Há uma nova adenda: agora Pedro Nuno Santos não inviabiliza governo da AD "se houver maioria de direita". O moderador ficou intrigado: "Maioria de direita?!"

23 fev, 22:11

Líder do PS voltou à questão das viabilizações e inviabilizações. E há uma nova versão depois de várias outras versões, correções e adendas - e transcrevemos na íntegra esta nova versão

Pedro Nuno Santos disse assim a 25 de janeiro na CNN Portugal: é "muito difícil o PS viabilizar um governo minoritário da AD" - e alegou razões de "ordem democrática". "Eu sempre fui adversário de termos o PS e o PSD comprometidos os dois com a mesma governação. Isso não é bom para a democracia porque a válvula de escape passam a ser partidos nos extremos, nomeadamente o partido populista, racista e xenófobo que é o Chega". Cerca de um mês depois, esta segunda-feira, Pedro Nuno Santos disse num debate com Luís Montenegro que viabiliza um governo minoritário da AD - não invocou qualquer questão de "ordem democrática" para não o fazer. No dia a seguir fez uma adenda: disse que viabilizaria esse governo da AD desde que o PS não conseguisse formar uma maioria no Parlamento. No dia a seguir a esse revelou que se sentia "desobrigado" da promessa que fez no debate com Montenegro caso o PSD não viabilizasse um governo minoritário do PS. E nesse mesmo dia afirmou que foi "mal interpretado" por se ter noticiado que "desobrigado" é um recuo na promessa feita no debate com Montenegro - "desobrigado" não é isso, argumentou Pedro Nuno Santos, "desobrigado" é ter "reciprocidade" do PSD. E agora, esta sexta-feira, nova adenda: "no caso de haver uma maioria de direita e de o Partido Socialista ficar em segundo lugar, não inviabilizaremos [um governo da AD]”. O moderador ficou intrigado: "Num cenário de maioria de direita?!". Portanto: se o Chega apresentar uma moção de rejeição a um governo da AD num cenário de maioria parlamentar da direita, o PS deixa o Chega sozinho. Resta saber se o Chega apresenta essa moção ou não. Quanto às questões de "ordem democrática" invocadas por Pedro Nuno Santos a 25 de janeiro, não houve qualquer referência a isso.

Eis a transcrição na íntegra do que se passou esta sexta-feira na RTP, durante o debate com todos os líderes partidários:
 

Carlos Daniel “Os dados das sondagens justificam que possa começar por si, Pedro Nuno Santos, e recolocar o cenário de uma eventual necessidade de viabilização que tanta tinta fez correr ao longo dos últimos dias. Começou por dizer que era praticamente impossível viabilizar um governo do PSD, depois disse que nunca estaria ligado a uma moção de rejeição e acabou por falar em sentir ‘desobrigado’ se a AD não fosse clara. Está desobrigado ou não está?”.

Pedro Nuno Santos “Antes de mais, boa noite, boa noite a todos os que nos estão a acompanhar. A posição do PS é mais clara do que aquilo que fizeram crer os comentários ao longo destes últimos dias. Mas para tornar ainda mais claro, e na expectativa de que os outros líderes partidários possam também tornar claro os cenários pós-eleitorais, eu queria dizer que o Partido Socialista governará se ganhar com maioria absoluta, governará se ganhar com maioria relativa mas conseguir encontrar uma maioria parlamentar, uma maioria absoluta parlamentar, nomeadamente à esquerda, governará se, ficando em segundo, conseguir também construir uma maioria parlamentar à esquerda no Parlamento, governará se ganhar as eleições num quadro de maioria de direita, tendo o PSD a não inviabilizar um governo do Partido Socialista. Mas deixe-me terminar, Carlos, porque é importante: o PS não governará se ficar em segundo no quadro de uma maioria de direita. Mas nesse cenário não criará nenhum impasse constitucional e por isso não apresentará nem viabilizará nenhuma moção de rejeição.”

Carlos Daniel “Num cenário de uma maioria de direita, é o que está a dizer?!”

Pedro Nuno Santos “Num cenário de maioria de direita em que o Partido Socialista fica em segundo, o Partido Socialista não apresentará nem viabilizará nenhuma moção de rejeição.”

Carlos Daniel “Mas num cenário de maioria [de direita], isso [moção de rejeição] também não seria porventura necessário. Está a incluir o Chega e por isso é essa a sua...”

Pedro Nuno Santos “O que eu estou a dizer é que, no caso de haver uma maioria de direita e o Partido Socialista ficar em segundo lugar, não inviabilizará [um governo da AD].”

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