Pizarro promete que obras no bloco de partos de Santa Maria vão começar em agosto e desvaloriza mudança para São Francisco Xavier: "A distância são 8 quilómetros..."

28 jun 2023, 14:42
Manuel Pizarro na Comissão parlamentar de Saúde (Tiago Petinga/Lusa)

Manuel Pizarro afirmou na Comissão Parlamentar de Saúde que o sistema rotativo das maternidades na região de Lisboa e Vale do Tejo está a dar resposta a todas as situações

"O que nós desejamos é que todas as maternidades públicas funcionem 24 horas em todos os dias. Mas não temos recursos humanos para tal", afirmou o ministro da Saúde, Manuel Pizarro, esta quarta-feira, na Comissão Parlamentar da Saúde, para justificar o funcionamento rotativo das maternidades na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Questionado pelos deputados dos vários grupos parlamentares sobre o sistema rotativo, a que se somam encerramentos temporários de algumas das maternidades da região de Lisboa, incluindo a do Hospital de Santa Maria, das Caldas da Rainha e de Santarém, o ministro garantiu que esta solução, não sendo perfeita, é a que demonstra ter melhores resultados: "Pretendemos que o sistema tire partido do funcionamento em rede, que garanta qualidade e segurança em cada uma das maternidades e previsibilidade em cada momento", disse Pizarro, sublinhando que nos seis meses de funcionamento deste modelo apenas foram identificados dois casos em que as coisas correram mal. "Mesmo quando a maternidade fecha, o hospital continua a ter um obstetra, para atender as utentes que estão internadas", sublinhou Pizarro.

O ministro não respondeu à questão de Joana Cordeiro, deputada da Iniciativa Liberal, que queria saber quantas grávidas, neste período, tiveram os seus filhos fora dos seus hospitais de referência. “Isto não pode ser encarado com ligeireza e não pode ser uma medida para o futuro”, declarou a deputada liberal.

Também não esclareceu as dúvidas levantadas pela deputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que por duas vezes afirmou que este sistema não só não garante a segurança das grávidas, uma vez que não assegura o acompanhamento da gravidez e do parto por uma equipa médica estável, como põe em causa "conquistas tão importantes como os planos de partos e todas as medidas contra a violência obstetrica".

Muitas questões foram também levantadas sobre as anunciadas obras no bloco de partos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. "Encerrar um bloco de partos por causa das obras antes das obras estarem adjudicadas não parece esquisito a ninguém, só a mim?", questionou Catarina Martins. 

"A informação que eu tenho é que as obras vão começar em agosto", respondeu o ministro, deixando escapar com alguma ironia: "Se os senhores deputados leram outra coisa nos jornais..."

Manuel Pizarro afirmou que "a realização destas obras é mesmo uma urgência" e reafirmou que "não há maneira de o bloco se manter em funcionamento com as obras a decorrer". "Felizmente existe em Lisboa uma outra maternidade que está sobredimensionada e que pode acolher este serviço, no Hospital de São Francisco Xavier.” Congratulou-se ainda por poder dizer que, “daqui a uns meses. a maternidade de Santa Maria estará em pleno funcionamento e com muito melhores condições, para as mulheres e para os seus filhos”.

"As mudanças são sempre perturbadoras, mas estamos a falar da mudança de sala de partos do Hospital de Santa Maria para o Hospital de São Francisco Xavier: a distância são 8 quilómetros", disse, desvalorizando as críticas.

Sobre a parceria com os privados, esclareceu: "O que nós fizemos com a contratação com o privado foi garantir que, não havendo uniformidade na realização dos partos, estamos aptos para responder a picos de procura", mas essa será sempre uma solução de recurso, afiançou.

O montante da obra no Hospital de Santa Maria que está em causa é de 6 milhões de euros, com "a ambição de criar a maior e mais moderna sala de partos do país".

Sobre as demissões no Hospital de Santa Maria, o ministro da Saúde disse que está acompanhar o caso com preocupação, mas que aguarda "que as partes se entendam", não se pronunciando sobre a “relação entre a administração e os profissionais”.

Por fim, Manuel Pizarro deixou uma palavra de elogio ao INEM. Nos últimos meses, o INEM atendeu 4.109 chamadas por dia e ativou 3.884 meios por dia. "O INEM é um grande serviço, e os portugueses devem muito aos seus profissionais. Funciona impecavelmente na esmagadora maioria dos casos" e, por isso, quando algum caso corre mal deve ser obviamente analisado mas deve ser encarado como um caso isolado, sublinhou o ministro.

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