Moldova expulsa dois estrangeiros disfarçados de turistas por tentativa de "desestabilização" e recolha de informações

28 fev 2023, 15:30
Protestos na Moldova (AP)

Os dois suspeitos estariam a tentar recolher informações em "escritórios governamentais e infraestruturas críticas", com o objetivo de provocar uma "mudança violenta da ordem constitucional"

Os serviços secretos da Moldova anunciaram esta segunda-feira que dois estrangeiros foram expulsos do país por suspeita de estarem envolvidos em "atividades subversivas" de "desestabilização", como a recolha de dados e informações.

Num comunicado publicado na página do Serviço de Informações e Segurança da Moldova, lê-se que os dois indivíduos se apresentaram como turistas para entrar no país. Apesar de "disfarçados", as autoridades suspeitam que os dois estrangeiros fossem "coordenados por um grupo de indivíduos ligados a uma rede conspiratória externa de tecnologia política e especialistas em engenharia social", com o objetivo de provocar uma "mudança violenta da ordem constitucional da República da Moldova". 

Durante a estadia na Moldova, e segundo o documento, os dois suspeitos procuraram informações em "vários locais próximos de escritórios governamentais e infraestruturas críticas", sendo também agentes ativos na monitorização e documentação do progresso social e político do país. Terão, ainda, "participado ativamente" em protestos organizados na capital Chisinau no domingo. 

As autoridades finalizam que os dois cidadãos estrangeiros foram convidados a abandonar a Moldova e que serão considerados personae non gratae por um período de 10 anos, por constituírem uma ameaça à segurança nacional.

Moldova já tinha reconhecido "atividades subversivas" com provável origem russa 

Apesar de o documento não mencionar a identidade ou a nacionalidade dos dois suspeitos, o modo de atuação relembra as acusações feitas pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e a presidente moldava Maia Sandu no início deste mês.

No dia 9 de fevereiro, Volodymyr Zelensky revelou ter tido conhecimento de um documento que detalhava planos dos serviços secretos russos para "destruir" a Moldova, de forma semelhante ao que tem ocorrido na Ucrânia. Segundo o chefe de Estado ucraniano, a tentativa de invasão russa da Moldova teria como objetivo "quebrar a democracia da Moldova e garantir o controlo" sobre o país. 

Em resposta, o Serviço de Informações e Segurança da Moldava confirmou ter recebido informações dos "parceiros ucranianos" sobre o alegado ataque. Acrescentou, ainda, que as próprias autoridades da Moldova tinham identificado "atividades subversivas, com o objetivo de abalar a República da Moldova, desestabilizar e violar a ordem pública" - acusações bastante semelhantes às agora imputadas aos dois cidadãos estrangeiros. Dias mais tarde, a presidente Maia Sandu acusou a Rússia de pretender usar "diversionistas com treino militar", disfarçados de civis, para organizar um golpe de Estado e afastar o governo pró-União Europeia. 

A Rússia, por outro lado, acusou a Ucrânia de preparar uma "invasão" da Transnístria, região separatista pró-Rússia na Moldova - informação que o governo moldavo se apressou a desmentir

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