Cotação do barril de Brent abaixo dos 100 dólares pela primeira vez desde o segundo dia da invasão da Ucrânia

Agência Lusa , BCE
15 mar, 22:56
Sistema de extração de petróleo (AP Photo/Matthew Brown, File)

Algum otimismo com o diálogo entre ucranianos e russos, a perceção de que a Europa vai continuar a importar petróleo russo a curto prazo, bem como o receio que novos confinamentos na China afetem a procura contribuíram para a descida da cotação

A cotação do barril de Brent no mercado de futuros de Londres, para entrega em maio, fechou esta terça-feira abaixo dos 100 dólares pela primeira vez desde o segundo dia da invasão russa da Ucrânia, há cerca de três semanas.

O crude do Mar do Norte, de referência na Europa, concluiu a sessão no International Exchange Futures a cotar em baixa de 5,73%, nos 99,12 dólares por barril.

Em termos absolutos, a cotação do Brent baixou 6,02 dólares em relação aos 105,14 com que encerrou as transações na segunda-feira.

Algum otimismo com o diálogo entre ucranianos e russos, a perceção de que a Europa vai continuar a importar petróleo russo a curto prazo, bem como o receio que novos confinamentos na China afetem a procura contribuíram para a descida da cotação.

A descida abaixo do limiar simbólico dos 100 dólares ocorre apenas oito dias depois de a cotação ter quase atingido os 140 dólares, um máximo desde 2008, perante a eventual falta de fornecimento, em resultado das sanções aplicadas à Federação Russa.

“A principal razão para a venda massiva no mercado de petróleo foi o entendimento dos investidores de que a Europa não vai dispensar o petróleo russo imediatamente”, disse Fawad Razaqzada, analista da ThinkMarkets.

Ao mesmo tempo, sublinhou, houve outros fatores que contribuíram para a decida da cotação, como o aviso da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para a possibilidade de as consequências económicas da guerra e a inflação reduzirem a procura de petróleo.

Neste sentido, Razaqzada salientou que a subida de casos de contágios de covid-19 na China, que voltou a confinar milhões de pessoas, vai também influenciar a procura e os preços.

A Rystad Energy estimou que um “confinamento severo” na China pode reduzir o seu consumo diário em meio milhão de barris por dia.

As especulações sobre um regresso do petróleo iraniano ao mercado, perante a possibilidade de se levantarem as sanções internacionais a Teerão, também reforçaram a tendência de baixa da cotação do Brent.

Estes fatores contrariaram a constatação de que a produção conjunta da OPEP em fevereiro foi inferior ao esperado.

À semelhança do outros mercados de matérias-primas, destacaram os analistas, os futuros do petróleo atravessam uma fase de especial volatilidade, perante a incerteza quanto aos efeitos da guerra na Ucrânia.

“A dependência dos sistemas de algoritmos nos mercados pode converter um pequeno sinal em uma série de desenvolvimentos com impacto nos preços. Isto está a ocorrer com cada vez mais frequência, entre a dúvida causada pela guerra e a incerteza nos mercados financeiros”, sustentou Louise Dickson, analista da Rystad Energy.

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