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Chéquia

A Neuralink de Elon Musk está à procura de uma segunda pessoa para testar o seu chip cerebral

CNN , Clare Duffy
23 mai, 09:00
Elon Musk (Justin Sullivan/Getty Images)

A startup de implantes cerebrais de Elon Musk, a Neuralink, está a aceitar candidaturas de participantes para um segundo ensaio com humanos ao seu dispositivo, disse o bilionário na rede social X.

O pedido surgiu cinco meses depois de a Neuralink ter implantado um chip cerebral no seu primeiro participante do ensaio com humanos, Noland Arbaugh, de 30 anos, e apenas uma semana depois de a empresa ter admitido que os cabos que ligavam o chip ao cérebro de Arbaugh terem desenvolvido um problema inesperado. A Neuralink disse que os cabos que ligam o chip ao cérebro de Arbaugh se retraíram, causando problemas na performance, apesar de a empresa ter dito que fez ajustes para melhorar o seu funcionamento.

Ainda assim, Arbaugh diz que o implante – que lhe permite controlar um cursor de computador com o cérebro – mudou a sua vida. Arbaugh é tetraplégico desde 2016 na sequência de um acidente de mergulho.

“Não tinha nada que me fizesse acordar de manhã e [o implante] mudou isso”, disse Arbaugh ao programa Good Morning America numa entrevista transmitida a 17 de maio. “Fiquei muito feliz por poder fazer parte de algo que considero tão monumental. Este é o próximo passo em frente para ajudar pessoas com paralisia.”

Agora, a Neuralink está à procura de mais pessoas como Arbaugh para testar os seus chips cerebrais. “Se for tetraplégico e quiser explorar novas formas de controlar o seu computador, convidamo-lo a participar no nosso ensaio clínico”, disse a empresa na X.

Em última instância, a ambição da Neuralink é usar implantes para conectar cérebros humanos a computadores para, por exemplo, ajudar pessoas paralisadas a controlar smartphones e computadores ou pessoas cegas a recuperar a visão. Tal como outros interfaces cérebro-máquina já existentes, o implante da empresa recolhe sinais elétricos enviados pelo cérebro e interpreta-os como ações.

Os participantes no ensaio em curso vão integrar o que a Neuralink chama de estudo PRIME, abreviatura de Precise Robotically Implanted Brain-Computador Interface. O intuito é estudar a segurança do seu implante e robô cirúrgico e testar a funcionalidade do seu dispositivo, disse a empresa numa publicação no seu blogue em 2023.

A empresa diz que está a aceitar doentes no ensaio que têm “capacidade limitada ou inexistente de usar as duas mãos devido a uma lesão na medula espinal cervical ou com esclerose lateral amiotrófica”.

Os doentes que participam no ensaio recebem chips cirurgicamente colocados na parte do cérebro que controla a intenção de movimento. O chip regista e envia sinais do cérebro para uma app, sendo o objetivo inicial o de “garantir às pessoas a capacidade de controlar o cursor ou o teclado de um computador usando apenas os seus pensamentos”, explicou anteriormente a Neuralink.

Cerca de um mês após a operação, Musk disse que Arbaugh conseguia controlar um rato de computador com o seu cérebro. Mais tarde, a Neuralink publicou um vídeo que mostrava Arbaugh a usar apenas o seu cérebro para jogar xadrez num computador.

Mas após o dispositivo ter desenvolvido um problema inesperado que afetou a velocidade de processamento de dados e o seu desempenho, Arbaugh disse ao Good Morning America que “chorou depois disso”.

“Foi muito, muito difícil abdicar de todas as coisas incríveis que era capaz de fazer”, adiantou.

Contudo, a Neuralink diz que o problema faz parte do seu processo de aprendizagem.

“A razão pela qual fazemos ensaios clínicos e ensaios de viabilidade precoce é para descobrir este tipo de problemas o mais cedo possível antes da comercialização”, disse ao Good Morning America DJ Seo, que cofundou a Neuralink com Musk. “Arregaçámos as mangas e descobrimos várias formas diferentes para que Noland pudesse recuperar o seu desempenho, o que conseguimos fazer com sucesso.”

Os consumidores não vão ter acesso generalizado a esta tecnologia tão cedo. Antes de os implantes cerebrais da Neuralink chegarem ao mercado em geral, precisam de uma aprovação regulamentar mais alargada.

– Jordan Valinsky da CNN contribuiu para este artigo.

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