Em novembro de 2024, o Governo georgiano, que obteve o estatuto de país candidato à adesão à UE em 2023
A Geórgia, país do Cáucaso com aspirações euro-atlânticas, começou esta quinta-feira a debater a possibilidade de se tornar um Estado neutral, no âmbito do primeiro fórum dedicado ao tema, organizado pelo partido "Geórgia Neutral Unida", em Tbilisi.
"A Geórgia deve tornar-se uma verdadeira plataforma de paz e cooperação, e o seu estatuto de neutralidade será um caminho para a estabilidade a longo prazo e a prosperidade económica", declarou à imprensa o secretário-executivo do partido, Vajtang Shakarishvili.
Além dos representantes georgianos, o fórum conta com a participação de delegados dos Estados Unidos, da Arménia, do Irão, da Áustria e de outros países.
Um dos participantes no encontro, Larry Johnson, antigo funcionário do Departamento de Estado norte-americano e ex-analista da CIA, afirmou que "o Ocidente vê atualmente a Geórgia através de uma perspetiva antirrussa, tal como acontece com outros países do Sul do Cáucaso".
"A Geórgia deve determinar de forma independente o seu rumo, as suas prioridades externas e o seu lugar no mundo", afirmou durante o evento.
Em 2017, o partido Sonho Georgiano, no poder desde 2012, alterou o artigo 78.º da Constituição, obrigando os organismos estatais a "adotar todas as medidas necessárias para garantir a plena integração da Geórgia na UE e na NATO".
Em novembro de 2024, o Governo georgiano, que obteve o estatuto de país candidato à adesão à UE em 2023, anunciou que não iria solicitar a Bruxelas o início das negociações de adesão antes de 2028, para se preparar melhor para o processo.
A decisão provocou protestos em massa da oposição no país e críticas de Bruxelas, que acusa Tbilisi de "retrocesso democrático".
A Geórgia recebeu a promessa de uma futura adesão à NATO numa cimeira da Aliança realizada em Bucareste, em abril de 2008. Alguns meses depois, eclodiu a guerra entre georgianos e russos pelo controlo da região separatista da Ossétia do Sul.