França volta às ruas sob forte presença policial. Protestos contra o custo de vida entram no quarto sábado consecutivo

CNN Portugal , TFP
Há 1h e 2min
manifestação frança
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O movimento, que começou nas escolas e se alargou aos trabalhadores, mantém a pressão sobre o Governo de Emmanuel Macron. Há manifestações proibidas, receios de novos confrontos e uma reunião com os sindicatos marcada para segunda-feira

A tensão voltou às ruas de França este sábado, com milhares de manifestantes mobilizados em várias cidades e um dispositivo de segurança que envolve 70 mil polícias e militares da Gendarmerie.

Em Paris, os primeiros manifestantes começaram a desfilar pouco depois das 14h00, entre as praças da República e da Nação, enquanto os chamados coletes amarelos desafiaram a proibição das autoridades e se concentraram na praça da Concórdia, a poucos metros da Assembleia Nacional e do Palácio do Eliseu. Segundo o jornal Le Monde, cerca de uma centena de pessoas juntou-se inicialmente na Concórdia, onde realizaram uma concentração sentada, sob vigilância policial. Alguns manifestantes foram sujeitos a controlos.

A imprensa francesa acompanha também relatos de tensão noutras cidades, num sábado em que as autoridades receiam a repetição dos confrontos e dos episódios de violência que marcaram as últimas semanas. Em Lyon, algumas centenas de pessoas concentraram-se junto à antiga fábrica de tabaco, apesar de não existir qualquer manifestação declarada naquele local.

A mobilização reúne sindicatos, estudantes, trabalhadores e movimentos de protesto contra o aumento do custo de vida, embora os coletes amarelos tenham decidido manter uma iniciativa independente. A coordenação do movimento apelou à desobediência em massa e anunciou ações por todo o país.

A polícia reforçou os controlos nas principais estações ferroviárias de Paris e encerrou várias estações de metro. Só durante a manhã, tinham sido realizados 847 controlos na capital e nos arredores.

O Governo mobilizou para este sábado o mesmo dispositivo utilizado nas manifestações anteriores, incluindo veículos blindados, canhões de água, helicópteros e drones. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, avisou na sexta-feira que o risco de violência continua a ser elevado e ordenou às autoridades locais que mantivessem a vigilância, sobretudo nos centros das cidades.

Em vários municípios, as prefeituras proibiram concentrações espontâneas, permitindo apenas os percursos previamente acordados com os organizadores.

O receio tem antecedentes recentes. A 17 de outubro, a primeira grande jornada nacional de protestos terminou com confrontos violentos, pilhagens e destruição de estabelecimentos comerciais. As manifestações prosseguiram nos sábados seguintes, a 24 e 31 de outubro, com novos incidentes.

Na quinta-feira, 5 de novembro, voltaram a registar-se confrontos em Rennes, Marselha, Nantes, Lyon e Bordéus. O Ministério do Interior contabilizou nesse dia 575 mil manifestantes, 448 detenções e 53 elementos das forças de segurança feridos. Os sindicatos apresentaram números de participação bastante superiores.

A atuação policial também está sob contestação. Advogados de pelo menos 18 pessoas feridas durante os protestos anunciaram a intenção de apresentar uma queixa contra Laurent Nuñez no Tribunal de Justiça da República, por alegados abusos das forças de segurança. Entre os casos está o de um adolescente que sofreu ferimentos graves no maxilar após ter sido atingido por um disparo de um lançador de granadas lacrimogéneas.

Emmanuel Macron tem defendido uma resposta mais dura aos grupos responsáveis pela violência, incluindo a proibição de determinados ajuntamentos quando exista risco para a ordem pública. O executivo pretende também reforçar o quadro legal de responsabilização dos autores de destruição de bens e alargar os poderes das autoridades para exigir a retirada de publicações que incitem à violência nas redes sociais, podendo chegar ao bloqueio de plataformas em determinadas circunstâncias.

As propostas, associadas ao projeto legislativo conhecido como casseurs-payeurs, ainda não constituem legislação definitivamente aprovada e suscitam críticas quanto às consequências para as liberdades públicas.

O Presidente francês reconheceu, contudo, que a contestação tem causas sociais e políticas, sobretudo entre os jovens e as famílias afetadas pela perda de poder de compra.

O movimento começou no final de setembro, com protestos de estudantes contra a falta de financiamento das escolas, e ganhou dimensão nacional com a adesão de trabalhadores e organizações sindicais, que exigem aumentos salariais e melhores serviços públicos.

A próxima tentativa de resposta política está marcada para segunda-feira. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, convocou os representantes dos sindicatos e das entidades patronais para uma conferência social dedicada aos salários e ao poder de compra.

Até lá, o Governo enfrenta mais um fim de semana de contestação, numa altura em que faltam menos de seis meses para as eleições presidenciais que determinarão o sucessor de Macron.

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