Finalmente conhecida a potencial origem da misteriosa hepatite aguda infantil

26 set, 09:38
Para já, não foram ainda reportados casos desta hepatite aguda em crianças em Portugal. (Pexels)

As suspeitas de que um adenovírus estaria na origem desta doença foram agora confirmadas por um grupo de cientistas britânicos. Mas a pandemia teve também impacto

A hepatite aguda infantil pode ter sido provocada pela combinação de dois vírus à partida inofensivos. Segundo dois estudos levados a cabo por cientistas britânicos, e que se encontram ainda em pré-publicação e à espera de revisão dos pares, a doença que afetou misteriosamente mais de mil crianças teve origem na associação entre o adenovírus tipo 41 e o vírus adeno-associado AAV2.

O adenovírus tipo 41 é um tipo de vírus que normalmente causa problemas gástricos e sintomas semelhantes à constipação, sendo, por norma, limitado nos sintomas e na duração dos mesmos. Já o vírus adeno-associado AAV2 faz parte de uma espécie de vírus do género Dependovirus e que necessita de um adenovírus para se replicar. Na prática, o AAV2 aliou-se ao adenovírus 41.

hipótese do adenovírus ser a causa foi colocada em cima da mesa no final de abril no Congresso de Microbiologia e Doenças Infeciosas, que decorreu em Lisboa. Meera Chand, que lidera o departamento de infecciologia da UK Health Security Agency, defendeu que uma estirpe do adenovírus denominada F41 seria a causa mais provável. Mas, na altura, os médicos mostraram-se céticos.

Segundo os investigadores britânicos, há um fator que parece ser determinante para que estes dois vírus inofensivos tenham resultado num surto de hepatite aguda infantil: a pandemia. Os investigadores acreditam que as restrições impostas e as medidas de mitigação levaram a uma menor circulação de agentes patogénicos e a um menor contacto das crianças com os mesmos, conta a Science. A teoria da diminuição das defesas imunitárias das crianças já tinha sido anteriormente apontada.

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas reuniram os dados recolhidos em análises feitas em crianças diagnosticadas com a hepatite aguda, tendo sido comum encontrar o AAV2 e adenovírus 41, situação que, segundo o El País, está também a verificar-se em Espanha, embora os investigadores defendam que esta descoberta não irá justificar todos os casos reportados.

A hepatite aguda infantil, que foi primeiramente notificada no Reino Unido, afetou 1010 crianças, levou à morte de 22 e 46 necessitaram de um transplante de fígado, segundo os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde. Ao todo, esta hepatite foi notificada em 35 países e foram notificados 17 casos suspeitos em Portugal.

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