Portugal, o favorito com marca cem por cento

18 jun, 11:21
Portugal-Islândia (Lusa/Miguel A. Lopes)

GRUPO F

Roberto Martinez irá realizar a primeira grande competição ao serviço da seleção portuguesa, mas está longe de ser novo nestas andanças. Já participou num Europeu (2020) e em dois Mundiais (2018 e 2022) ao leme da Bélgica.

No comando da equipa lusa obteve o apuramento para o Euro 2024 de forma direta e com uma campanha imaculada: 100 por cento de vitórias, melhor ataque e melhor defesa de todos os grupos. O espanhol foi, de resto, alternando entre o 3x4x3 e o 4x3x3: na qualificação adotou as duas em igual número de jogos.

Momento Ofensivo

Portugal tenta sempre sair apoiado desde trás, com paciência, sofrendo alguns riscos, uma vez que leva estas situações ao limite. A equipa posiciona-se no pontapé de baliza com os centrais abertos e o guarda-redes surge no espaço entre eles, de forma a aproveitar a valia de Diogo Costa neste capítulo. Na linha seguinte os dois laterais mais o médio defensivo, com os dois médios nas suas costas, e os três elementos da frente a esticar o bloco adversário.

Em terrenos mais adiantados, desenha-se uma linha de três, com os defesas centrais em conjunto com o médio mais recuado. A partir daí, há grande liberdade de movimentos. Na fase de criação vão alternando entre criar superioridade por dentro e através de combinações, chegar ao interior da área, ou procurar a variação de corredor para encontrar situações de um contra um no corredor contrário.

As zonas de finalização estão sempre muito povoadas: além do avançado, dos extremos e dos médios, é normal vermos um lateral chegar às proximidades da baliza.

Equipa portuguesa na primeira fase de construção, com a linha de quatro defesas e os médios com muita mobilidade
Ocupação de zonas de finalização, com muitos jogadores permite criar superioridades numéricas e posicionais

Momento Defensivo

A defender de forma mais organizada, Portugal posiciona-se num 4x1x4x1 em zona média-alta. O médio defensivo está sempre atento às coberturas ou, caso um dos centrais salte na pressão, à necessidade de baixar para a linha defensiva. Nesta fase, a pressão dos cinco homens da frente é intensa, procurando obrigar a equipa contrária a jogar para trás ou provocando mesmo o roubo de bola. Além dos jogadores mais adiantados, os dois laterais estão alerta, de forma a poderem avançar, aumentando o pressing, ou intercetar um passe.

Mais do que uma pressão muito intensa à primeira fase, a equipa destaca-se por tentar abafar a saída do adversário logo após o ganho da bola. Para isso, além de uma forte reação à perda, a seleção tira partido do posicionamento alto do seu bloco. Quando essa tentativa de reaver a posse falha, os centrais mais o médio defensivo – em especial Palhinha – oferecem segurança e retardam o avanço até à chegada dos médios e defesas laterais.

Organizados em bloco, defendem num 4x1x4x1 com as linhas próximas e o médio defensivo preparado para efetuar coberturas
Em zonas recuadas, quando o central sai a pressionar o portador da bola, o médio defensivo encaixa na linha defensiva

Jogador Destaque 

Bruno Fernandes. Desde o Mundial do Qatar, tem sido o jogador mais influente e em maior evidência da seleção portuguesa. Se no Manchester United - onde nem sempre é fácil manter um desempenho elevado pela instabilidade que vive o clube inglês - continua a apresentar bom rendimento, quando representa a seleção ainda consegue subir o nível. Se houvesse dúvidas da sua importância, basta analisar os números do apuramento para o Europeu: o único titular nos 10 jogos e participação direta em 14 dos 36 golos apontados: 6 golos e 8 assistências.

Jogador Promessa

Francisco Conceição. É difícil eleger uma possível revelação de uma das equipas favoritas e ainda mais complicado se torna no caso de Portugal, porque todos os jogadores são conhecidos pelo público em geral. Nesta situação, optámos por considerar elegíveis para esta categoria apenas os atletas que vão realizar a sua estreia numa grande competição: Gonçalo Inácio, João Neves, Pedro Neto e Francisco Conceição. Assim, a escolha acabou por recair no extremo do FC Porto, por ser quem tem menos estatuto, menos internacionalizações e pelo seu perfil. A posição que ocupa e a sua irreverência aumentam a probabilidade de poder causar alguma sensação, caso venha a ser utilizado.

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