O primeiro dia do G7: inflação, guerra na Ucrânia, China e um atípico momento de humor em cima da mesa

26 jun, 19:37

As sete nações mais industrializadas do mundo preparam-se para sancionar as importações de ouro provenientes da Rússia e combinam também um investimento de cerca de 570 mil milhões de euros para fazer frente à Nova Rota da Seda

“A Alemanha e os Estados Unidos vão sempre agir em conjunto quanto às questões de segurança na Ucrânia”, começou por dizer Olaf Scholz, este domingo, na primeira manhã da Cimeira do G7, que está a decorrer na Alemanha, nos Alpes da Baviera, e dura até terça-feira. O chanceler alemão é o anfitrião do encontro que tem como participantes Joe Biden, presidente dos EUA, Emmanuel Macron, presidente de França, Mario Draghi, primeiro-ministro de Itália, Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, Fumio Kishida, primeiro-ministro do Japão, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Charles Michel, presidente do Conselho Europeu.

A Cimeira tem como temas centrais a guerra na Ucrânia e as futuras sanções económicas a aplicar ao regime de Vladimir Putin, a inflação histórica que tem assolado o Ocidente, e a Nova Rota da Seda criada pela China.

“Estamos unidos pela nossa visão do mundo. Estamos também unidos pela nossa crença na democracia e no estado de direito”, disse o chanceler da Alemanha no lançamento da Cimeiro do G7.

Scholz considera que os ataques com rockets contra zonas residenciais em Kiev deste domingo deixam claro que Putin está a perpetuar uma guerra brutal contra a Ucrânia. “Isto mostra que é correto que nos mantenhamos juntos e ajudemos os ucranianos a defender o seu país, a sua democracia e também a sua liberdade e autodeterminação”, acrescentou o chanceler alemão.

Olaf Scholz manifestou a "preocupação compartilhada" pelo G7 face à situação económica global, sobretudo por culpa da subida da inflação e da crise energética, um dos principais efeitos colaterais da guerra na Ucrânia.

"Partilhamos esta preocupação", disse após a primeira sessão com todos os líderes presentes. Scholz sublinhou também "a confiança” que tem no grupo para transmitir ao resto do mundo “a mensagem necessária de coesão" face à situação criada pela "brutal agressão" lançada pelo presidente russo, Vladimir Putin, contra a Ucrânia.

G7 na Alemanha centrado na guerra na Ucrânia, inflação e na ascensão da economia chinesa (Imagem Getty)

A ameaça chinesa

Dos diálogos deste domingo, sai que o G7 quer avançar com um programa de investimentos para países em desenvolvimento e mobilizar 600 mil milhões de dólares (cerca de 570 mil milhões de euros), em resposta à Nova Rota da Seda da China, que tem como propósito propulsionar a economia chinesa, como foi explicado por Joe Biden.

"Com parceiros do G7, pretendemos mobilizar 600 mil milhões (cerca de 570 mil milhões de euros) de dólares até 2027 para investimentos globais em infraestruturas", disse a Casa Branca pouco antes do discurso de Joe Biden na apresentação da proposta à cimeira.

Ursula von der Leyen anunciou ainda que a União Europeia vai mobilizar 300 mil milhões de euros até 2027 em fundos para apoiar os esforços na criação das infraestruturas necessárias do setor público e privado, também como resposta ao projeto económico chinês.

Um inimigo comum

Quanto à guerra na Ucrânia, Joe Biden alerta que os aliados “têm de se manter unidos” contra a Rússia. Perante o “barbarismo” dos recentes ataques a Kiev, o presidente norte-americano realça que Putin contava que começassem a surgir divisões quer na NATO como no grupo do G7, mas que “tal não aconteceu nem vai acontecer”.

“Nós conseguiremos ultrapassar tudo isto e sair ainda mais fortes”, reiterou o presidente dos Estados Unidos.

O Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Japão vão proibir todas as importações de ouro russo. A França também já se mostrou disponível para apoiar o movimento que Boris Johnson explicou ter como propósito atingir de novo os oligarcas ligados ao regime de Putin. É que os milionários têm estado a investir em barras de ouro para contornar as sanções ocidentais.

“As medidas que anunciamos hoje vão atingir diretamente os oligarcas russo e atacar o coração da máquina de guerra de Putin”, referiu o primeiro-ministro britânico.

Apesar de concordar com a estratégia, Charles Michel pediu cuidados redobrados e cautelas nas sanções contra o ouro russo. “Estamos prontos para entrar em detalhes e parece possível sancionar o ouro de modo a que atinja a economia russa e não nos prejudique a nós”, disse o presidente do Conselho Europeu.

O primeiro-ministro italiano adiantou, por outro lado, que será necessário investir nas infraestruturas de transporte de gás nos países subdesenvolvidos. Mario Draghi anunciou que serão apresentados pelo G7 projetos de financiamento dedicados à energia e infraestruturas, justificando: “é evidente que a atual situação vai exigir, a curto-prazo, um grande investimento nas infraestruturas ligadas ao gás”.

“Depende de nós propulsionar um positivo e poderoso impulso de investimento para o mundo, de modo a mostrar aos nossos parceiros dos países em desenvolvimento que têm uma escolha e de que pretendemos avançar na direção da solidariedade para satisfazer as suas necessidades”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, corroborando o discurso de Mario Draghi.

Momento de humor: O que acontece quando um inglês, um canadiano e uma alemã se preparam para uma foto?

Houve ainda tempo para um momento de descontração, pouco comum neste tipo de encontros, quando os líderes do G7 aparentemente gozaram com a imagem de “força estereotipada” de Vladimir Putin durante o almoço no primeiro dia de cimeira na Alemanha, brincando sobre se deveriam despir-se em mangas de camisa - ou ainda menos, como relatou a AFP.

"Casacos vestidos? Casacos fora? Tiramos os nossos casacos?", perguntou Boris Johnson enquanto se sentava à mesa para a fotografia da praxe no pitoresco Castelo Elmau da Baviera, onde o Chanceler Olaf Scholz está a acolher a cimeira das sete economias mais poderosas. Ao que Justin Trudeau acrescentou: "Vamos exibir-nos a montar a cavalo sem camisa". Perante o humor britânico e canadiano, Ursula von der Leyen terá respondido: "a equitação é o melhor".
 

Putin monta cavalo em tronco nu e de óculos de sol. A fotografia foi captada em Kyzyl, no sul da Sibéria, a 3 de agosto de 2009 (Imagem Getty).

 

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