Cria de tubarão-fantasma "muito rara" encontrada por cientistas

CNN , Jeevan Ravindran
24 fev, 08:00
Tubarão-fantasma

Cientistas descobriram um tubarão-fantasma recém-nascido na Nova Zelândia que poderá ajudar a aprofundar o conhecimento sobre esta criatura "misteriosa".

O tubarão-fantasma foi encontrado a uma profundidade de cerca de 1200 metros em Chatham Rise, uma área do fundo do oceano na costa este da Ilha Sul.

A descoberta "muito rara" foi feita durante uma investigação recente, divulgou o Instituto Nacional de Água e Pesquisa Atmosférica num comunicado de imprensa.

Um animal de águas profundas, o tubarão-fantasma é cientificamente conhecido como quimera e tem outros nomes, incluindo peixe-rato, peixe-espinho e peixe-coelho, de acordo com o Shark Trust. O tubarão-fantasma está fortemente ligado aos tubarões e às raias.

São peixes cartilaginosos - com esqueletos compostos principalmente de cartilagem - e os seus embriões crescem em cápsulas de ovos depositados no fundo do mar e alimentam-se da gema do ovo até eclodirem.

Brit Finucci, cientista de pesca que integrou a equipa que fez a descoberta, afirmou no comunicado de imprensa que o tubarão-fantasma era identificável como recém-nascido, porque ainda tinha a barriga cheia de gema de ovo.

“Na verdade, não sabemos muito sobre tubarões-fantasma”, afirmou o investigador à CNN na quinta-feira. "O que sabemos vem principalmente de espécimes adultos. Portanto, é muito raro e muito incomum encontrar crias de muitas destas espécies, por isso, fiquei bastante empolgado."

Cápsulas de ovo de tubarões-fantasma (Dr. Brit Finucci/NIWA)

Finucci acrescentou que, como a maioria dos tubarões-fantasma se encontram em águas profundas, eles são “bastante difíceis de alcançar” e afirmou que espera que a nova descoberta ajude a preencher algumas “lacunas biológicas”.

A espécie exata do tubarão-fantasma que a equipa descobriu ainda não é conhecida. Finucci explicou que novas espécies de tubarão-fantasma ainda estão a ser descobertas e que serão feitas medições e amostras genéticas para fins de identificação.

"Temos de perceber que espécie é esta", afirmou Finucci, acrescentando que os tubarões-fantasma são a "linhagem mais antiga" de peixes cartilaginosos. "Não temos a certeza do que vamos encontrar, o que também é bastante empolgante."

Graças à idade do espécime, os investigadores, agora, poderão compará-lo com o seu conhecimento de tubarões-fantasma adultos, tendo em conta as diferenças de habitat, dieta e aparência que Finucci afirma que podem surgir entre crias e adultos.

"Esperamos que esta descoberta nos dê mais informações sobre a biologia e a ecologia", acrescentou Finucci. "Daquilo que sabemos sobre as espécies mais bem estudadas, as crias podem ser muito diferentes dos adultos."

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