Uma bíblia a invadir o palco, protestos na plateia a parar Pedro Nuno, microfones avariados, Costa calado: isto foi o que correu mal ao PS na Aula Magna

6 mar, 01:10

Um dos lemas da campanha é 'Mais Ação'. E ação houve muita neste comício do PS na Aula Magna, em Lisboa. Tanta coisa que o discurso de Pedro Nuno Santos acabou, além de interrompido, abafado pela incerteza na sala se haveria mais algum incidente. Enganou-se. Disse que ia "governar para a maioria". Corrigiu: disse que ia governar "para todos". Mas a maioria estava na cabeça por outro motivo: foi a primeira vez que a pediu de forma direta

Pedro Nuno Santos tinha acabado de subir ao palco, para fechar o comício na Aula Magna, quando o primeiro incidente se deu. Uma mulher entrou em palco com uma bíblia na mão. Foi apanhada de imediato pelos seguranças. "No fim dá-me", reagiu o secretário-geral do PS. A mulher esperou, pacientemente, junto à assessora do candidato. No fim, como prometido, conseguiu concretizar o seu objetivo.

(Lusa)

E esperou pacientemente porque o discurso, que já era longo de si, se tornou mais longo com o que aconteceu a seguir. Numa das pausas do discurso de Pedro Nuno Santos, um ativista climático começou o seu protesto. Lia um papel. Mas o que disse foi impercetível porque a multidão socialista abafou. Pedro Nuno Santos lembrou que o PS é "o partido do respeito".

Mas não houve duas sem três. Minutos depois, outro jovem volta a interromper o discurso do líder do PS. É detido pela multidão, inclusive com uma mão no pescoço. E levado para fora da sala. A multidão gritou mais alto, para tentar abafar. Agitou as bandeiras com mais força para tentar esconder. O rapaz, também ele associado ao ativismo climático, foi levado para o exterior.

(Lusa)

"Calma, calma", reagiu Pedro Nuno Santos. "Calma, serenidade e tranquilidade", continuou, atrapalhado pela situação. E tentou desanuviar: "Eu só pedia que quem quisesse falar o fizesse de uma vez, para não estarmos sempre a repetir".

O que tinha para dizer a seguir acabou por se perder. A sala ficou na expectativa que outro episódio pudesse acontecer. Os seguranças puseram-se logo em posição, inclusive na linha que separava os rostos notáveis do partido do restante auditório.

Foi então que um militante gritou fora de tempo, voltando a deixar a sala em burburinho. "Depois fico na dúvida", brincou Pedro Nuno Santos.

Na primeira fila, a assistir a tudo estava o ainda primeiro-ministro, António Costa. No seu regresso à campanha socialista, depois da intervenção no Pavilhão Rosa Mota no Porto, entrou mudo e saiu calado.

(Lusa)

Lapsos de Pedro Nuno. E um pedido de "maioria" que (quase) passou despercebido

Não foi só a invasão do palco e os protestos do PS aquilo que correu mal nesta noite que se esperava de festa. Pedro Nuno Santos quis trazer, pela primeira vez, o tema da cultura à campanha, porque "não pode ser nunca uma nota de rodapé", acabaria por se atrapalhar na fase final do discurso.

"É este futuro que queremos construir, é nele que vamos estar focados, a governar para a maioria, para a maioria". Momento de dúvida. E a correção. "Para todos. Porque nós queremos um Portugal inteiro".

No meio da confusão, passou algo despercebido aquele que foi o primeiro pedido direto de uma maioria. Até agora, o candidato falava do "melhor resultado possível". Foi diferente nesta noite: "É preciso que o PS ganhe as eleições, que o PS tenha uma maioria, que tenha uma vitória. É para isso que nós temos de trabalhar".

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Um microfone sem funcionar que tirou uma ministra do palco

Numa campanha que tem como lema "Mais Ação", houve ação com fartura neste comício na Aula Magna. Além dos protestos e dos enganos, houve também falhas técnicas. Na hora de Mariana Vieira da Silva, atual ministra e cabeça de lista por Lisboa, subir ao palco, o microfone deixou de funcionar.

Foram longos minutos, em que a organização teve de improvisar. A ministra ainda se manteve no palco, mas acabou por desistir. A multidão lançou gritos de apoio, na tentativa de uma resolução breve do problema. Os vídeos de campanha repetiram-se.

Ao fim de uns minutos, chegou a confirmação de que estava resolvido: "Está tudo bem? Não, não está. Mas o PS resolve". Mariana Vieira da Silva repetiu o discurso para lembrar o trabalho feito e criticar a Aliança Democrática: "Ficámos com a sensação que escreveram a lista de medidas e depois martelaram o crescimento para chegar até lá".

(Lusa)

Para balançar: estas vozes apelaram aos votos e lembraram os feitos do PS

O comício, encarado como um momento alto da campanha, contou com alguns dos rostos mais notáveis do PS. Entre eles, um dos aliados mais fortes de Pedro Nuno Santos, Duarte Cordeiro, que entrou esta terça-feira, pela primeira vez, na campanha. E o histórico Manuel Alegre.

À entrada, Alegre disse que tem visto "grandes tiros nos pés, que estão a criar dificuldades ao líder" da Aliança Democrática, Luís Montenegro. Sobre um regresso da geringonça, referiu que "depende dos resultados". "Gostava da vitória e acho que a única governação possível é à esquerda", concluiu.

(Lusa)

Outro dos nomes presentes foi o de Fernando Medina, número três por Lisboa, que apenas falou à entrada aos jornalistas para destacar a melhoria do ‘rating’ de Portugal para patamares ‘A’ em todas as agências, considerando que resulta das políticas dos últimos anos e que o país poderá ter novas subidas se mantiver o rumo orçamental. “Bastará para isso que o país mantenha o rumo que temos seguido”, afirmou.

(Lusa)

Marta Temido, ex-ministra da Saúde e número dois na lista por Lisboa, subiu também ao palco para o ataque à AD. Passou por várias áreas, mas acabou por não resistir - palavras da própria - a falar da área que tutelou.

"A resposta para essa terrível dificuldade, essa terrível provação, esteve na capacidade de termos um SNS forte", "quando todas as outras portas se fecharam", referiu, numa referência aos tempos da pandemia de covid-19.

"Num cenário de incertezas, é mesmo o estado social que não podemos correr o risco de desmantelar", reforçou, antes de deixar um apelo para o voto no PS.

(Lusa)

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