Keyla Brasil “consciente” e “orientada” após AVC na Tailândia. Família e amigos preocupados com falta de condições para recuperação em Portugal

18 set 2023, 18:20
Desaparecida há mais de três dias: Keyla Brasil recebeu ameaças de morte após intervenção em peça de teatro

Artista recorreu à Tailândia para uma cirurgia de redesignação sexual. Doze dias depois, sofreu um AVC. Está nos cuidados intensivos, com uma evolução “positiva”

A artista trans Keyla Brasil encontra-se “consciente, orientada e já com alguma autonomia ao nível da alimentação”. A atualização do estado de saúde foi feita pela associação Transparadise, que está a acompanhar o caso, depois de a atriz ter sofrido um AVC isquémico na Tailândia, país para onde rumou para se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo.

Keyla Brasil ficou conhecida por, no início deste ano, ter interrompido a peça “Tudo sobre a minha mãe”, no Teatro São Luiz, em protesto contra a escolha de um ator cisgénero para interpretar uma personagem transgénero.

Família e amigos de Keyla Brasil mostram-se agora preocupados com as condições para a sua recuperação em Portugal. A ativista continua nos cuidados intensivos, embora “estável”, com uma evolução “positiva”, descreve.

Tal descrição foi possível devido à ida de dois amigos de Keyla Brasil para Banguecoque, já que numa primeira fase existiam barreiras quanto ao estado de saúde e aos procedimentos a que estava a ser submetida. É explicado que os dois enviados têm levado a cabo conversas com representantes diplomáticos de Portugal e do Brasil na Tailândia e tratado também de burocracia associada ao internamento.

As preocupações com a recuperação começam no regresso a Portugal, mas também no acompanhamento médico e nas condições de alojamento, já que Keyla Brasil vivia numa caravana.

“Keyla necessita de um transporte especializado que contemple as necessidades específicas de saúde e bem-estar, garantindo a segurança e a manutenção do seu estado de saúde durante todo o trajeto”, descreve a associação Transparadise.

E acrescenta: “Keyla não terá autonomia para viver sozinha nos próximos meses. Irá necessitar de apoio para as suas tarefas diárias, desde a higiene à preparação de refeições.”

“Ainda está distante uma solução definitiva para a sua total recuperação” e “ainda é cedo para poder afirmar se, após esse período, haverá sequelas”, resumem.

A Transparadise, bem como outras organizações a trabalhar com a comunidade transgénero em Portugal, tem levado a cabo ações de angariação de fundos, com o intuito de cobrir as despesas médicas de Keyla, o seu acompanhamento bem como a preparação para os primeiros tempos de vida em Portugal após o regresso.

Keyla Brasil recorreu à Tailândia para uma cirurgia de redesignação sexual, que chegou a definir como um “sucesso” nas redes sociais. Contudo, 12 dias depois, sofreu um acidente vascular cerebral.

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