Chéquia, a (quase) incógnita que chega de Leste

18 jun, 11:20
Chéquia

GRUPO F

O atual selecionador entrou em funções apenas no início de 2024, tendo a qualificação para o Europeu sido obtida sob a batuta de Jaroslav Šilhavý - que liderava a equipa desde 2018 e saiu para a seleção de Omã.

Ivan Hasek é um antigo internacional com uma carreira muito respeitável. Como treinador passou por clubes em diversos países e continentes, e encontra-se agora na segunda experiência de seleções – depois de ter estado no comando técnico do Líbano em 2021. Hasek realizou somente 2 jogos no banco da seleção checa, tendo atuado em sistemas táticos diferentes – 4x2x3x1 e 5x3x2.

Momento Ofensivo

A amostra sob as ordens Ivan Hasek é muito reduzida: apenas dois jogos realizados. Por isso, a descrição da forma de jogar vai dividir-se entre aspetos coletivos e aspetos individuais.

Na primeira fase organizam-se em algo próximo de um 3x2x3x2 com, os três centrais mais dois médios-centro, seguidos do médio mais ofensivo em linha com os alas e a dupla de avançados na frente. Saindo a jogar desde o guarda-redes, o central do meio ocupa uma posição mais neutra e sem grande intervenção. Realce para a qualidade na construção de Ladislav Krejčí – um canhoto que pode atuar como central ou médio defensivo.

Com a equipa a construir numa zona mais alta do campo, mantêm a estrutura, fazendo pequenos ajustes: a linha recuada está mais à largura e, por vezes, um dos avançados ocupa espaços entrelinhas junto do médio mais ofensivo. O trio que se perspetiva que inicie o torneio como titular no miolo do terreno – Soucek, Sadílek e Barák – é competente com bola, circula com qualidade e está sempre ligado à corrente, mas não é propriamente criativo. O virtuosismo depende de ações dos homens da frente – Schick e Hložek -, que têm qualidade para baixar e criar desequilíbrios no corredor central. A equipa ataca as zonas de finalização com muitos jogadores, com os médios e os alas a poderem-se juntar-se aos jogadores mais avançados.

Bloco médio de construção da seleção da Chéquia, com os médios próximos para serem eles os responsáveis pela definição dos ritmos de jogo e como a jogada deve prosseguir
Chegada a zonas de finalização com muitos jogadores: três jogadores na área e vários a aproximarem-se para uma segundo bola na entrada da área

Momento Defensivo

No pontapé de baliza adversário colocam três elementos a condicionar a saída de bola, mas o resto da equipa fica mais recuada perto da linha divisória do meio-campo. O trio que fica nas imediações da área, procura apenas limitar a construção contrária para os obrigar a jogar longo. Quando isso acontece, os checos, na maioria das vezes, levam vantagem porque têm jogadores muito fortes nos duelos.

Com a equipa em bloco-médio, organizam-se num 5x3x2, sendo que a linha de cinco se desfaz algumas vezes, porque tanto os alas como os centrais exteriores têm permissão para sair a acompanhar o jogador contrário. Estes desposicionamentos, mesmo que pensados, dão origem a possíveis espaços perigosos – em especial quando é o defesa central a avançar, a distância entre o central do meio e o ala tende a ser demasiado grande e pode ser aproveitada.

Equipa posicionada em 5x3x2, com os centrais sempre preparados para fechar as referências entrelinhas
Momento em que o central do lado direito é atraído na pressão entrelinhas, com o ala também num posicionamento alto e o espaço que se abre nas suas costas, sem cobertura

Jogador Destaque

Tomás Soucek. O capitão da seleção checa é um dos jogadores a atuar em campeonatos de maior nomeada – quinta temporada ao serviço do West Ham – e conta já com experiência nestes palcos. Junta a isso consistência e qualidade exibicional. É um médio muito fiável, sempre ligado ao jogo e que consegue contribuir nos dois lados do campo. Por último, vale a pena destacar que é um médio com golo – 10 nesta época -, fruto da sua capacidade no jogo aéreo.

Jogador Promessa

Adam Hložek. O jovem de 21 anos pode atuar como avançado ou a partir de uma ala. É a grande esperança do seu país, começou a atuar a nível sénior com apenas 16 anos e já foi internacional A por 30 ocasiões. Cumpriu a segunda época no Bayer Leverkusen, numa campanha de sonho para o clube alemão, tendo contribuído de forma direta para 12 golos (7G e 5A) em cerca de 1000 minutos. Rápido, de remate fácil, bom tecnicamente e no um contra um.

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