Satélites detetaram dois navios 'fantasma' perto dos Nord Stream antes das fugas de gás - e a NATO já tem as imagens

14 nov, 18:23
Mancha provocada pela fuga de gás no Nord Stream (Forças Armadas da Dinamarca)

O Ocidente e a Rússia têm apontado o dedo um ao outro sobre este assunto, com ambos os lados a reclamarem terem provas de que as fugas se deveram a atos de “sabotagem” da parte do adversário

Dois navios 'fantasma' foram detetados perto dos gasodutos Nord Stream antes das fugas de gás, ocorridas no dia 26 de setembro, segundo dados de satélite agora divulgados.

De acordo com a empresa SpaceKnow, especializada na análise de dados recolhidos por satélites, dois navios, cada um medindo entre 95 e 130 metros, passaram junto aos locais das fugas, que libertaram cerca de 400 mil toneladas de metano para a atmosfera.

"Detetámos alguns “dark ships” (“navios escuros” numa tradução literal ou 'fantasma'), ou seja, embarcações de tamanho significativo, que passavam por essa área. Tinham os seus faróis desligados, o que significava que não havia informação sobre o seu movimento, e estavam a tentar manter a sua informação de localização e informação geral escondida", disse Jerry Javornicky, o CEO e cofundador da SpaceKnow, à revista WIRED.

O Ocidente e a Rússia têm apontado o dedo um ao outro sobre este assunto, com ambos os lados a reclamarem terem provas de que as fugas de gás se deveram a atos de “sabotagem” da parte do adversário geopolítico.

Assim que tomou conhecimento desta informação, a SpaceKnow enviou toda a documentação para a NATO que, de acordo com Javornicky, solicitou à empresa todos os dados de que dispunha sobre a ocorrência. A porta-voz da Aliança Atlântica, Oana Lungescu, não confirmou este desenvolvimento, mas, à WIRED, um oficial da NATO, sob anonimato, confirmou que a organização recebeu informações da SpaceKnow.

Para a deteção dos navios, Javornicky afirmou que a empresa utilizou 90 dias de imagens de satélite arquivadas. “Temos 38 algoritmos específicos que podem detetar equipamento militar”, contou. Ao todo, a SpaceKnow detetou 25 navios na zona em torno das fugas de gás, incluindo navios de carga. Destes, dois não tinham o Sistema de Identificação Automático (AIS, em inglês) ligado, dispositivo que os navios maiores são obrigados pelo direito internacional a instalar e utilizar.

"Não é prática comum [ter o AIS desligado], a menos que as embarcações tenham uma missão militar classificada ou tenham alguns objetivos clandestinos, porque o Mar Báltico é um dos mares mais movimentados do mundo em termos de tráfego comercial”, explicou o diretor da Baltic Security Foundation, Otto Tabuns, à publicação.

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