Não, "não há planos para termos tropas de combate da NATO" na Ucrânia

CNN Portugal , DCT
27 fev, 13:47
Soldados ucranianos disparam um canhão perto de Bakhmut, a 15 de maio de 2023. LIBKOS/AP

Eslováquia lançou a hipótese, França gostou mas rapidamente Macron ficou isolado. Pelo meio, o Kremlin fez um aviso

O secretário-geral da NATO disse à Associated Press que a Aliança Atlântica não planeia enviar tropas de combate para a Ucrânia. A resposta de Jens Stoltenberg surge depois de o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, ter afirmado segunda-feira que esse cenário estaria em cima da mesa e de França - pela voz do presidente Emmanuel Macron e do primeiro-ministro Gabriel Attal - ter revelado que não exclui o envio de tropas para o terreno.

Stoltenberg garantiu que “os aliados da NATO estão a fornecer um apoio sem precedentes à Ucrânia”, mas que esse apoio não passará pelo envio de soldados. “Temos fornecido esse apoio desde 2014 [data da anexação da Crimeia] e intensificado após a invasão em grande escala [em 2022]. Mas não há planos para tropas de combate da NATO no terreno na Ucrânia”, destacou, citado pela AP.

Apesar de ter sido o responsável por trazer o tema para debate público, Robert Fico disse que não planeia propor o envio de soldados eslovacos, até porque considera que isso seria um mote para a escalada do conflito, cenário que o próprio Kremlin já veio mostrar como possível.

“Neste caso [de envio de tropas para a Ucrânia], não precisamos falar sobre a probabilidade mas sobre a inevitabilidade de um conflito” mais alargado, disse esta terça-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

O primeiro-ministro demissionário António Costa foi dos primeiros a descartar essa hipótese, defendendo ainda segunda-feira que manter o apoio até agora dado à Ucrânia é a “melhor defesa” para o futuro. Já durante a manhã desta terça-feira, outros países disseram não estar dispostos a enviar soldados, como é o caso de Alemanha, Hungria, Polónia, Chéquia e Suécia.

O chanceler alemão Olaf Scholz explicou que foi discutido entre os aliados da Ucrânia “o que foi acordado desde o início” da guerra e que esse acordo “também se aplica ao futuro, ou seja, que não haverá tropas terrestres, nem soldados em solo ucraniano enviados por países europeus ou de Estados da NATO”.

O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, considerou até que o envio de tropas para a Ucrânia “não está na ordem do dia” e que, “por enquanto, estamos ocupados a enviar equipamento avançado para a Ucrânia [de diferentes formas]”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, também defendeu que a Hungria não está disposta a enviar armas ou tropas para a Ucrânia e que esta posição é “clara e sólida”. Antes, os primeiros-ministros da Chéquia e da Polónia, Petr Fiala e Donald Tusk, respetivamente, deixaram igualmente claro que nenhum dos dois países está a considerar enviar tropas para a Ucrânia.

De acordo com a Sky News, também o Reino Unido rejeita enviar tropas para o terreno. O porta-voz de Rishi Sunak diz que “não há planos” nesse sentido e que Londres vai continuar a ajudar a Ucrânia com treino, alimentos e equipamento. Também a porta-voz do Governo espanhol, Pilar Alegria, diz que o país não concorda com o envio de tropas europeias para a Ucrânia.

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