Medvedev garante que Rússia pode usar armas nucleares e avisa que, se isso acontecer, a NATO não vai defender a Ucrânia

CNN Portugal , HCL
27 set, 18:58
Vladimir Putin e Dmitry Medvedev

Antigo presidente russo sublinhou que o Kremlin não está a fazer bluff relativamente ao uso de armas nucleares e que Putin pode mesmo responder se "a ameaça à Rússia exceder o limite de perigo estabelecido"

O antigo presidente russo, Dmitri Medvedev, voltou a lançar a ameaça, já feita por Putin este mês, de que a Rússia pode utilizar armas nucleares na Ucrânia, afirmando mesmo que, se tal acontecesse, a NATO não viria em auxílio de Kiev ou da Europa.

Dmitri Medvedev, que é agora o chefe do Conselho de Segurança, apontou o dedo aos líderes ocidentais, incluindo o presidente dos Estados Unidos e a primeira-ministra britânica, por "ameaçarem constantemente a Rússia com 'consequências aterradoras' se a Rússia utilizar armas nucleares", e acusou, inclusive, Liz Truss de estar "completamente pronta para iniciar imediatamente uma troca de ataques nucleares" com a Rússia.

Medvedev disse que as leis russas em torno do uso de armas nucleares significam que o Kremlin pode retaliar se for atingido com armas nucleares ou se for atacado com armas convencionais que ameacem "a própria existência do seu Estado". A Rússia também "fará tudo" para evitar que as armas nucleares surjam nos "vizinhos hostis", como a Ucrânia, garantiu Medvedev. 

"Se a ameaça à Rússia exceder o limite de perigo estabelecido, teremos de responder", avisou, acrescentando que essa resposta não vai contar com "a permissão de ninguém, sem longas consultas". E definitivamente "não é um bluff". Para além disso, afirmou o antigo presidente russo, se Putin decidir usar armas nucleares na Ucrânia, os "Estados membros da NATO vão colocar a sua própria segurança" à frente da proteção de "uma Ucrânia moribunda que ninguém precisa". 

As afirmações de Medvedev surgiram esta terça-feira na sua conta oficial de Telegram, o mesmo sítio onde já tinha lançado ameaças aquando de um contrato entre Kiev e Washington para o fornecimento de gás natural liquefeito. 

"Quem disse que a Ucrânia pode ainda estar nos mapas nos próximos dois anos?", escreveu então o atual presidente do Conselho de Segurança da Federação da Rússia. Na mesma mensagem, Medvedev acrescentava que para os Estados Unidos é indiferente perder fundos com empréstimos à Ucrânia porque, frisou, "os Estados Unidos já investiram muito no projeto anti-Rússia".

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