Nem tudo é um paraíso nas ilhas gregas: há falta de médicos e turistas a morrer por causa disso

15 ago 2023, 17:29
Ilhas Gregas (Pexels)

Mulher grávida morreu, assim como o bebé, após estar mais de cinco horas à espera de uma ambulância. Estava nos arredores da capital, Atenas. O problema é transversal a toda a Grécia

Fazem muitos sonhar, às vezes durante a vida inteira, com as suas paisagens de sonho. As centenas de ilhas gregas que são habitadas veem, por estes dias, a sua pequena população aumentar e muito. E isso torna evidente um problema: há falta de médicos para apoiar, em tempo útil, quem mais precisa.

Até agora, contam-se já pelo menos nove mortes que poderiam ter sido evitadas na Grécia neste verão. Uma delas é a de uma mulher de 19 anos, que estava grávida, e do filho que carregava. Esteve mais de cinco horas à espera e fez mais de 20 chamadas. Isto nos subúrbios da capital, Atenas, mostrando que o problema se faz sentir também na parte continental do país.

A falta de ambulâncias e médicos já se fazia sentir antes dos fortes incêndios que dominaram a atualidade deste país neste verão – obrigando inclusive à retirada de turistas de várias ilhas.

Nas ilhas, alguns dos hospitais não têm médicos de clínica geral de forma permanente, dependem de tarefeiros vindo da parte continental, com incentivos financeiros. Mas nem mesmo estes apoios convencem os profissionais, já que o custo de vida se tornou maior devido ao aumento do turismo.

(Pexels)

O Politico conta a história de uma mulher de 63 anos que, em junho, morreu na ilha de Kos, enquanto era transportada para o hospital na parte de trás de uma carrinha, já que a única ambulância da ilha estava ocupada noutra emergência. Kos tem uma população de 40 mil habitantes, mas chega a ter um milhão de pessoas no verão. Até tem três novas ambulâncias, mas os dez paramédicos ao serviço só conseguem garantir o funcionamento de uma.

Já em Lesbos, uma mulher de 78 anos perdeu a consciência enquanto nadava. Os paramédicos chegaram duas horas depois, mas o coração dela já tinha parado há muito.

Em várias ilhas dos arquipélagos de Ciclades e Dodecaneso nem sequer há uma ambulância disponível 24 horas por dia. E na capital, Atenas, existem apenas 50 ambulâncias, quando seriam necessárias 85 a 90.

“Temos de redesenhar o serviço de ambulâncias desde o início, porque há grandes falhas em todo o país”, afirmou Giorgos Mathiopoulos, presidente do serviço de ambulância de urgência ao Politico.

O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, reeleito em junho, prometeu reformar o serviço nacional de saúde, considerando esta reforma uma prioridade. Em causa estaria a contratação de dez mil novos trabalhadores, 800 condutores de ambulância e 250 paramédicos em motas - valores que os profissionais do setor dizem que só compensam as saídas recentes, não melhorando efetivamente os serviços.

(Pexels)

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