"Barbárie em Brasília": Lula da Silva condena invasão de "fascistas fanáticos" e decreta intervenção federal

8 jan, 21:05

Presidente brasileiro considera que houve falta de segurança em Brasília, facilitada pela Polícia Militar

"Uma barbárie em Brasília". Lula da Silva condenou a invasão "sem precedentes" às sedes dos três poderes do Brasil este domingo e decretou intervenção federal até 31 de janeiro, para conter o "comprometimento da ordem pública".

Considerando os responsáveis pela invasão (apoiantes radicais de Jair Bolsonaro) - como "fascistas fanáticos", o presidente brasileiro condenou as ações de "verdadeiros vândalos, que destruíram tudo o que encontraram pela frente" e fizeram "o que nunca foi feito na história deste país", deixando um aviso: "Vamos descobrir quem são os financiadores e as pessoas responsáveis serão encontradas e serão punidas. Todos eles pagarão com a força da lei".

"Achamos que houve falta de segurança", afirmou Lula da Silva.

Importa referir que foram divulgadas imagens de agentes da polícia militar a conversar e a tirar fotografias aos manifestantes, mostrando inatividade (e possível conivência) com os autores da invasão ao Congresso.

"Lamentavelmente quem tem de fazer a segurança do Distrito Federal é a polícia Militar, que não fez: houve incompetência, má vontade e má fé das pessoas que cuidam da segurança pública", afirmou o presidente brasileiro, acrescentando que esta "não é a primeira vez": "Vocês vão ver nas imagens que eles vão guiando as pessoas na caminhada até à parte dos três poderes". 

A intervenção federal decretada por Lula da Silva não engloba uma intervenção militar, mas sim a perda de autonomia das autoridades estaduais. Os poderes passam das instituições do Estado - neste caso o Distrito Federal, para o governo central. 

Mais de 400 detidos

Centenas de apoiantes do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro invadiram e vandalizaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), sedes do poder legislativo, executivo e judiciário, numa manifestação em que pedem uma intervenção militar para derrubar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma semana após a sua tomada de posse.

Os manifestantes avançaram e furaram as barreiras montadas pela polícia, com imagens dos invasores dentro do salão verde do Congresso, dentro e fora do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF), a serem divulgadas nas redes sociais

A polícia brasileira usou gás lacrimogéneo para tentar, sem sucesso, travar os manifestantes.

Mais de 400 manifestastes foram presos pelas forças de segurança no início da noite de domingo após os atos de vandalismo e destruição desta tarde. O número foi confirmado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, no Twitter: “Venho informar que mais de 400 pessoas já foram presas e pagarão pelos crimes cometidos. Continuamos a trabalhar para identificar todas as outras que participaram nesses atos terroristas na tarde de hoje no Distrito Federal. Seguimos trabalhando para que a ordem se restabeleça".

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