"É muito difícil o PS viabilizar um governo minoritário da AD." Porquê? "Não é bom para a democracia", favorece "o Chega". Autor: Pedro Nuno Santos... há um mês

21 fev, 23:39
Pedro Nuno Santos no jantar de Natal do grupo parlamentar do PS (Lusa/Tiago Petinga)

Um mês depois, Pedro Nuno Santos disse num debate com Montenegro que viabiliza um governo minoritário da AD - não invocou qualquer questão de "ordem democrática" para não o fazer. No dia a seguir acrescentou uma adenda: disse que viabilizaria esse governo da AD desde que o PS não conseguisse formar uma maioria no Parlamento. No dia a seguir a esse revelou que se sentia "desobrigado" da promessa que fez no debate com Montenegro caso o PSD não viabilizasse um governo minoritário do PS. E nesse mesmo dia afirmou que foi "mal interpretado" por se achar que "desobrigado" é um recuo na promessa feita no debate com Montenegro - "desobrigado" não é isso, argumentou, "desobrigado" é ter "reciprocidade" do PSD. Todos estes dias acontecerem esta semana, à exceção do dia 25 de janeiro

Em entrevista à CNN Portugal, a 25 de janeiro, Pedro Nuno Santos assumia que seria "muito difícil o PS viabilizar um governo minoritário da AD", alegando razões de "ordem democrática". "Eu sempre fui adversário de termos o PS e o PSD comprometidos os dois com a mesma governação. Isso não é bom para a democracia porque a válvula de escape passam a ser partidos nos extremos, nomeadamente o partido populista, racista e xenófobo que é o Chega", argumentou.

Questionado na mesma entrevista sobre se o PS votaria ao lado do Chega caso o partido de André Ventura apresentasse uma moção de rejeição ao programa de governo da AD, Pedro Nuno Santos respondeu então que os socialistas não condicionam o seu voto "em função do voto dos outros partidos". Por isso, "teremos de esperar, faremos a nossa avaliação", completou.

No debate desta segunda-feira frente a Luís Montenegro, Pedro Nuno Santos assegurou que o PS “não viabilizará nem apresentará uma moção de rejeição se houver uma vitória da AD” nas eleições de 10 de março, sem se comprometer da mesma forma com um eventual primeiro orçamento. E manteve essa promessa mesmo depois de Montenegro não ter dito o que faria caso fosse o PS a vencer com maioria relativa.

Veja o momento em que Pedro Nuno Santos anuncia que "não apresentará nem viabilizará" uma moção de rejeição "se houver uma vitória da AD", a partir do minuto 04:00

Esta terça-feira, durante uma arruada em Beja, Pedro Nuno Santos acrescentou um pormenor às suas declarações anteriores, afirmando agora que só não inviabilizaria um governo minoritário da AD se o PS ganhar as eleições ou "se conseguir formar uma maioria" no parlamento. E exigiu à AD a mesma "clareza" sobre esta matéria. "O PS, por oposição à direita, que é uma bagunça, consegue liderar uma solução que garanta estabilidade", declarou, acusando Luís Montenegro de estar "sistematicamente" a "fugir" a esta questão.

Já esta quarta-feira, antes de uma iniciativa da CIP, no Porto, Pedro Nuno Santos acusou a AD de falta de "reciprocidade", razão pela qual disse que o PS se sente "desobrigado" de cumprir a promessa que fez durante o debate com Luís Montenegro. "O PSD continua a não dar ao PS aquilo que o PS garantiu e, por isso, nós sentimo-nos desobrigados. Ninguém pode impor ou exigir ao PS que faça aquilo que o PSD não está disponível para fazer", declarou.

Mais tarde, já à saída da mesma iniciativa, Pedro Nuno Santos quis esclarecer as afirmações anteriores, apontando que foi "mal interpretado"  quando afirmou que se sentia "desobrigado" de viabilizar um governo minoritário da AD. "Fui mal interpretado. Não retiro aquilo que eu disse [no debate de segunda-feira]. Agora, o que nós exigimos é reciprocidade", afirmou aos jornalistas, insistindo que o PS "exige e espera do PSD" a mesma clareza do PS nesta matéria. E assegurou que não vai apresentar nem inviabilizar "nenhuma moção de rejeição se o PS não ganhar ou não tiver maioria para apresentar". 

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