Injeção do Estado de 3,2 mil milhões na TAP pode aumentar com a pandemia

22 dez 2021, 07:00

Bruxelas limita ajudas do Estado à TAP em 3,2 mil milhões. Mas se a pandemia provocar mais danos na aviação aérea, mais ajudas podem estar em cima da mesa

“Não seria honesto da minha parte dizer que, se a pandemia se agravar, o negócio da aviação não vai necessitar de ajuda”, reconhece Pedro Nuno Santos. Mas ressalva: “Não é uma questão nacional, nem específica da TAP”.

Em entrevista exclusiva à CNN Portugal esta terça feira à noite, o ministro das Infraestruturas não excluiu a possibilidade de a TAP vir a necessitar de mais apoios caso a pandemia da Covid-19 cause uma nova quebra de receitas no negócio. Mas explica que, nesse caso, não será unicamente a para a TAP, antes um problema geral que pode levar a Comissão Europeia a aprovar novas ajudas de Estado.

A entrevista foi dada poucas horas depois de ser anunciada a aprovação por Bruxelas de uma injeção total de 3,2 mil milhões de euros na companhia aérea, em troca de condições que reduzem a dimensão da TAP face à situação anterior à pandemia. O ministro que tem conduzido o processo elogia “a viabilização de uma empresa que tem uma importância estratégica muito grande para a economia de Portugal.”

O plano de reestruturação e a autorização da Comissão Europeia não permite uma injeção superior a 3,2 mil milhões de euros, sublinha o ministro, que considera o valor suficiente. Mas “os riscos que a TAP corre, nos próximos anos, são exatamente os mesmos que qualquer companhia aérea corre. Infelizmente, não estamos livres da pandemia, ela tem um impacto brutal no negócio da aviação, se continuar a agravar-se atingirá a TAP como todas as outras companhias aéreas.”

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Apesar de a variante Ómicron estar a conduzir vários países a medidas de contenção, “neste momento, não temos no horizonte a perspetiva de que venha a precisar de mais [dinheiro], mas obviamente a TAP opera num mercado global, que está sujeito a pandemias, a crises, que têm impacto no sector da aviação global”.

De futuro, na eventualidade de a situação piorar, “qualquer montante injetado na TAP, como em qualquer outra empresa, tem de ser negociado e autorizado pela União Europeia. À TAP não se vai aplicar nada que seja diferente de qualquer outra companhia aérea.”

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