Torre Eiffel precisa de reparação total urgente. "Ferrugem está a corroer o monumento como as térmitas fazem na madeira"

5 jul, 18:58

Revista francesa diz que teve acesso a relatórios confidenciais que comprovam a degradação de um dos monumentos de Paris e um dos mais icónicos do mundo

“Em mau estado, enferrujada, vai a Torre Eiffel cair?”, a questão é colocada pela revista francesa Marianne, no título de uma publicação em que revela as informações que alegadamente constam em relatórios confidenciais, que alertam para o perigo que o icónico monumento francês se pode vir a tornar.

Os primeiros avisos oficiais sobre a infraestrutura situada em Paris remontam a 2010 e a Marianne assegura que tem cópias que relatam a extensão dos danos e alertam para várias falhas de manutenção.

A publicação dá como exemplo a pintura de que a Torre Eiffel está a ser alvo desde 2018 - que visa embelezar a infraestrutura para os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024 – e que diz ser “a reparação mais cara do século XX e a mais ineficiente em toda a história do monumento”.

 “Vimos a Notre-Dame arder, iremos agora ver a Torre Eiffel cair?”, pode ler-se na notícia da revista francesa Marianne.

De acordo com as fontes – não reveladas – da revista, a histórica infraestrutura está “em muito mau estado” e o nível de degradação tem vindo a aumentar há vários anos, sem qualquer intervenção ou reparo feito na estrutura.

Segundo os especialistas ouvidos pela revista francesa, é imperativo, em qualquer estrutura de metal, responder ao aparecimento de ferrugem aquando do seu surgimento. Mas passado quase século e meio, as fontes da Marianne temem que o monumento venha a sucumbir sob o próprio peso à semelhança do que acontece com um objeto de madeira que foi corroído por térmitas. 

“O mais importante seria responder ao surgimento da ferrugem. No entanto, 133 anos depois, em alguns sítios, a ferrugem venceu e está a corroer o ferro do monumento como as térmitas fazem na madeira”, apontam os especialistas sob anonimato.

“Se Gustave Eiffel visitasse o monumento desmaiava”

O monumento feito em ferro forjado tem 324 metros de altura, está localizado no coração de Paris e é um dos locais turísticos mais visitados do mundo, recebendo cerca de seis milhões de visitantes por ano. Qualquer desastre colocaria em causa vidas humanas, no entanto, “não é provável que caia amanhã de manhã, mas é verdade que não está nada bem”, alerta uma das fontes da revista Marianne, ironizando: “É muito simples, se o Gustave Eiffel visitasse o monumento desmaiava.”

Até ao momento, cerca de 30% da torre já deveria ter sido decapada e recebido duas camadas de tinta nova, mas os trabalhos atrasaram-se por causa da pandemia e por ter sido detetada a presença de chumbo na pintura antiga. Isto significa que, desde o início da operação de pintura em 2018, apenas 5% da estrutura foi recuperada, de acordo com a revista Marianne.

Encerrar a Torre Eiffel ao público poderia acelerar o processo de reparação, mas a empresa responsável pela exploração da Torre Eiffel está relutante em avançar para esta opção, uma vez que isso significaria que a receita turística seria perdida, diz a revista Marianne.

A empresa que supervisiona, assegura a manutenção, segurança e exploração turística da Torre Eiffel - a Société d'Exploitation de la Tour Eiffel (SETE) - recusou comentar esta notícia até ao momento.

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