Diretor da PJ Militar apanhado a alertar suspeitos de corrupção nas caçadas de Alcochete 

25 nov, 19:59

Francisco Vasconcelos foi exonerado do cargo em segredo e está atualmente no Estado Maior da Força Aérea

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O ex-diretor da unidade de investigação criminal da Polícia Judiciária Militar (PJM), coronel Francisco Vasconcelos, é suspeito de ter boicotado a investigação ao alegado esquema de corrupção relacionado com as caçadas no campo de tiro de Alcochete - alertando os próprios suspeitos, oficiais da Força Aérea, para o facto de estarem na mira da PJM, apurou a CNN Portugal. O caso, conforme a CNN revelou, passa por suspeitas de contrapartidas de empresários a militares. 

Francisco Vasconcelos, coronel oriundo da Força Aérea, estava em comissão de serviço na PJM. Em Junho passado, terá sido apanhado por subordinados - inspetores da PJM - a informar oficiais de que estavam sob investigação e de que iria ocorrer uma operação judicial, de buscas, que os visava. Essas buscas perderam todo o efeito de surpresa. O então diretor da PJM foi exonerado do cargo, em segredo.

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Atualmente está no Estado Maior da Força Aérea a aguardar o desenrolar de um processo em que já foi constituído arguido por crimes como favorecimento pessoal, prevaricação, obstrução à justiça ou violação de segredo de justiça.

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O caso surge na sequência de uma denúncia feita há meses, que colocou a PJM no rasto de um esquema antigo e recorrente no seio da Força Aérea, que tem a tutela sobre oito mil hectares em Alcochete. O caso já deu inclusive origem a buscas judiciais no Estado Maior da Força Aérea.

As caçadas com alto patrocínio militar ocorrem geralmente aos fins de semana, numa zona junto às reservas naturais dos estuários do Tejo e do Sado. A denúncia inicial apontava para a organização, validada pelos sucessivos coronéis que dirigem aquela unidade militar, de eventos de caça semiclandestinos junto a duas reservas naturais: os caçadores de fim de semana são empresários, acompanhados por generais e outras altas patentes das Forças Armadas, num espaço que já ganhou por exemplo o prémio de defesa nacional e ambiente.

Os eventos, conforme denunciado, incluem almoços de caça – repastos que juntam à mesa decisores das Forças Armadas e empresários que terão negócios com o Estado.

Há alegadamente um conhecimento alargado destas caçadas no universo militar, sendo distribuídas peças de caça por diferentes unidades da Força Aérea, como gesto de simpatia e de manutenção de bom ambiente, conforme foi denunciado. 

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Os pormenores foram considerados credíveis pela investigação do Ministério Público, a cargo do DIAP de Lisboa, que reúne indícios por crimes como corrupção ou favorecimento pessoal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou na tarde desta quinta-feira, 25 de novembro, a existência de um inquérito em curso sobre este caso. Em resposta escrita enviada à agência Lusa, a PGR adiantou apenas que o inquérito está a ser conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e que a investigação se encontra “sujeita a segredo de justiça”, sem revelar por agora mais informações sobre a notícia avançada pela CNN Portugal.

Também a PJM, através do porta-voz Marco Ermidas, indicou à Lusa que os suspeitos envolvidos são “militares e não militares”. Esta investigação já decorre “há mais de seis meses”, acrescentou, sem adiantar mais pormenores, alegando que “o processo se encontra em segredo de Justiça”.

Em reação à notícia da CNN Portugal, a Força Aérea Portuguesa afirma que as caçadas foram feitas para controlo populacional da espécie, e que tiveram a autorização do Instituto da Conservação da Natureza.

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Em comunicado, a Força Aérea reconheceu a existência de um processo de investigação em curso que levou a buscas no interior das suas instalações, em meados de junho.

Sobre este processo, afirma aquele ramo que está “empenhado e interessado na descoberta da verdade”, e que “colabora com as autoridades judiciárias na investigação” e, por o processo ainda estar em curso “não presta quaisquer declarações que a possam prejudicar”.

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