Estados Unidos e Rússia trocam sanções, com a Bielorrússia pelo meio

15 mar, 15:47
Joe Biden, presidente dos EUA, e o seu homólogo russo Vladimir Putin

Altas figuras de ambos os Estados já fazem parte das listas negras de cada país, e nem Joe Biden ou Vladimir Putin escapam

Sanções, sanções, sanções. Uma guerra paralela à guerra real, que já começa a colocar as principais figuras internacionais no centro. Esta terça-feira, a Rússia anunciou uma série de sanções a 13 personalidades norte-americanas, entre as quais estão o presidente dos Estados Unidos, o secretário de Estado e o diretor da CIA.

Em resposta a uma série de sanções sem precendentes, a partir de 15 de março, a lista russa inclui, na base da reciprocidade, o presidente Joe Biden, o secretário de Estado Antony Blinken, o secretário da Defesa Lloyd Austin e o diretor das Forças Armadas Mike Milley, bem como um número de chefes de departamentos e conhecidas figuras americanas.

A lista total de sanções foi partilhada pela agência estatal russa TASS, que fala em 13 pessoas:

  • Joe Biden, presidente dos Estados Unidos
  • Antony Blinken, secretário de Estado dos Estados Unidos
  • Lloyd Austin, secretário da Defesa dos Estados Unidos
  • Jake Sullivan, Conselheiro do presidente para a Segurança Nacional
  • William Burns, diretor CIA
  • Mark Milley, diretor das Forças Armadas
  • Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca
  • Duleep Singh, vice-conselheiro do presidente para a Segurança Nacional
  • Samantha Power, diretora da Agência Internacional de Desenvolvimento
  • Hunter Biden, filho do presidente Joe Biden
  • Hillary Clinton, antiga secretária de Estado dos Estados Unidos
  • Adewale Adeyemo, vice-secretária do Tesouro
  • Joe Lewis, presidente e diretor do conselho de administração do banco Reta

Segundo a TASS, as sanções agora aplicadas prevêem a proibição de entrada das pessoas visadas na Rússia. De resto, o governo russo promete alargar a lista em breve.

Ainda assim, o Ministério dos Negócios Estrangeiros garante que quer manter as relações com Washington, assegurando que vai fazer o necessário para manter os contactos de alto nível, mesmo com as pessoas presentes na lista.

Esta medida “é a consequência inevitável do curso extremamente russofóbico seguido pelo atual governo americano”, indicou a tutela.

Quase ao mesmo tempo, o Departamento do Tesouro divulgava uma nova lista de sanções dos Estados Unidos, cujo nome mais sonante nem é russo. Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia, vai ser alvo de sanções norte-americanas, e nem a mulher, Halina, vai escapar. O casal vê as propriedades e bens nos Estados Unidos congelados, sendo que todos os norte-americanos ficam proibidos de realizar transações com aquelas duas figuras.

“Isto demonstra que os Estados Unidos vão continuar a impor consequências significativas e concretas àqueles que se empenhem em corrupção ou estejam ligados a grosseiras violações dos direitos humanos”, afirmou Andrea Gacki, diretora do Gabinete de Controlo de Bens Estrangeiros, citada pela CNN, que fala numa condenação aos “ataques da Rússia aos corredores humanitários na Ucrânia”.

Do novo pacote de sanções divulgado pelo Departamento do Tesouro constam ainda outros cidadãos russos, incluindo um juiz. As sanções dizem respeito a um pacote que os Estados Unidos definiu como "Tesouro sanciona russos ligados a violações grosseiras dos direitos humanos e ao líder corrupto da Bielorrússia".

"Todas as propriedades e bens na propriedade das pessoas na lista que estejam nos Estados Unidos ou em posse ou controlo de norte-americanos estão bloqueados e devem ser relatados à Agência de Controlo de Ativos Estrangeiros", pode ler-se na lista de sanções, que agora foi atualizada.

As primeiras sanções norte-americanas ao regime russo foram aplicadas logo em 2014, na altura da anexação da península da Crimeia. A lista tem vindo a ser constantemente atualizada.

Vladimir Putin e alguns dos seus homens-fortes foram adicionados desde 24 de fevereiro, dia em que começou a invasão à Ucrânia. Entre esses nomes estão os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Sergei Lavrov e Sergei Shoigu, e também o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Foram ainda aplicadas várias sanções económicas a empresas e produtos russos, desde o fim da importação de marisco ou diamantes, às sanções aplicadas à alta finança russa.

A troca de sanções surge já depois de ter sido formalizado um quarto pacote de restrições da União Europeia à Rússia, e no mesmo dia em que o Reino Unido também alargou as sanções àquele país.

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