Duk quer sair do Aberdeen: «É o momento certo para abraçar um novo desafio»

19 jun, 09:00
Luís Duk (Aberdeen/Escócia), 42 jogos

O avançado luso-caboverdiano revela, em entrevista ao Maisfutebol, que já informou o clube escocês da sua intenção

Luís Lopes, conhecido no mundo do futebol por Duk (adotou a mesma alcunha do pai, ex-futebolista), acabou recentemente a segunda época ao serviço dos escoceses do Aberdeen. O avançado luso-caboverdiano vai entrar no último ano de contrato e admite agora querer «abraçar um novo desafio».

Em entrevista exclusiva ao Maisfutebol, o jovem futebolista revela já ter informado o histórico clube escocês da sua intenção, desde há alguns meses, e confessa querer «experimentar outro campeonato». Em 92 jogos, Duk marcou 25 golos e marcou onze assistências, nas últimas duas épocas. Em 2022/23, foi eleito o jogador do ano do Aberdeen.

No mercado de janeiro, foi noticiado o interesse do Young Boys na contratação do avançado de 24 anos, pela imprensa portuguesa e suíça. No entanto, Duk sonha com os principais campeonatos europeus. 

O jovem, formado no Benfica, tem ainda metade do passe na posse do clube da Luz, onde jogou durante seis anos, entre 2016 e 2022. Chegou ao Aberdeen por 470 mil euros e diz querer «retribuir o apoio» do Benfica e do Aberdeen com uma transferência no verão.

O avançado nascido na cidade da Praia, em Cabo Verde, chegou a Portugal aos nove anos de idade e deu os primeiros passos no futebol no modesto Montelavarenses, em Sintra. Começou como defesa-central, mas ainda assim era o melhor marcador da equipa.

Foi rejeitado pelo Sporting aos 11 anos, devido à baixa estatura, e acabou a avançar no terreno depois desse acontecimento. Uma mudança feliz que fez com que se destacasse no regresso ao Montelavarenses, jogando depois no AD Oeiras, Belenenses e, finalmente, no Benfica.

Uma história contada ao pormenor no Estórias Made In, uma rubrica do Maisfutebol que aborda o percurso de jogadores e treinadores portugueses no estrangeiro. 

Ao fim de duas épocas na Escócia, ao serviço do Aberdeen, e a um ano de acabar contrato, estás satisfeito com a tua situação atual? Ou poderá haver novidades sobre ti no futuro próximo?

Eu penso que este é o momento certo para poder abraçar um novo desafio. Eu penso isso, e as pessoas que trabalham comigo pensam o mesmo. Seria uma boa oportunidade para retribuir todo o apoio que me deram, quer seja o Aberdeen, quer seja o Benfica, porque o Benfica ainda tem uma percentagem do meu passe [50%]. Daqui a um ano termino o contrato com o Aberdeen, e em seis meses poderei assinar por qualquer clube. Penso que a melhor forma de retribuir o apoio que me têm dado é poder fazer uma transferência agora, em que saiamos todos a ganhar. Eu, o Benfica e o Aberdeen.

Tens tido abordagens de clubes?

Estão muitas coisas em cima da mesa. É momento de avaliar o que é melhor para mim e os clubes também.

O Aberdeen já conhece a tua posição quanto a uma eventual transferência?

Já conhecem, sim, e estamos todos empenhados em tratar disto o mais breve possível. Já tinha tido esta conversa, há meses, com o Aberdeen e está tudo encaminhado para se resolver.

Assim sendo, onde gostarias de jogar?

O meu sonho é jogar nas principais ligas europeias. Liga inglesa, espanhola, italiana, alemã, para mim são campeonatos muito competitivos e é um objetivo para qualquer jogador atuar nessas quatro ou cinco Ligas.

Como foi essa experiência na Escócia, no Aberdeen? Foi a primeira vez que jogaste fora de Portugal, num país que vive muito intensamente o futebol. Como avalias esta aventura?

Foram duas grandes épocas. A primeira, especialmente, foi melhor. É um campeonato competitivo. Tirando o Celtic e o Rangers as outras equipas são muito competitivas. Um futebol muito físico, muito de contra-ataque e com muita “porrada”.

E tu tens essas características.

Confesso que isso ajudou-me muito na adaptação. Não foi fácil, no início tive de “partir muita pedra”. Os treinos são muito pesados em comparação com Portugal. Foi uma situação complicada, mas correu bem, acabei por fazer uma excelente primeira época. Marquei 18 golos, fiz seis ou sete assistências. Já esta segunda, em comparação com a primeira, não foi uma época espetacular, mas não deixa de ser boa. Também porque penso que me prejudicou não ter jogado na minha posição de origem que é ponta-de-lança. Esta época estou a jogar mais a extremo, não me sinto tão confortável. Penso que não é aí que tiro o melhor de mim. Jogar a ponta de lança, perto da baliza, dentro da área é o melhor. Tentei dar o meu máximo. Fiz sete golos, umas seis sete assistências. Foi uma época sobretudo de aprendizagem.

Quanto à vida na Escócia. É um país mais frio, como foi a adaptação à língua e aos costumes? Há aí alguns portugueses a jogar, mas não é uma diáspora muito grande.

Não foi uma adaptação fácil porque foi tudo muito diferente, mas tive de arriscar. O tempo não é lá muito agradável, faz muito frio e chuva, mas tive de me adaptar. Nos jogadores de futebol temos de nos adaptar às circunstâncias, e tive colegas com quem falava diariamente. O Jair, o Jota, o Paulo bernardo, somos todos da academia do Benfica. Damo-nos muito bem. Só não estivemos muito tempo fisicamente juntos porque Aberdeen é no norte e eles estão na capital. É uma barreira de três horinhas.

Os adeptos do Aberdeen fizeram uma música dedicada a ti. Como é a sensação de ouvi-los a cantá-la?

Penso que para qualquer jogador é bom ser reconhecido pelo seu trabalho. A música é um motivo de orgulho. Dá-te uma força extra para dar mais em campo, para ajudar o clube. Sinto-me muito amado no Aberdeen, são adeptos especiais, vivem o futebol como ninguém. É sempre um orgulho poder jogar por eles.

Falamos sobre a tua adaptação e o futebol escocês, considerarias jogar num Celtic, Rangers, ou experimentar outro campeonato?

Sinceramente, gostaria de experimentar outro campeonato.

Quanto à seleção, em 2022, estreaste-te por Cabo Verde, mas representaste a seleção portuguesa em 19 ocasiões. Como foi essa transição para a seleção do país onde nasceste?

Nasci na Praia, capital de Cabo Verde. Vim para Portugal com nove anos e foi aí que começou a minha aventura no futebol. Nas camadas jovens representei a seleção de Portugal. Tive a aproximação da seleção A de Cabo Verde, que me apresentaram o projeto e disseram que gostava muito de contar comigo. Acabei por abraçar a seleção A de cabo verde. É a minha pátria. Os meus pais são de lá, os meus avós são de lá, é sempre um orgulho.

Na última Taça das Nações Africanas, não representaste Cabo Verde. Tens esperança de fazê-lo na próxima?

A seleção é um grupo aberto de jogadores. Na ultima não fui, mas gosto de estar no lote dos melhores do pais. Nem sempre é possível, umas vezes justamente, outras não. Mas pronto, é o futebol. O selecionador tem de tomar decisões e temos de respeitá-las.

Achas que devias ter sido convocado para esta CAN?

Talvez sim. Os meus colegas fizeram um bom trabalho e isso é o mais importante.

Passaste seis anos no Benfica. O que retiraste, que aprendizagens tiveste naquele clube?

O Benfica é, para mim e para muitos, a melhor academia do mundo. Sou muito grato pelos seis anos que passei lá, pelo crescimento que tive como jogador e como homem. Acabei por não me estrear na primeira equipa, mas tive um percurso muito bonito. De muita aprendizagem, que me ajudou muito naquilo que foi o meu trajeto até agora. Sempre disse a toda a gente, foi o Benfica que me abriu as portas ao mundo do futebol.

O que guardas com mais saudade?

Os colegas com quem passei seis anos. Crias laços muito fortes. Do nada, ficas um ano ou dois sem vê-los. O futebol é a amizade que levas, que ganhas e fica para a vida toda.

Em jeito de conclusão desta entrevista, e remetendo para o futuro, quais os teus sonhos? Qual seria o ponto máximo da tua carreira enquanto futebolista?

Sou uma pessoa e um jogador que não olha muito para a frente, gosto de viver o momento, época a época, passo a passo e desfrutar. O futebol é uma coisa que sempre vou gostar e quero aproveitar ao máximo.  A carreira não é muito longa, ao contrário de outras profissões, portanto quero aproveitar todos os dias. Quem sabe, um dia, jogar uma Champions League.

Já jogaste na Liga Conferência.

Lá está, aí fiz três jogos como ponta-de-lança e marquei três golos...

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