O banqueiro, a sua mulher e o motorista: de quem é a casa? Rendeiro dá a sua versão

Prédios em Campo de Ourique e terrenos rústicos em Aveiro passaram do ex-banqueiro para o pai do motorista. Como destino final acabaram por servir para comprar a casa onde Maria de Jesus Rendeiro cumpre pena domiciliária

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O antigo presidente do Banco Privado Português dá a sua versão do que está por detrás do apartamento onde atualmente vive Maria de Jesus Rendeiro, imóvel esse que está em nome do motorista de João Rendeiro. Esta versão é oposta à tese do Ministério Público, que investiga um caso em que existem suspeitas de branqueamento de capitais num esquema que teria como fim ocultar a fortuna o ex-banqueiro.

De acordo com o ex-banqueiro, em entrevista exclusiva à CNN Portugal feita em colaboração com o jornal Tal & Qual, o prédio foi vendido a Florêncio de Almeida, pai do motorista que atualmente é titular do imóvel.

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João Rendeiro garante que tudo começou em 2015, altura em que vendeu um conjunto de propriedades ao pai do motorista, cujo nome também é Florêncio de Almeida. O negócio dos prédios em Lisboa foi feito por 500 mil euros, um valor que o antigo banqueiro considera “adequado às circunstâncias em que os imóveis estavam”.

Três anos depois, em 2018, Florêncio de Almeida (pai) passou parte os imóveis para Florêncio de Almeida (filho), que os vendeu. Terá sido com o lucro dessa venda que o motorista de João Rendeiro comprou o apartamento de luxo na Quinta de Patino, onde atualmente Maria de Jesus Rendeiro se encontra em prisão domiciliária, por perigo de fuga, depois de ter sido sinalizada como suspeita de branqueamento de capitais e de descaminho, suspeitas que surgiram na sequência de buscas às casas de motorista e pai.

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Foi durante uma dessas buscas que a Polícia Judiciária terá recolhido indícios relacionados com sociedades offshores, em documentos que os inspetores acreditam que ajudarão a identificar o rasto de João Rendeiro.

Certo é que Florêncio de Almeida, filho do presidente da ANTRAL, fez um contrato de usufruto com Maria de Jesus Rendeiro, avaliado em 200 mil euros, e que tem vigência durante 15 anos. Acredita a investigação que pai e filho funcionaram como testa de ferro do ex-banqueiro, tendo já decorrido buscas às casas de ambos, em Alcáçovas.

No total, foram executados 14 mandados de busca: 11 buscas domiciliárias e 3 buscas não domiciliárias. O objetivo era recolher provas relacionadas com as práticas criminosas sob investigação.

Além de Alcáçovas, a operação desenvolveu-se em Lisboa, Oeiras e Estoril, contando com a participação de cerca de cinquenta inspetores e peritos da PJ.

As propriedades em questão são dois prédios na Rua Silva Carvalho, em Campo de Ourique, Lisboa, onde viviam os pais de João Rendeiro, e também dois terrenos rústicos na Murtosa, Aveiro.

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Sobre a polémica relacionada com o caso, João Rendeiro diz que um dos prédios foi vendido por 1,5 milhões de euros, dinheiro com o qual comprou o imóvel onde vive a mulher do ex-banqueiro, que custou 1.150.000 euros.

O meu motorista, pelos vistos não tem direito a ser uma pessoa normal”, afirma João Rendeiro à CNN Portugal.

Sobre a cedência do imóvel à mulher de João Rendeiro, o próprio antigo banqueiro diz que o motorista tem uma “completa explicação para a natureza das operações que foram feitas”.

“Não me compete a mim explicar as operações feitas a seguir a 2015, alguns detalhes nem sequer sei”, acrescentou.

Acredita a Justiça que João Rendeiro terá usado os Florêncio de Almeida para fazer circular o dinheiro. Em relação à casa, entende a investigação que o ex-banqueiro pretendeu garantir à mulher uma residência, residência essa que acabou por ser arrestada.

O antigo presidente do BPP, condenado no final de setembro a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada, está em parte incerta após ter fugido à justiça.

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O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, bem como processos relacionados com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancária.

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