Telescópio "descontrolado" da NASA cai na Indonésia após quase 22 anos no espaço

Há 2h e 0min
Telescópio espacial Swift vai cair descontroladamente na Terra nas próximas semanas
Telescópio espacial Swift vai cair descontroladamente na Terra nas próximas semanas Foto: Goddard Space Flight Center/NASA

Swift, o telescópio que estudou as maiores explosões do Universo, reentrou na atmosfera de forma descontrolada e desintegrou-se sobre a ilha de Sumatra

O telescópio espacial Swift, da NASA, que durante quase 22 anos estudou as maiores explosões do Universo, reentrou esta quarta-feira de forma descontrolada na atmosfera terrestre sobre o norte da ilha indonésia de Sumatra, sem que tenham sido registados danos até ao momento, confirmou a Força Espacial dos Estados Unidos.

O observatório desintegrou-se durante a reentrada, que ocorreu às 12:39 de Lisboa.

A NASA tinha previsto que a maior parte do telescópio, com cerca de 1.450 quilos, se desintegrasse devido ao calor durante a descida, embora alguns dos seus componentes pudessem sobreviver à passagem pela atmosfera.

Antes da queda, a agência norte-americana tinha estimado uma em 2.100 a probabilidade de os destroços provocarem danos a terceiros.

Devido à inclinação da sua órbita, os destroços só poderiam cair entre os 20,6 graus de latitude norte e sul, uma faixa que circunda o planeta e que, no continente americano, se estende desde o centro do México até ao norte do Chile.

A Força Aeroespacial Colombiana (FAC) explicou na rede social X que o seu Centro de Operações Espaciais estava a acompanhar a trajetória do telescópio e a avaliar as possíveis zonas de reentrada, entre as quais figuravam a Colômbia e outros países próximos da linha do equador.

A queda tornou-se inevitável em agosto, quando a NASA e a empresa norte-americana Katalyst Space desistiram de tentar capturar o telescópio com a sua nave robótica LINK, lançada em julho, e de o impulsionar para uma órbita mais elevada.

Lançado em novembro de 2004 para uma missão de dois anos, o Swift observou mais de 2.000 explosões de raios gama, as mais potentes do cosmos, e mais de 1.400 supernovas, segundo a NASA. Os seus dados foram utilizados em cerca de 7.000 artigos científicos.

A rapidez com que conseguia apontar para fenómenos de curta duração permitiu-lhe registar, em 2005, pela primeira vez, o brilho de uma explosão curta, com apenas 0,03 segundos de duração. A observação veio apoiar a teoria de que estas explosões têm origem na fusão de duas estrelas de neutrões.

"O Swift deixa-nos um arquivo extraordinário de observações em vários comprimentos de onda, que irá impulsionar novas descobertas durante décadas", afirmou em outubro, num comunicado, Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA.

Esse arquivo público ocupa cerca de 12 terabytes e contém mais de 1,5 milhões de imagens. A NASA está agora à procura de formas de assegurar, através de outras missões, a capacidade do Swift de reagir rapidamente aos fenómenos cósmicos.

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