Gabinete do presidente confirma que Moedas “suspendeu a reunião de câmara devido ao comportamento inapropriado de um vereador da oposição” que o acusou de ser mentiroso
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas (PSD), suspendeu a reunião do executivo, após uma discussão sobre o custo da limpeza do Rossio, no âmbito dos protestos pelo direito à habitação.
Segundo avançou à Lusa o vereador do BE, Ricardo Moreira, Carlos Moedas indicou que os custos de limpeza do Rossio, que tem sido palco de protestos pelo direito à habitação, já alcançaram os 150 mil euros, tendo o vereador bloquista e também o socialista Pedro Anastácio dito que não acreditavam naqueles valores e exigido mais dados à governação PSD/CDS-PP/IL.
De acordo com o BE, o presidente da CML disse que não aceitava que lhe chamassem mentiroso e suspendeu a reunião privada que começou às 09:30, nos Paços do Concelho, antes mesmo do início da ordem de trabalhos.
Contactada pela Lusa, a CML confirmou que Carlos Moedas “suspendeu a reunião de câmara devido ao comportamento inapropriado de um vereador da oposição”.
A reunião foi entretanto retomada, por volta das 11:30, sem a presença do presidente da CML, e foi votado um recurso da oposição, considerando que a suspensão não cumpriu o regimento da Câmara, ou seja, não seria possível fazê-lo pelas próprias regras da CML, que recebeu os votos contra dos vereadores da liderança PSD/CDS-PP/IL, que tem maioria, e os votos a favor dos restantes.
Em declarações enviadas à Lusa, o vereador do PS Pedro Anastácio considerou que “o presidente da Câmara Municipal tem - muito infelizmente - um grande problema com o escrutínio e não aguenta ser confrontado com as declarações que o próprio faz”, confundindo “escrutínio que é devido à cidade com ataques pessoais”.
O socialista vincou que “Carlos Moedas não consegue explicar os custos com a limpeza dos graffiti na estátua”, recordando que tinha dito inicialmente que era de cerca de 100 mil euros.
A sentença do Tribunal Administrativo de Lisboa, que deu razão a uma ação interposta por uma manifestante, considerou como “facto não provado” que a limpeza dos graffiti na estátua de Dom Pedro IV tenha tido aquele custo indicado pela CML.
Questionada pela Lusa sobre o custo da limpeza e quais os fatores que entram no seu cálculo, a CML respondeu que “o valor mencionado é referente à limpeza total da Praça D. Pedro IV (Rossio) e de toda a área envolvente”.
“São valores que compreendem todos os meios mobilizados (recursos humanos, viaturas e equipamentos) para aquele local, considerando o número de horas necessárias para garantir a limpeza geral de todo o espaço”, apontou a liderança camarária.
“[Carlos Moedas] está desconfortável por, mais uma vez, ter sido apanhar a mentir”, apontou Pedro Anastácio, acrescentando que o presidente da CML respondeu “como é costume: vitimizando-se, escondendo-se atrás dos serviços”.
O socialista vincou ainda que, enquanto vereador da oposição, a sua função é escrutinar o trabalho do presidente da Câmara.
“Se o senhor presidente me quer impedir de desempenhar essa função não é a mim que está a desrespeitar, está a desrespeitar todos os lisboetas. Continuarei a fazer o meu trabalho”, enfatizou o vereador do PS.