"O isolamento da Rússia na ONU é impressionante". Duas fotografias que ilustram o apoio de dezenas de diplomatas à Ucrânia

Agência Lusa , FMC
25 ago, 00:15
Diplomatas da ONU unem-se junto de diplomata ucraniano (Twitter de 
Sergiy Kyslytsya)

No dia que assinalam seis meses de guerra e que se comemora a independência da Ucrânia, o Conselho da ONU reuniu e reafirmou "o compromisso com a soberania e integridade territorial da Ucrânia"

Dezenas de diplomatas uniram-se esta quarta-feira em torno do embaixador ucraniano na ONU, num gesto de apoio quando se assinalam seis meses de guerra, enquanto o diplomata russo permaneceu sozinho, reforçando o isolamento da Rússia no plano internacional.

Em duas fotografias partilhadas esta quarta-feira pelo embaixador adjunto do Reino Unido nas Nações Unidas (ONU), na rede social Twitter, é possível ver ilustrado o isolamento russo naquele órgão.

Enquanto numa das imagens é possível ver o momento em que vários diplomatas rodearam o ucraniano Sergíy Kyslytsya, enquanto falava à imprensa junto à sala do Conselho de Segurança, numa outra fotografia vê-se o embaixador russo Vasily Nebenzya completamento sozinho a falar com jornalistas.

"Hoje [esta quarta-feira] fiquei junto com Sergíy Kyslytsya e 56 outros países para reafirmar o nosso compromisso com a soberania e integridade territorial da Ucrânia. O embaixador da Rússia ficou sozinho com as suas mentiras e desinformação", escreveu o diplomata do Reino Unido James Kariuki.

"Seis meses após a invasão ilegal, o isolamento da Rússia na ONU é impressionante", advogou Kariuki.

Desde o início da guerra, há precisamente seis meses, a ONU tem sido um dos palcos onde o isolamento da Rússia mais se tem notado.

O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se esta quarta-feira - num encontro solicitado pela Albânia, França, Irlanda, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos da América - para discutir a situação na Ucrânia, no momento em que se cumprem seis meses da ofensiva militar da Rússia no país, iniciada em 24 de fevereiro.

A reunião também coincide com o aniversário da independência da Ucrânia, declarada em 24 de agosto de 1991, pouco antes da dissolução formal da União Soviética, de que fazia parte.

A reunião contou com a participação de representantes diplomáticos e altos funcionários da ONU, entre eles o próprio secretário-geral, António Guterres, assim como o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que discursou por videoconferência.

Logo após o início da reunião, a Rússia (um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e com poder de veto) opôs-se à participação de Zelensky através de videoconferência, afirmando que esse formato contradiz os requisitos do protocolo do órgão.

"A reunião foi anunciada com uma semana de antecedência e o Presidente da Ucrânia teve todas as oportunidades de vir a Nova Iorque (cidade sede da ONU). Constantemente observamos Zelensky encontrando-se com delegações estrangeiras, circulando pelo país e até posando para revistas de moda", criticou o diplomata russo, Vasily Nebenzya, opondo-se à participação virtual.

A questão foi então submetida a uma votação processual, sendo que 13 dos 15 membros do Conselho de Segurança votaram a favor da participação de Zelensky.

A Rússia votou contra, enquanto a China absteve-se.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e quase sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções em todos os setores, da banca à energia e ao desporto.

Na guerra, que hoje entrou no seu 182.º dia, a ONU apresentou como confirmados 5.587 civis mortos e 7.890 feridos, sublinhando que os números reais são muito superiores e só serão conhecidos no final do conflito.

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