Dalot foi o melhor a jogar na posição de líbero-diagonalizado-entre-a-antevertical-pós-perpendicular (as notas aos jogadores - com António Silva em duplicado)

27 jun, 03:13
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GEÓRGIA 2-0 PORTUGAL || Portugal tornou-se das melhores seleções do Euro a preocupar os seus adeptos: pensámos que íamos para os oitavos de final bem vestidos de três vitórias e a cheirar a bom futebol mas vamos para a fase a eliminar com futebol por passar a ferro e com o desodorizante Martínez a deixar manchas na nossa confiança - e isso reflete-se na avaliação que fizemos dos nossos jogadores, há aqui notas com mau odor

sugestão de leitura adicional Não precisamos de ter medo de dizer que Martínez nos mete medo

 

AS NOTAS DOS JOGADORES
 

DIOGO COSTA

(Pedro Falardo) 5   Quando os que estão à frente dele não jogam nada é muito difícil fazer alguma coisa. Fez o que pôde e quase defendeu o penálti de Mikautadze. Dou-lhe um 5 por pena.

(Germano Oliveira) 3  Não fez uma defesa e sofreu dois golos, o que é um resumo cruel, mas há um resumo benigno: afinal o Diogo teve pela frente o melhor em campo da Geórgia, António Silva, e isso prejudica bastante a confiança de quem tem de defender uma baliza, nunca se sabe como é que o António Silva a vai atacar. 


ANTÓNIO SILVA
(ver nota adicional no fim destas notas)

(Pedro Falardo) 0 → Vou guardar as minhas palavras para a secção “o pior do jogo”. Queria dizer algumas asneiras mas o Germano, meu chefe, não me deixa escrevê-las.

(Germano Oliveira) ?  Fez uma das melhores pré-assistências para golo neste Euro, muito bem na maneira como descobriu Mikautadze em excelente posição logo ao minuto dois - e Mikautadze correspondeu: progrediu com bola e depois assistiu Kvaratskhelia, golo da Geórgia, mas deu para descobrir nesse lance que o ambiente dentro da equipa georgiana não é muito bom, Mikautadze e Kvaratskhelia não abraçaram António Silva nos festejos, ficou-lhes mal. Mas António Silva não se foi abaixo: aos 21 minutos Portugal beneficia de uma bola parada, João Félix cruza para a pequena área checa mas António Silva, um dos 12 da Geórgia, aparece a tirar a bola de Ronaldo, que estava em condições de cabecear para golo, e assim António Silva tornava-se o melhor em campo da Geórgia até àquele momento. Entretanto António Silva acabou por mudar de equipa aos 43 minutos, quando Chakvetadze se atirou para cima do próprio António Silva e obrigou o árbitro a assinalar essa agressão entre dois companheiros de equipa - aí António Silva atingiu o limite, mau ambiente aguenta-se mas pancada entre companheiros de equipa é coisa de gente sem educação. António Silva passou então a jogar definitiva e exclusivamente por Portugal e saiu-se menos bem: fez um penálti aos 53 minutos e foi substituído logo a seguir - discordamos desta decisão de Roberto Martínez, que castigou o jogador logo ao primeiro erro.


DANILO

(Pedro Falardo) 4 → Quase capou o queixo de Kvaratskhelia na primeira parte e não se mostrou particularmente entrosado com os colegas de defesa. Vale mais que o que mostrou.

(Germano Oliveira) 4   Jogou com Gonçalo Inácio num esquema de dois centrais montado para travar António Silva, é sabido que não era uma tarefa fácil mas Danilo mostrou-se particularmente insuficiente - afinal Danilo treina-se com Mbappé, pensámos que era mais capaz de travar avançados com a imprevisibilidade de Kvaratskhelia e sobretudo de António Silva.


GONÇALO INÁCIO

(Pedro Falardo) 4 → É um dia mais ou menos feliz para Gonçalo Inácio, que se vê poupado ao fogo dos adeptos benfiquistas, que estão com pouca moral para apontar defeitos ao central do Sporting depois disto que aconteceu.

(Germano Oliveira) 3  Tem essa capacidade tão rara de ver o que mais ninguém consegue no jogo, como quando aos 15 minutos faz um passe para a esquerda onde não está absolutamente ninguém a não ser quem Gonçalo Inácio imaginou - a bola saiu simplesmente pela linha lateral, a seguir o realizador mostra Roberto Martínez a fazer o gesto de abrir uma maçaneta, depois o treinador faz um nove com os dedos, volta a mexer na maçaneta, faz outras coisas com as mãos também ela imaginárias e Gonçalo Inácio, ainda que seja capaz de ver além de nós, não consegue ir tão longe como Roberto Martínez e desistiu de compreender o técnico e o jogo.


DIOGO DALOT

(Pedro Falardo) 5  Não foi particularmente bom, nem particularmente mau. Fez um grande remate para uma também grande defesa de Mamardashvili, que infelizmente não entrou para as estatísticas.

(Germano Oliveira) 6  Atuou na mesma zona do avançado georgiano António Silva e por isso Dalot foi vítima dessa proximidade, tal como Diogo Costa e Danilo (Gonçalo Inácio não foi afetado porque estava a imaginar este jogo sem António Silva em campo, o resultado ficava 0-0). Dalot tem dois dos lances de maior perigo de Portugal mas um deles nem sequer contou: aos 54 minutos faz um daqueles remates muito dalotianos, hábeis e potentes, em arco e enquadrados com o golo, mas Mamardashvili faz uma daquelas defesas muito mamardashvilianas (minha nossa!), que é o mesmo que dizer uma daquelas defesas à inspetor Gadget - o corpo do guarda-redes georgiano estende-se como se houvesse molas dentro dele, a UEFA devia proibir isso, mas tudo isto foi anulado porque uns segundos antes António Silva tinha feito uma falta que o árbitro não viu mas o VAR sim, penálti, o inspetor Gadget deixou de fazer parte da ata de jogo; mas aos 94 minutos, quando já não contava para nada, houve outro dalotianos vs. mamardashvilianas e o vencedor foi o mesmo, daí o 2-0 final. No meio disto tudo: Nélson Semedo entrou na segunda parte e nós pensámos que era para o lugar do Dalot mas não, ficaram ambos em campo, aos 74 minutos alguém pergunta aqui na redação "o Dalot está a jogar em que posição?", responderam "não sei" mas afinal veio a descobrir-se que Nélson Semedo ficou a lateral e Dalot subiu para líbero-diagonalizado-entre-a-antevertical-automédia-neoavançada-pós-perpendicular-como-falso-nove-maçaneta, que é a posição em que Roberto Martínez queria pôr Gonçalo Inácio ou outro qualquer a jogar mas que só Dalot entendeu - acha ele. Já os outros jogadores, que têm menos estudos que Dalot, só perceberam o que Martínez queria dizer com a maçaneta quando abriram a porta do quarto para dormir, Martínez é um treinador que leva a metáfora tática ao limite.


JOÃO PALHINHA

(Pedro Falardo) 5  João Maria Lobo Alves Palhares Costa Palhinha Gonçalves é um nome quase tão grande como a incompetência demonstrada pela seleção contra a Geórgia.

(Germano Oliveira) 5  Palhinha fez 55 passes nos 90 minutos que leva neste Euro e só falhou dois (no jogo com a Turquia teve 22 passes feitos e todos acertados, com a Geórgia são 33 passes e dois errados), dá 97% de eficácia, parecido com isto só João Neves (67 passes feitos, quatro falhados, 97%) - e Palhinha tem 11 passes para trás, nenhum falhado, João Neves 17 para trás, falhou um. Palhinha não é portanto uma vítima da proximidade com António Silva mas sim da proximidade com Roberto Martínez: Palhinha passou de uma espécie de indiscutível na fase de apuramento para suplente com a Chéquia e a seguir para substituível ao intervalo com a Turquia e a Geórgia - tudo porque tem um cartão amarelo e pode falhar o jogo seguinte se vir outro. Se Roberto Martínez faz essa gestão de amarelos é porque Palhinha é supostamente importante mas depois Palhinha é tratado como descartável - pena Palhinha não ser maçom, já se sabe que isso abre sempre muitas portas e descobrimos esta noite como Roberto Martínez aprecia maçanetas.


JOÃO NEVES

(Pedro Falardo) 4  Tenho pena do jovem do Benfica, merecia jogar com um 11 um bocadinho mais entrosado. Apesar disso, não foi particularmente ativo.

(Germano Oliveira) 5  Foi visto à direita, à esquerda, ao meio, à frente, atrás, foi visto em todo o sítio, é excelente para alguém do tamanho dele conseguir ser visto tantas vezes, João Neves está certamente a viver acima das capacidades da sua altura mas não está a usufruir das capacidades todas do seu futebol: está muito forte nos passes para o lado e para trás mas a seleção precisa de ser levada para a frente, nisso de entender qual é a direção certa do futebol João Neves tem mais de Roberto Martínez e menos de Vitinha.


PEDRO NETO

(Pedro Falardo) 1  Entrou para o lugar de um jogador que foi suspenso por simular duas vezes e decidiu fazer-lhe um tributo, atirando-se para o chão de forma patética ainda durante o primeiro tempo. Vale muito mais que isto. Não leva 0 porque não foi tão mau como António Silva.

(Germano Oliveira) 4  Quase marcou de canto direto, envolveu-se num canto curto que criou perigo e isso é um acontecimento no jogo de Portugal: afinal conseguimos explorar bolas paradas, contra a Chéquia tivemos 13 cantos em que só explorámos o desperdício - em 13 cantos tem de haver pelo menos um que resulte em qualquer coisa, nem que seja no Ronaldo a queixar-se de que é penálti. Contra a Geórgia foram 11 cantos melhores que os 13 contra os checos e pelo menos esta maçaneta das bolas paradas parece que está a abrir melhor e o Neto está associado a isso. No demais, o Neto associou-se ao pior do Rafael Leão, atirou-se para o chão e viu e bem um amarelo por simulação, o Falardo já falou sobre isso; o Neto associou-se ao que já tinha feito diante da Turquia, que é beneficiar de jogadas boas criadas por ele ou para ele mas que ele sabota porque é um jogador complicativo - o que faz de Neto o jogador mais parecido com o seu treinador.


JOÃO FÉLIX

(Pedro Falardo) 5 Tentou fazer alguma coisa para mudar o rumo dos acontecimentos, ainda que apenas menos de uma mão cheia de vezes. Fiquei possuído quando a realização não mostrou uma repetição daquela finta excelente no final da primeira parte. Queria ver alguma coisa de jeito feita por um jogador português.

(Germano Oliveira) 6  Tal como o outro João, este também andou à esquerda, à direita, ao meio, na diagonal, só não foi tão lá atrás como o João Neves porque o Félix é feito para o último terço do terreno - e esta maneira vagabunda como jogou, uma espécie de Bernardo com as devidas diferenças mas com muito talento também, funcionou assim-assim, o que no contexto deste jogo faz dele um dos melhores de Portugal: três remates, falhou apenas seis dos 67 passes que fez (91% de eficácia), acertou todos os passes longos (cinco); por outro lado, metade dos passes que falhou é a metade mais fácil - os passes curtos e os passes para trás, o que mostra como o futebol do Félix é melhor quando arrisca, quando se vira para frente, mas isso não serve uma equipa que o treinador virou para um lado que ainda não sabemos bem qual é. 


CRISTIANO RONALDO

(Pedro Falardo) 2  Contra a Chéquia tivemos o Ronaldo ausente, contra a Turquia tivemos o Ronaldo solidário e contra a Geórgia tivemos o Ronaldo chato. Tem razão, sofreu penálti, mas teve reações não dignas de um capitão, particularmente quando saiu. Em campo, salva-se a enorme sarda num livre aos 16 minutos.

(Germano Oliveira) 3  Está desesperado por um golo, merece-o certamente pela carreira que teve mas não pode ser à custa da harmonia da equipa, se Ronaldo não fosse Ronaldo seria provavelmente suplente hoje. Mas como Ronaldo não resiste a ser Ronaldo voltou a parecer o melhor do mundo a comportar-se como um adolescente: saiu de campo a dar pontapés imaginários em coisas que só ele e Gonçalo Inácio conseguem saber o que é e é tão desnecessário como evitável ver o nosso melhor de sempre metido nestas coisas. Viu amarelo aos 28 minutos porque achou que sofreu penálti, reagiu com grande elegância ao facto de o árbitro ter entendido de maneira diferente: "vai para o cara**o, pá", disse Ronaldo a Sandro Schärerm, que é suíço - portanto habituado a emigrantes portugueses, o que faz deste um árbitro capaz de resolver o enigma dos asteriscos que eu acabei de criar.


FRANCISCO CONCEIÇÃO

(Pedro Falardo) 5 → Tal como Félix, também tentou fazer alguma coisa para quebrar o bloco baixo da Geórgia, mas as brasas não se espalharam como poderiam. Pena.

(Germano Oliveira) 5  Excelente jogada individual aos 10 minutos a rasgar a defesa georgiana mas acabou com Francisco caído no relvado: em movimento normal pareceu ter sido travado em falta, na repetição tivemos a certeza de que se atirou - o que faz de Francisco Conceição um estudioso das quedas renascentistas de Pedro VinciNeto e de Rafael Leãonardo. Ronaldo foi levantar Francisco do chão, não porque Ronaldo estivesse preocupado com Francisco mas porque Ronaldo estava com pressa, já só tinha 80 minutos para marcar. Dos 52 passes que Francisco leva neste Euro, a grande maioria foi para trás - 28 -, número que faz da estatística um lugar estranho para se entender como um jogador joga, isto porque Francisco parece sempre dos que levam tudo à frente, incluindo o próprio jogo - e neste atuou à direita e depois à esquerda e depois sabe-se lá onde, afinal Roberto Martínez gosta de brincar com os pequeninos, convém é que não brinque quando vierem grandes como a França nos quartos - isto se houver quartos, se houver maçanetas.


GONÇALO RAMOS

(Pedro Falardo) 3  Nunca é fácil entrar no contexto em que entrou, mas a verdade é que também não mostrou grande coisa. Precisará de mais tempo de jogo se queremos ver algo.

(Germano Oliveira) sem nota  Em 24 minutos tocou quatro vezes na bola, fez um passe e chegou atrasado a uma espécie de passe do Francisco Conceição que seria golo com um desvio - mas é natural que o Gonçalo Ramos não tenha chegado a tempo, jogou com medo dos stewards, eles estavam atrás da baliza da Geórgia e o Gonçalo Ramos quer distância dessa gente.


RÚBEN NEVES

(Pedro Falardo) 2 Meh.

(Germano Oliveira) 4  Entrou ao intervalo para o lugar de Palhinha, supostamente com o Ruben teríamos mais bola, mais ataque, mais qualidade na rutura, mais várias coisas que o Ruben de facto tem mas a realidade diz-nos assim: Portugal teve menos bola na segunda parte, menos ataques, só fez mais um remate que na primeira e o futebol foi tão mau ou até pior na segunda. A culpa não é do Ruben, a vitória ou a derrota no futebol são acontecimentos coletivos influenciados por atos individuais e Roberto Martínez montou uma equipa Frankenstein que vitimizou o futebol de todos os jogadores. O Rúben viu um amarelo aos 53 minutos e arriscou o vermelho por falta sobre Kvaratskhelia aos 65, sobressaiu a destruir quando supostamente o Rúben é mais de construir - mas como este era um jogo em que Roberto Martínez queria mostrar o lado pior da equipa, o Rúben tentou cumprir.


NÉLSON SEMEDO

(Pedro Falardo) 3 → Idem

(Germano Oliveira) 4 → Batido por Kvaratskhelia aos 76 minutos, Dalot foi lá corrigir esse erro e travou Kvaratskhelia, assim tanto Nélson Semedo como o próprio Dalot mostraram que Roberto Martínez tem razão ao ter dois laterais direitos contra a Geórgia quando estamos a perder por 2-0 - Roberto Martínez tentou ainda ter dois laterais esquerdos, dois Diogos Costa, dois Inácios, dois de tudo menos dois Antónios Silva. Aos 91 minutos, Nélson Semedo tem a melhor oportunidade de Portugal no jogo, resultou de um cruzamento de João Félix, mas Mamardashvili fez uma mamardashviliana daquele lance. Ainda assim, Roberto Martínez não esquece esse ato atacante de Nélson Semedo e já pensa nele para avançado (vai é colocar o Dalot a falso 9 bem juntinho do Semedo, Dalot vai com a missão de fazer recargas porque Roberto Martínez acha que Nélson Semedo não sabe fazer nada sozinho).


MATHEUS NUNES

(Pedro Falardo) 3 Entrou bem tarde mas ainda foi a tempo de participar na inútil sessão de cruzamentos falhados para a área nos últimos minutos.

(Germano Oliveira) sem nota  Teve os primeiros minutos de jogo da pré-época, desejamos-lhe o melhor para 2024/25.


DIOGO JOTA

(Pedro Falardo) sem nota Sou grande fã dele e acho genuinamente que, quando está bem, é o melhor avançado português da atualidade. Mas hoje não se viu após ter entrado.

(Germano Oliveira) 3 pelo monólogo  Quando Jota viu Ronaldo a insultar o árbitro, Jota pensou que é capaz de fazer isso; quando Jota viu Ronaldo a queixar-se de um penálti, Jota pensou que também é capaz disso; quando Jota viu depois Ronaldo a queixar-se de outro penálti, Jota pensou que uma pessoa andar a queixar-se o tempo todo não é fácil mas sentiu dentro de si forças para concretizar isso; quando Jota viu Ronaldo a sair de campo a dar pontapés na atmosfera, Jota arrependeu-se de ter faltado às aulas de Física mas ainda assim sentiu no seu íntimo que era capaz de superar essa sua debilidade académica e dar um pontapé no ar parecido com aquele; quando Jota entrou aos 75 minutos, Jota pensou que se sentia injustiçado por não ter sido titular, Jota sentiu que porventura é capaz de fazer as coisas de Ronaldo ainda que Ronaldo esteja insuperável a fazer essas coisas essenciais como insultar árbitros e sair amuado; mas quando Jota entrou no relvado, Jota pensou que aquilo, que jogar naquele esquema-maçaneta de Roberto Martínez, que isso era afinal um castigo e por isso Jota arrependeu-se de ter achado que merecia o tempo de jogo de Ronaldo.


* ANTÓNIO SILVA (DE NOVO)

O que se passou hoje é só a vida, o que se passar amanhã é o futuro - vai buscá-lo, tens idade e qualidade para o que quiseres.

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