Queiroz e a saída do Egito: «Um dia estarei lá para levar o meu dinheiro»

4 jul, 17:21
Carlos Queiroz no Costa do Marfim-Egito (Themba Hadebe/AP)

Treinador português arrasa responsáveis da federação, garante que não desaconselhou portugueses a treinar os faraós e fala em multa inexplicável

O treinador português Carlos Queiroz fez as suas primeiras revelações públicas após a saída da seleção do Egito em abril e garantiu que não pediu para sair, colocando a direção da Associação Egípcia de Futebol (EFA) e o seu presidente, Gamal Allam, no epicentro do motivo para a sua saída da equipa nacional.

«Não pedi para sair. Tudo o que eles fizeram fez-me sentir mal. Não é verdade dizer que eu queria sair, é verdade dizer que não posso e não preciso de trabalhar com essas pessoas, que não demonstraram respeito por mim, pela minha equipa e pelo nosso trabalho», assegurou Queiroz, em declarações ao jornal egípcio El Captain, publicadas no domingo.

Queiroz assegurou ainda que vai lutar pelos seus direitos, em alusão a uma multa de 25 mil dólares (23,9 mil euros) que lhe foi aplicada no salário por não ter comparecido à conferência de imprensa prévia ao jogo ante Marrocos, dos quartos de final da Taça das Nações Africanas de 2022, nos Camarões, num jogo realizado a 30 de janeiro.

«Eu vou estar lá um dia para tomar o meu direito, para levar o meu dinheiro cara a cara, de homem para homem», referiu Queiroz.

Na altura, a Confederação Africana de Futebol (CAF) multou a EFA em cerca de 95 mil euros pela ausência da seleção do Egito da conferência de imprensa. A EFA atribuiu então a falta de comparência de Queiroz e do futebolista Amr El Solia ao «congestionamento do trânsito e à opinião das forças de segurança que acompanhavam de que o autocarro dos jogadores devia ser primeiro deixado na residência da equipa» e que «não havia medidas de segurança suficientes para o veículo que supostamente levaria Queiroz e El Solia ao estádio».

Queiroz disse na altura que a multa era «injustificada e injusta» e a EFA era apenas obrigada a pagar metade do valor total, com os outros 50 por cento suspensos desde que nenhuma falta do género voltasse a acontecer durante a competição. Agora, e vendo-se também visado pessoalmente por essa falta por parte da então castigada EFA, Queiroz mostrou-se indignado.

«Peço que esclareçam a história dessa multa da CAF. Não tenho nada que ver com essa multa. Porque é que Gamal Allam e a EFA decidiram deduzir 25 mil dólares de mim? Porquê? Podemos esperar qualquer coisa da EFA, enviei-vos vídeos a explicar que não fui eu o motivo do atraso e um documento do antigo assessor da seleção a informar disso. Vergonha», referiu.

Por outro lado, Queiroz refutou relatos que deram conta, no Egito, de que o técnico português já terá desaconselhado outros portugueses a treinar a seleção dos faraós, tais como Rui Vitória – que tinha em estudo um convite – mas também Paulo Sousa.

«Acham realmente que eu não tenho mais nada para fazer na minha vida do que impedir que outros treinadores trabalhem no Egito? Tenho duas opções para todos. Primeira: se acredita que essa história é verdadeira, posso garantir que é estúpido. Segundo: se não acredita, é uma pessoa sábia porque entende que estão a tentar fazer com que passe por estúpido. Para todos, sintam-se à vontade para escolher uma das opções. Não impedi ninguém e não comuniquei com ninguém», disse Queiroz, que foi substituído por Ehab Galal, técnico que, porém, durou apenas dois meses no cargo, tendo saído a meio de junho. Recorde-se ainda que um dirigente da EFA referiu que Queiroz era um candidato a treinar de novo o Egito após a saída de Galal.

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