Comissão Permanente marcada por troca de acusações: PS acusa Rio de ignorar “força da moderação”, PCP acusa PS de "alinhamento com a direita"

Agência Lusa , BCE
6 jan, 17:38
Parlamento
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A Comissão Permanente desta quinta-feira ficou marcada por uma troca de acusações entre vários partidos: enquanto o PS acusa o líder do PSD de desvalorizar o Estado de Direito, o PCP virou-se para o PS, acusando-o de "não querer soluções", mas eleições

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O PS acusou esta quinta-feira o líder do PSD de propor a Portugal “uma agenda que derruba a prudência” e de ignorar a "força da moderação”, com o PCP a criticar os socialistas por um “alinhamento com a direita” nesta legislatura. 

Na reunião da Comissão Permanente – órgão que substitui o plenário na sequência da dissolução do parlamento – os socialistas, no período de declarações políticas sem direito a réplica, apontaram diretamente ao PSD, afirmando que o maior partido da oposição “claudicou aos pés dos princípios, deixando aos portugueses o PS como a única solução moderada e progressista e com garantias de estabilidade”.

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Segundo o deputado Carlos Pereira, Rui Rio “está comprometido com uma agenda que derruba a prudência, ignora a força da moderação e desvaloriza princípios conquistados pelo Estado de direito que todos ajudaram a erguer”.

Com tudo isto, ameaça colocar Portugal aos pés de um caminho pautado por posições que representam um retrocesso e por modelos de Governo que introduzem instabilidade e imprevisibilidade”, criticou, acrescentando que "as nuvens de retrocesso civilizacional, radicalização e austeridade programática acompanham os passos do atual PSD". 

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Carlos Pereira considerou que o país “precisa de estabilidade e capacidade governativa” e defendeu que “esse anseio não se alcança com alguém que abusa do conflito, do autoritarismo ou, não menos importante, da inexperiência governativa”.

Em contraponto, o deputado socialista afirmou que o PS "construiu um legado de estabilidade em torno de António Costa" e, apontando aos parceiros da esquerda, afirmou que a crise política atual “não era incontornável e, em boa verdade, nunca deveria ter ocorrido”. 

“Portugal inteiro conhece os responsáveis desta infeliz circunstância: sabem quem são os que saíram do barco à primeira oportunidade, abandonando os portugueses sem dó nem piedade, sabem quem são os que ensaiaram uma dificuldade inultrapassável para também sair”, frisou. 

PCP acusa socialistas de "alinhamento com a direita"

Noutra declaração política, que decorreu antes da dos socialistas, o PCP, pela voz do líder da bancada parlamentar, João Oliveira, acusou o PS de “alinhamento com a direita” e de ter “preferido juntar os seus votos aos votos do PSD, CDS, IL e Chega” para rejeitar soluções apresentadas pelo PCP na última legislatura, designadamente em áreas como o reforço do SNS, o aumento geral dos salários ou a garantia de “condições de vida dignas” para os reformados e pensionistas. 

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O deputado comunista acusou o PS de não querer “soluções”, mas “eleições”, porque pretende uma maioria absoluta que teria como consequência ficar “de mãos livres durante quatro anos para fazer a política que bem entendesse, incluindo o alinhamento com PSD, CDS e os seus sucedâneos”. 

Se, pelo contrário, o povo recusar essa maioria absoluta e reforçar a CDU, o caminho que se abre é o caminho de aprofundamento das conquistas e avanços dos últimos anos”, afirmou.

João Oliveira defendeu que, nos últimos anos, o PS venceu “as resistências do PS ao aumento dos salários e pensões, aos manuais escolares e creches gratuitas, à redução do preço dos passes dos transportes e a tantas e tantas outras medidas que milhares de portugueses valorizam”. 

“É com essa perspetiva que afirmamos hoje que é possível um futuro melhor”, concluiu. 

Na sua declaração política, a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, considerou que nem um bloco central nem uma maioria absoluta seriam positivos para o país, apontando críticas aos diversos partidos com assento parlamentar, designadamente o CDS, PCP, IL ou Chega.

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“É fundamental neste tempo que Portugal evolua civilizacionalmente no combate às alterações climáticas, mas acima de tudo também naquilo que é o reforço da nossa democracia, e isso não se faz com mais do mesmo. Faz-se mudando de forma disruptiva aquilo que tem sido o sistema instalado”, indicou.

Pelo Chega, o deputado único André Ventura salientou que “à direita cabe um grande desafio nestas eleições”: “tem que ser a direita a descer os impostos, a direita capaz de fazer verdadeiramente uma rotura no sistema político em Portugal e de ter a coragem, pela primeira vez, de dizer aos portugueses que vai fazer uma coisa: acabar com metade dos cargos políticos em Portugal”, afirmou.

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