Há uma nova espécie: o macaco com lábios alaranjados

CNN , Jack Guy
17 jul, 14:20
O colobus congensis, conhecido localmente como likweli, tem uma marcante face preta, com lábios rosa-alaranjados (Junior Amboko)
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O colobus congensis, conhecido localmente como likweli, tem uma marcante face preta, com lábios rosa-alaranjados

Foi identificada na República Democrática do Congo uma nova espécie de macaco, com lábios alaranjados muito característicos e um guincho profundo.

O colobus congoensis, conhecido pela população local como likweli, é apenas a quinta nova espécie de macaco que os cientistas identificaram em África nos últimos 75 anos, segundo um estudo publicado esta semana na revista PLOS ONE.

Este macaco conta com uma brilhante pelagem preta, pelo comprido, uma cauda longa e marcas faciais marcantes em tons de laranja e creme, dizem os investigadores da Florida Atlantic University (FAU) e do City University of New York (CUNY) Graduate Center em comunicado.

Além disso, notam, a espécie possui “características cranianas, dentárias e esqueléticas distintas, que a diferenciam de todos os outros macacos colobus africanos que já eram conhecidos”.

São também mais pequenos do que os macacos da família colobus, pesando cerca de 6,8 quilos.

"Distinguem-se pela pelagem lisa e brilhante e pelas marcantes feições faciais, criadas pelos longos pelos pretos no rosto e pelas grandes orelhas dobradas", destaca a FAU.

“A descoberta do colobus congoensis reformula aquilo que sabemos em relação à evolução dos macacos africanos”, diz a autora do estudo, Kate Detwiler, que é professora associada de ciências biológicas no Charles E. Schmidt College of Science da FAU.

“O parente mais próximo que conhecemos é o colobus satanas, encontrado a mais de 1.200 quilómetros de distância, na região centro-oeste de África”, nota. “As evidências genéticas mostram, no entanto, que as duas espécies divergiram há cerca de quatro a cinco milhões de euros, marcando uma das divisões evolutivas mais antigas dentro da linhagem colobus”.

O processo de descrição da nova espécie começou em 2008, quando um macaco invulgar foi fotografado por investigadores que trabalhavam na região centro-leste da República Democrática do Congo. Dez anos depois, fizeram uma observação mais clara. Entre 2018 e 2022, registaram-se 114 avistamentos.

Além da anatomia e das observações de campo, os investigadores tiveram também de estudar a genética do macaco e de utilizar o conhecimento ecológico local para provar que se tratava de uma espécie nunca antes descrita.

Uma ilustração do colobus congensis, cujo nome comum é likweli, como é conhecido localmente (Kimio Honda)

“As provas têm de ser irrefutáveis quando uma nova espécie é descoberta”, diz o coautor Christopher Gilbert, professor de antropologia no CUNY Gradute Center e no Hunter College, num comunicado partilhado pela primeira instituição.

“Analisámos coleções de museus e conjuntos de dados comparativos, examinando crânios, peles e anatomias esqueléticas, comparando com espécimes de macacos colobus africanos já conhecidos”, explica. “Estas comparações permitiram-nos demonstrar, de uma forma conclusiva, que o colobus congoensis representa uma outra espécie”.

Existem, todavia, preocupações de conservação em relação ao likweli, uma vez que os avistamentos foram feitos numa área de aproximadamente 1.700 quilómetros quadrados.

“Os investigadores propõem que o colobus congoensis seja classificado como uma espécie em perigo de extinção devido à sua distribuição geográfica restrita, à perda de habitat e à pressão da caça”, refere o comunicado do CUNY. E acrescenta: “A maior parte do seu habitat conhecido está localizado dentro do Parque Nacional de Lomami, tornando a proteção da região crucial para a sobrevivência da espécie”.

“Raro e entusiasmante”

Alexander Georgiev, professor de primatologia na Bangor University, no País de Gales, que não participou no estudo, classifica a investigação como “muito completa e convincente”.

“Descobrir uma nova espécie de macaco, que não só é desconhecida pela ciência como também é pouco conhecida pelas pessoas que vivem onde ela existe, é algo muito raro e entusiasmante”, diz à CNN.

“Os autores do estudo relatam que apenas os residentes de oito das 52 aldeias visitadas que fazem fronteira com a área de distribuição desta nova espécie conseguiram fornecer informações sobre este primata a descrevê-lo”, nota Georgiev.

“Isto explica porque é que demorou tanto tempo para esta espécie ser documentada pela ciência”, junta.

“A floresta tropical congolesa, onde este primata vive, é vasta e há grandes partes dela que ainda não foram bem exploradas pelos cientistas”, conclui.

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