opinião
Jornalista,editor de Justiça

Quando o pior da raça humana veste farda

16 dez 2021, 19:10

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A revelação integral das imagens que ilustram factos de uma acusação pública, até aqui escondida no Tribunal de Odemira, está nos antípodas de qualquer exercício voyeurístico para consumo televisivo. É serviço público, do maior interesse, precisamente pela força das imagens, reais. Da prova irrefutável que a CNN e a TVI não podia esconder. São imagens que chocam e revoltam, sim, e ainda bem. Sinal de que alguma coisa ainda nos distingue dos animais. Um murro no estômago que todos, enquanto sociedade, merecemos e precisamos de levar. Para que ninguém diga que não viu, que não sabe. E que não sente vergonha pelo que também se passa no nosso país, que os políticos gostam de dizer que é “de acolhimento”. Quando a crueldade e o racismo puro, o pior da raça humana, no século XXI, vestem uma farda do Estado português.  

Quando sete cobardes da GNR se filmaram, e autoincriminaram, a sequestrar, humilhar, agredir, insultar e torturar imigrantes inocentes e especialmente vulneráveis, por diversão, prestaram um serviço involuntário ao país – expondo a realidade como ela é, nua e crua. Porque aquelas imagens, como o algodão, não mentem. É a verdade cristalina, a prova inequívoca, em estado puro. Quem as vê, com militares fardados, ao serviço do Estado, a cometerem as maiores atrocidades, por mera perversão, não tem, por uma vez, margem para aquela narrativa a que a obrigatória e essencial presunção de inocência sempre dá cobertura: de que tudo será falso, uma cabala, denúncias caluniosas para denegrir a imagem dos bons homens do posto, que servem o Estado e a segurança dos portugueses, com sacrifício e sentido do dever. No fundo, a palavra dos imigrantes “ilegais”, alguns apenas indocumentados por força das máfias que os exploram, contra a dos agentes da autoridade, que, em caso de dúvida, prevalece. Aqui, repito, felizmente não restam dúvidas. 

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Estou à vontade no tema porque abomino populismos baratos, de oportunistas que agitam a bandeira do racismo por tudo e por nada. Chefes de agremiações que, para justificarem a sua própria existência, incendeiam o espaço público de forma irresponsável e até revelam, aqui e ali, que, eles sim, são racistas. Portugal não é um país de racistas. A GNR, com mais de 20 mil homens e mulheres, não é seguramente uma instituição de racistas. Mas temos aqui um problema, que, desta vez, ninguém pode fingir que não viu.

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