Swift, o telescópio que estudou as maiores explosões do Universo, reentrou na atmosfera de forma descontrolada e desintegrou-se sobre a ilha de Sumatra
O telescópio espacial Swift, da NASA, que durante quase 22 anos estudou as maiores explosões do Universo, reentrou esta quarta-feira de forma descontrolada na atmosfera terrestre sobre o norte da ilha indonésia de Sumatra, sem que tenham sido registados danos até ao momento, confirmou a Força Espacial dos Estados Unidos.
O observatório desintegrou-se durante a reentrada, que ocorreu às 12:39 de Lisboa.
A NASA tinha previsto que a maior parte do telescópio, com cerca de 1.450 quilos, se desintegrasse devido ao calor durante a descida, embora alguns dos seus componentes pudessem sobreviver à passagem pela atmosfera.
Antes da queda, a agência norte-americana tinha estimado uma em 2.100 a probabilidade de os destroços provocarem danos a terceiros.
Devido à inclinação da sua órbita, os destroços só poderiam cair entre os 20,6 graus de latitude norte e sul, uma faixa que circunda o planeta e que, no continente americano, se estende desde o centro do México até ao norte do Chile.
A Força Aeroespacial Colombiana (FAC) explicou na rede social X que o seu Centro de Operações Espaciais estava a acompanhar a trajetória do telescópio e a avaliar as possíveis zonas de reentrada, entre as quais figuravam a Colômbia e outros países próximos da linha do equador.
La Fuerza Aérea Colombiana realiza seguimiento a la reentrada del telescopio espacial Swift El Centro de Operaciones Espaciales (SpOC) de la Fuerza Aérea Colombiana (FAC) mantiene el seguimiento y monitoreo de la evolución orbital del telescopio espacial Neil Gehrels Swift, de la NASA, ante su próxima reentrada a la atmósfera terrestre. A través de sus capacidades de monitoreo y conocimiento de la situación espacial (Space Domain Awareness – SDA), el SpOC analiza la información orbital disponible, realiza el seguimiento de la trayectoria del objeto y evalúa las estimaciones de tiempo y las zonas potenciales de reentrada. Este telescopio, con una masa aproximada de 1.450 kilogramos y 22 años en órbita, tiene previsto reingresar a la atmósfera terrestre el 4 de noviembre, en una ventana de tiempo estimada entre la 1:00 a. m. y las 3:00 p. m., según las últimas predicciones. Debido a la inclinación de su órbita, las posibles zonas de reentrada se encuentran dentro de la franja comprendida entre los 20,6 grados de latitud norte y los 20,6 grados de latitud sur, región que incluye a Colombia y otros países cercanos a la línea ecuatorial. La NASA estima que la mayor parte del telescopio se desintegrará durante su ingreso a la atmósfera, aunque algunos de sus componentes podrían alcanzar la superficie terrestre. Ante este tipo de eventos, la FAC mantiene activas sus capacidades de monitoreo del entorno espacial y continúa fortaleciendo las capacidades nacionales para proteger los intereses y la seguridad del país. #AdAstra🚀
— Fuerza Aeroespacial Colombiana (@FuerzaAereaCol) November 4, 2026
A queda tornou-se inevitável em agosto, quando a NASA e a empresa norte-americana Katalyst Space desistiram de tentar capturar o telescópio com a sua nave robótica LINK, lançada em julho, e de o impulsionar para uma órbita mais elevada.
Lançado em novembro de 2004 para uma missão de dois anos, o Swift observou mais de 2.000 explosões de raios gama, as mais potentes do cosmos, e mais de 1.400 supernovas, segundo a NASA. Os seus dados foram utilizados em cerca de 7.000 artigos científicos.
A rapidez com que conseguia apontar para fenómenos de curta duração permitiu-lhe registar, em 2005, pela primeira vez, o brilho de uma explosão curta, com apenas 0,03 segundos de duração. A observação veio apoiar a teoria de que estas explosões têm origem na fusão de duas estrelas de neutrões.
"O Swift deixa-nos um arquivo extraordinário de observações em vários comprimentos de onda, que irá impulsionar novas descobertas durante décadas", afirmou em outubro, num comunicado, Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da NASA.
Esse arquivo público ocupa cerca de 12 terabytes e contém mais de 1,5 milhões de imagens. A NASA está agora à procura de formas de assegurar, através de outras missões, a capacidade do Swift de reagir rapidamente aos fenómenos cósmicos.