‘Bonnie & Clyde' portugueses condenados a nove anos de prisão por assaltos violentos a estações de serviço

Agência Lusa , BCE
5 jul, 18:13
Sidney Martins e Nélida Guerreiro (Guardia Civil)

O casal assaltou várias estações de serviço no Algarve, tendo ameaçado os funcionários com uma faca e uma pistola e sequestrado três deles

O Tribunal de Faro condenou esta sexta-feira a prisão efetiva um casal, o homem a nove anos e seis meses e a mulher a nove anos, por assaltos violentos no verão de 2022 a estações de serviço no Algarve.

Sidney Pereira e Nélida Alves, de 44 e 42 anos, foram condenados, em coautoria, por três crimes de roubo agravado, três crimes de sequestro, dois crimes de falsificação de documentos, um crime de dano simples e um crime de detenção de arma proibida.

O arguido foi também condenado por um crime de dano qualificado e a arguida por um crime de condução sem habilitação legal.

Os dois foram condenados por um total de 11 crimes cada, de cujo cúmulo jurídico resultaram penas de prisão efetiva de nove anos e seis meses para Sidney Pereira e de nove anos para Nélida Alves.

O casal foi absolvido de um crime de roubo agravado e o arguido absolvido de um crime de condução perigosa.

Os arguidos, apelidados pela imprensa de ‘Bonnie & Clyde’ portugueses, assaltaram várias estações de serviço no Algarve, tendo ameaçado os funcionários com uma faca e uma pistola, que se veio depois a apurar ser de alarme, e sequestrado três deles.

Na leitura do acórdão, a presidente do coletivo de juízes que julgou o caso considerou que os arguidos, ambos com antecedentes criminais, cometeram “crimes graves” que “puseram em causa a segurança das populações”, tendo sido valorado o depoimento das testemunhas, “ao encontro” do que foi sendo dito pelo casal, que admitiu os crimes, justificando-os com o consumo de drogas.

“Nem o alarme social demoveu os arguidos de, consecutivamente, colocarem em causa” a segurança das pessoas, disse a juíza, sobre factos ocorridos entre 25 de julho e 1 de agosto de 2022, em vários locais do Algarve, salientando que o tribunal “não sabe” se as notícias divulgadas na comunicação social “incentivaram” o casal à prática continuada de crimes.

O primeiro caso aconteceu na noite de 25 de julho, num posto de combustível em Estoi, Faro, e o segundo dois dias depois, também à noite, em Lagos, assalto em que o casal obrigou o funcionário do posto a seguir com eles na sua própria viatura após terem consumado o roubo.

Na noite de 27 de julho, a GNR e a PJ tentaram montar um cerco aos suspeitos numa estrada perto de Bensafrim, em Lagos, para detê-los, mas o casal conseguiu fugir.

Na noite de 1 de agosto, o casal realizou um novo assalto a um posto em Almancil, Loulé, tendo Sidney ameaçado duas funcionárias com a arma e falado em espanhol, enquanto Nélida empunhava uma faca.

O casal ordenou depois às funcionárias que se fechassem dentro da casa de banho durante quinze minutos e fugiu.

Sidney Pereira e Nélida Alves, que vão manter-se em prisão preventiva, foram ainda condenados a pagar, solidariamente, 1.000 euros a um cliente ferido com escoriações no caso de Estoi e 3.400 euros ao funcionário sequestrado no segundo caso.

A juíza pediu aos arguidos para que “alterem a conduta evidenciada há muitos anos”, que relacionou com o consumo de drogas, sublinhando que, “sem erradicarem essa dependência, não será possível integrarem-se na sociedade”.

O advogado de Sidney Pereira, Carvalhinho Correia, disse aos jornalistas que a pena aplicada ao arguido foi “razoável, adequada e justa”, e informou que, em relação ao seu cliente, não será apresentado recurso.

Depois dos assaltos no Algarve, o casal cruzou a fronteira para Espanha, em Ayamonte, onde prosseguiu os assaltos violentos a estações de serviço em Sevilha, Badajoz e Toledo, usando sempre o mesmo ‘modus operandi’ de intimidação dos funcionários com uma arma e uma faca.

Sidney e Nélida foram detidos em Zamora, em 13 de agosto de 2022, na sequência da denúncia de um cidadão que, ao reconhecer os suspeitos num centro comercial alertou a Guardia Civil.

Nessa altura, os suspeitos deslocavam-se num carro que tinham roubado em Madrid e foram presos quando jantavam no interior da viatura, tendo sido cercados por agentes da Polícia Nacional, que os deteve sem que oferecessem resistência.

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