"Falei, só que não me deixaram. Tentei várias vezes": ministro da Habitação recebido por coro de protestos no Porto
Miguel Pinto Luz voltou a apelar ao diálogo, mas deixou a entender que a postura dos manifestantes não o está a permitir
Foi uma chegada conturbada a do ministro das Infraestruturas e Habitação à Câmara Municipal do Porto.
Com encontro marcado com os autarcas de Porto e Vila Nova de Gaia, Miguel Pinto Luz teve primeiro de passar pelos vários manifestantes que mantêm a acampada na cidade Invicta.
O governante afirmou que tentou falar, mas que os manifestantes “não deixaram”. “Não fujo a falar com as pessoas, estou aqui olhos nos olhos”, garantiu, sublinhando que o Governo mantém uma “postura de diálogo”.
Sempre entre gritos dos manifestantes, Miguel Pinto Luz reiterou que há já resultados de dois anos e meio de trabalho.
“Eu estou disponível para ouvir, se me quiserem ouvir. Nestas condições é impossível”, acrescentou, pedindo novamente espaço para o diálogo, mas para depois dizer que não havia condições para tal.
“Queremos ouvir, como já ouvimos”, continuou, frisando que os movimentos Porta a Porta e Vida Justa já foram recebidos, algo que continua a ser possível.
Ainda assim, e como “ouvir faz parte do diálogo democrático”, Miguel Pinto Luz pediu aos manifestantes, pelos quais assumiu nutrir empatia, que permitam a conversa entre as partes.
“Estamos disponíveis, todos”, concluiu, voltando a vincar que “torna-se muito difícil ter diálogo”, mesmo que o próprio tenha estado sempre em público, incluindo com uma entrada pela porta da frente do edifício - foi o próprio a dizer que “podia ter entrado por trás”.
“Falei, só que não me deixaram falar. Tentei várias vezes”, terminou, antes de seguir definitivamente para a entrada da Câmara Municipal do Porto, mas nunca sem que se deixassem de ouvir vários gritos a favor do direito à habitação.