano, as duas partes chegaram a acordo e o filho da rainha de Inglaterra vai pagar uma indemnização à mulher. Os valores em causa vão permanecer confidenciais. 

“O príncipe André pretende fazer uma doação substancial à instituição de caridade da senhora Giuffre de apoio aos direitos das vítimas. O príncipe André nunca pretendeu denegrir o carater da senhora Giuffre, e ele aceita que ela tenha sufrido tanto quando vítima de abusos sexuais como por injustos ataques públicos. É sabido que Jeffrey Epstein traficou inúmeras jovens raparigas durante anos. O príncipe André arrepende-se da sua associação a Epstein e apoia a coragem da senhora Giuffre e de outras sobreviventes (…)”, pode ler-se na carta enviada ao juiz Lewis Kaplan.

Por causa do caso, o príncipe André, duque de York, renunciou aos títulos militares, depois de a justiça norte-americana ter recusado arquivar a queixa civil por abuso sexual contra o membro da família real britânica.

2. Príncipe Harry, o uniforme nazi e o Megxit

Harry, o príncipe rebelde. O apelido fez manchetes anos a fio e os escândalos muitas vezes escaparam da mão. Em 2002, o agora duque de Sussex tinha apenas 17 anos quando surgiram rumores que tinha sido internado numa clínica de reabilitação por problemas com álcool e com drogas. No entanto, a informação nunca foi confirmada oficialmente. Dois anos mais tarde, embriagado, o irmão do príncipe William agrediu um paparazzi ao sair de uma discoteca e, em 2005, foi fotografado numa festa com uma faixa suástica, símbolo do nazismo, no braço. A fotografia fez capas de diversos jornais britânicos, e posteriormente, Harry pediu desculpas publicamente, até porque o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel e membros do Parlamento manifestaram-se publicamente contra o sucedido.

Mas as polémicas não se ficaram por aqui. Em 2012, enquanto servia o exército britânico no Afeganistão, o príncipe Harry viajou para Las Vegas e acabou por voltar a ser capa de jornais... desta vez nu. As fotografias do filho do príncipe Carlos numa festa no quarto de hotel, onde supostamente estavam strippers, foram publicadas pelo The Sun em primeira mão e a família real cogitou processar o tabloide, mas acabou por desistir.

Manchete do jornal "The Sun" a 24 de agosto de 2012

Por vários anos, Harry manteve-se discreto, comprometido com os seus compromissos oficiais, acompanhando o irmão e a cunhada nos eventos oficiais e até seguindo os passos da mãe nas lutas contra a SIDA e as minas em Angola. Mas tudo mudou quando começou o relacionamento com Meghan Markle. Durante o namoro, a perseguição dos paparazzi à atriz fez com que a família real fosse obrigada a pedir que à imprensa que respeitasse os limites e a privacidade do casal. Para o príncipe, este foi o despertar de memórias que há muito queria esquecer e que acabou por despoletar o que viria a seguir: o seu afastamento da família real e do Reino Unido.

A 8 de janeiro de 2020, Harry e a mulher anunciaram a intenção de “recuar” dos deveres enquanto membros seniores da família real do Reino Unido, para se tornarem “financeiramente independentes”. A notícia, que foi "inteiramente apoiada" pela rainha, caiu como uma bomba no Reino Unido. Os duques de Sussex, que se encontravam em Londres para um reencontro familiar depois de uma viagem sabática de seis semanas do casal com o filho ao Canadá quando a notícia foi tornada pública, rapidamente partiram rumo à nova vida do outro lado do Atlântico. Depois do Canadá, terra natal de Meghan Markle, o casal rumou aos EUA, mais concretamente a Los Angeles, onde, um ano depois, acabariam por dar a polémica entrevista a Oprah Winfrey. Na conversa com a apresentadora, o casal acusou a família real de racismo e expôs a má relação familiar de Harry com o pai. O mau estar gerado pelas declarações obrigaram a família real a pronunciar-se sobre o que foi dito e a abrir investigações "dentro de casa". As tensões familiares pareceram ter uma trégua em abril, durante o funeral do príncipe Phillip, no qual o príncipe Harry marcou presença sozinho.

3. Topless de Kate Middleton

O caso remonta a 2012, quando a "Closer" publicou fotos de Kate Middleton, mulher do príncipe William, em topless. Segundo a publicação, as fotos foram tiradas na Provença, no Sul de França, no palacete de Lorde Linley, sobrinho da rainha da Inglaterra. Ao longo de quatro páginas, a publicação mostrava fotos de William e Kate de Inglaterra de férias, nas quais a duquesa aparecia em topless.

As imagens de Kate em topless, durante férias em França, teriam sido inicialmente propostas a jornais britânicos, que as teriam recusado, mas acabariam publicadas por um jornal irlandês e por duas revistas do grupo de media italiano do ex-primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.

Em comunicado, poucos dias depois das fotos serem divulgadas, a Casa Real avançou com uma ação legal contra a "Closer" por invasão de privacidade. Processo que acabaria por condenar seis pessoas: o diretor da revista e o diretor-geral do grupo proprietário da publicação, condenados a pagarem uma multa de 45 mil euros, dois fotógrafos envolvidos no caso foram acusados de cumplicidade e de invasão de privacidade, e o diretor editorial do La Provence e a fotógrafa do jornal foram condenados a multas suspensas.

4. Carlos e Diana, um casamento infiel

"Whatever 'in love' means." A frase, dita pelo príncipe Carlos no anúncio do noivado com uma jovem e sonhadora Diana, não agoirava nada de feliz. E o tempo assim o provou. O casamento entre os príncipes de Gales foram marcados pelos sucessivos escândalos, desde traições, a entrevistas polémicas e até suspeitas de que Harry, o segundo filho do casal, seria fruto de um affair da princesa.

Príncipes de Gales no dia do casamento

Carlos e Diana casaram-se a 29 de julho de 1981 e em 1982 foram pais de William, o primogénito e terceiro na linha de sucessão ao trono. Mas o casal que parecia ter tudo para ter um casamento perfeito, - Harry nasceria em 1984 - rapidamente viu as diferenças surgirem e o distanciamento começou a ser visível nos atos oficiais. Perante uma princesa profundamente infeliz, como a mesma viria a confessar nas polémicas entrevistas, começaram também a surgir os rumores de infidelidade que acabaram por ser expostos por Diana no livro de Andrew Morton ("Diana: a sua verdadeira história").

O casal acabaria por anunciar a separação em 1992 e, em 1994, Diana viu Carlos confessar publicamente que lhe tinha sido infiel durante o casamento. Dois anos depois, em agosto de 1996, o divórcio seria formalizado.

5. Annus horribilis

"1992 não é um ano para o qual possa olhar com especial prazer. Nas palavras de um dos meus correspondentes mais queridos: acabou por ser um annus horribilis”.

A 24 de novembro de 1992, dia em que assinalava as quatro décadas de reinado, a rainha Isabel II proferia um dos discursos que o mundo nunca iria esquecer e que foram as únicas palavras da soberana sobre o ano difícil por que a família passou. 

Nesse ano, a monarca britânica enfrentou a separação de três filhos - o príncipe André e a mulher, a duquesa de York, separaram-se em março, a princesa Anne e o marido separaram-se em abril e o príncipe Carlos e a mulher, a princesa Diana, separaram-se em dezembro -, foi publicado o livro “Diana: a sua verdadeira história", em junho, onde eram revelados detalhes sobre os problemas no casamento dos príncipes de Gales, principalmente o seu romance com Camilla Parker Bowles.

Em agosto do mesmo ano, foram publicadas fotos da duquesa de York em topless, e viram a luz as conversas indiscreta que a princesa Diana teve com o suposto amante James Gilbey. Um verão escaldante que culminaria com um incêndio em vésperas de inverno: a 20 de novembro, um fogo deflagrou na capela privada da rainha no Castelo de Windsor.

O ano ficou ainda marcado por duas mortes: em março, a princesa Diana perdeu o pai, vítima de um ataque cardíaco e, em abril, o Albrecht Wolfgang Christoph de Hohenlohe-Langenburg, sobrinho do duque de Edimburgo, morreu no mesmo dia em que era anunciado o divórcio da princesa Anne.

6. Edward VIII renuncia ao trono por estar apaixonado por mulher divorciada

"Considero impossível carregar com esta enorme responsabilidade e desempenhar, tal como havia desejado, as minhas obrigações de rei, se não puder contar com a ajuda e o apoio da mulher que amo", afirmou Edward VIII no seu discurso de abdicação, em 1936. As palavras mostravam um desejo: o de renunciar à coroa para viver o amor, então proibido, com Wallis Simpson, socialite norte-americana, duas vezes divorciada.

Rei Edward VIII e Wallis Simpson (AP Photo)

O que se seguiu ao anúncio foi uma onda de clara desaprovação do povo britânico seguida de um acentuado ódio, sobretudo para com a amada do rei Edward. A crise acabaria por ser evitada com o seu afastamento da família real e consequente subida ao trono do pai da rainha Isabel II, o rei George VI.

O casal contraiu matrimónio em junho de 1937, no Château de Candé, na região francesa de Indre-et-Loire e estiveram juntos por 35 anos, até à morte do duque de Windsor, em 1972.

Quando o príncipe Harry anunciou que se ia afastar da família real para proteger a família, muitos foram aqueles que fizeram uma comparação entre os dois membros da realeza, até porque a história dos dois casais tem vários pontos em comum: assim como Megan, Wallis Simpson não fazia parte da realeza, era norte americana e divorciada. 

7. Princesa Margaret

A princesa Margaret, filha mais nova do rei George VI e irmã da rainha Isabel II sempre foi vista como a princesa rebelde e a sucessão de polémicas assim o provam.

Depois do romance proibido com o oficial da Força Aérea Real divorciado e 16 anos mais velho, Peter Townsend, a irmã mais nova da rainha Isabel II encontrou o amor junto de Antony Armstrong-Jones, fotógrafo conhecido pela sua vida boémia e que foi o responsável pelas fotos mais ousadas da princesa: Margaret aparece apenas com as jóias, nos retratos do seu 29.º aniversário.

Margaret e Armstrong-Jones acabariam por casar, na Abadia de Westminster, dois anos depois do início do romance e, entre discussões e tempos conturbados bastante explorados pela imprensa, foram pais de David e Sarah. O casamento durou 16 anos mas, em 1978, a princesa Margaret tornou-se no primeiro membro da família real a divorciar-se desde o rei Henrique VIII, em 1540.

Após o divórcio, a vida da princesa foi dedicada à família real e marcada pela doença. Depois de ter sofrido um esgotamento nervoso nos anos 70, Margaret foi também tratada por depressão. Em 1985, teve de ser operada para remover parte de um pulmão, mas só deixaria de fumar em 1991. Dois anos depois, foi internada com uma pneumonia e, em 1998, sofreu um AVC enquanto estava de férias em Mustique. Os acidentes continuariam a acontecer e, em 1999, a princesa queimaria os pés num acidente na casa de banho e que a obrigou a andar de cadeira de rodas. Em 2001, Margaret sofreu novo AVC e teve de ser internada por problemas de apetite e de deglutição. Em março do mesmo ano, soube-se que a princesa tinha perdido a visão de forma parcial e estava paralisada do lado esquerdo. O seu último ato público foi em dezembro de 2001. Viria a morrer a 9 de fevereiro de 2002, aos 72 anos, depois de sofrer um AVC que lhe causou problemas cardíacos.

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