Mercados no olho do furacão: bolsas em mínimos e petróleo dispara 20%

7 mar, 11:00

O Brent atingiu os 139 dólares por barril durante a madrugada e o preço do gás escalou 30%. Mas o pânico com este boicote dos EUA ao petróleo russo alastrou-se também ao mercado de ações. Na Europa, grande parte dos índices está a negociar já em “bear market” – que acontece quando um ativo cai 20% ou mais desde o último máximo

Os mercados financeiros continuam a espelhar os efeitos nefastos da guerra na Ucrânia. Algumas bolsas europeias acordaram nesta primeira sessão da semana em mínimos de um ano e o petróleo atingiu um máximo de 2008, depois de os EUA terem anunciado que poderá vir a suspender a compra desta matéria-prima com origem da Rússia.

“Os mercados abriram esta segunda-feira com um nível de stress ainda mais elevado do que o registado na semana passada, que já tinha sido marcada por uma forte turbulência”, pode ler-se na nota matinal divulgada pelos analistas do BA&N.

A nota acrescenta que “é o petróleo que está a mandar no rumo da grande maioria dos ativos cotados, uma vez que o disparo da matéria-prima está a aumentar de forma dramática a possibilidade de um choque petrolífero que coloque a economia global (sobretudo da europeia) num período de estagflação (inflação alta e estagnação da atividade económica)”.

Durante a madrugada, o Brent – negociado em Londres e que serve de referência para Portugal – atingiu os 139 dólares por barril, uma subida de 18% face à sessão de sexta-feira. E já há investidores a comprarem opções (que garante ao investidor a opção de comprar um ativo quando ele atingir um determinado valor dentro de um intervalo de tempo) de petróleo a 200 dólares, antevendo uma subida do barril para este patamar em breve.

À boleia da crise no mercado de energia, também os preços do gás natural escalaram 30% para os 241,5 euros por megawatt-hora (MWh). No mercado ibérico, o preço da eletricidade está hoje a negociar num patamar histórico: o preço grossista vai atingir os 500 euros por MWh em Portugal e Espanha durante esta segunda-feira, de acordo com o Omie, o operador da eletricidade no mercado ibérico.

Mas o pânico com este boicote dos EUA ao petróleo russo alastrou-se também ao mercado de ações. Na Europa, grande parte dos índices está a negociar já em “bear market” – que acontece quando um ativo cai 20% ou mais desde o último máximo. O Stoxx 600, que agrupa as 600 maiores empresas do “velho continente” – chegou a cair 4,8% nesta manhã. Em Paris e Frankfurt, as praças desvalorizaram mais de 3%. O setor das petrolíferas e das empresas de extração de minério são os únicos que acumulam ganhos.

BCP derrapa 8% para mínimos de meio ano

Por cá, a bolsa de Lisboa registou perdas mais contidas (em torno de 1%), mas já está nesta altura a valorizar 0,06%. Este cenário poderá explicar-se pela forte exposição do índice PSI-20 a setores que hoje estão a ser beneficiados. A Galp Energia, por exemplo, está a disparar 7,91% para os 11,66 euros por ação e a EDP Renováveis valoriza 3,30% para os 21,28 euros. Também a casa-mãe EDP consegue subir 0,70%. As duas empresas lideradas por Miguel Stilwell são as que mais pedo têm na praça portuguesa.

Em sentido inverso está o BCP (-7,39%), que negoceia já em mínimos de meio ano, em linha com a tendência registada por toda a banca europeia, um dos setores mais afetados na Europa. O banco liderado por Miguel Maya desvalorizou em dez das últimas onze sessões.

Economia

Mais Economia

Patrocinados