Meta de crescimento da AD "é um bocadinho arriscada, mas o país precisa de arriscar", diz Montenegro

ECO - Parceiro CNN Portugal , António Larguesa
8 fev, 19:38
Luís Montenegro (LUSA)

Montenegro diz que país “não aguenta mais tempo este equilíbrio financeiro” assente em impostos, falta de investimento e “sofrimento” das pessoas. Ministro da Economia será "ao jeito de Mira Amaral"

A Aliança Democrática (AD) almeja chegar ao final da próxima legislatura com um crescimento económico a rondar os 3,5% para “programar uma segunda legislatura com uma média de 4%” na evolução do PIB, que Luís Montenegro disse ser “a taxa a partir da qual podemos criar mais riqueza, sermos mais justos e fixar a população jovem”.

cenário macroeconómico é ambicioso, face ao histórico recente. E o líder da AD admitiu que esta meta “é um bocadinho arriscada, mas o país precisa de arriscar. “Passar de um crescimento de 1,6% previsto para este ano para 3,4% é ambicioso, mas é exequível. Já fomos capazes de o fazer [na era cavaquista]. Temos de conjugar as políticas públicas com aquilo que a sociedade é capaz de fazer”, completou.

Questionado sobre se está a preparar uma política orçamental generosa para atender às reivindicações dos polícias, médicos, professores e agricultores, garantiu que a coligação tem “as contas feitas” e está a ser “muito prudente”. Justificou que o cenário traçado “não esgota o potencial de medidas” e ainda tem margem para acomodar novas promessas fiscais e remuneratórias. “Tudo o que prometemos é exequível”, frisou.

Durante a 6.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO na Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, no Porto, Luís Montenegro defendeu que a atual situação financeira “não é muito virtuosa” nem o país “aguenta muito mais tempo com este equilíbrio financeiro” assente em “altos impostos, uma compressão enorme do investimento público e um sofrimento das pessoas nas suas rotinas diárias”.

“Não estou contra o equilíbrio das contas, é melhor do que qualquer desequilíbrio, que traz sempre dores muito grandes. Mas não se deixem levar pelo canto da sereia de quem anda a prometer tudo a todos. Esse caminho pode pôr em causa este equilíbrio, com consequências graves”, advertiu o líder da AD, numa crítica implícita ao rival Pedro Nuno Santos.

"Não aguentamos muito mais tempo com o equilíbrio financeiro que temos em Portugal, associada a altos impostos, a uma compressão enorme do investimento público e ao sofrimento das pessoas", acrescentou.

Visando o oponente socialista nas eleições de 10 de março, em que promete “inverter o caminho do deixa andar e de estagnação”, Montenegro advertiu que “não [tem] nenhuma vocação dirigista sobre a economia e que, caso seja primeiro-ministro, não irá “decidir sobre onde utilizar os recursos públicos”. “Quem assume o risco e o projeto de empreender os seus meios com vista a produzir são as empresas e os empreendedores. É uma diferença de visão e de conceção do país”, acrescentou.

Decisão sobre novo aeroporto será tomada em menos de oito meses

Sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, embora tenha destacado que “não é essa questão que decide [o voto para] um Governo”, reclamou para si o estatuto de “desbloqueador do processo”. E assegurou “aos que não decidiram em oito anos que não [demorará] oito meses a decidir” onde será construída a infraestrutura que vai servir a região da capital. Quanto à privatização da TAP, repetiu que será vendida a 100%, caso lidere o próximo Executivo.

Na mesma conferência, organizada pelo ECO no Porto, sem avançar com um nome, fez questão de traçar o perfil do próximo ministro da Economia, “ao jeito de Mira Amaral”. Isto é, elencou, que seja próximo das empresas, conhecedor do terreno, com capacidade para dialogar com todos os setores, com peso político e que domine os instrumentos de financiamento e de atração de investimento.

"Vamos ter um ministro da Economia ao jeito de Mira Amaral. Próximo das empresas, conhecedor do terreno, com capacidade para dialogar com todos os setores, peso político e que domine os instrumentos de financiamento e de atração de investimento", disse Luís Montenegro.

No capítulo fiscal, Luís Montenegro promete uma descida do IRS para a classe média – “alguém que não trabalha não poder ter um rendimento superior àqueles que trabalham” – e uma taxa máxima de 15% para os jovens até aos 35 anos, que calculou ser “um terço do imposto devido” atualmente.

Outras ideias deixadas aos empresários e gestores que assistiram à conferência foram o estímulo à consolidação empresarial – “se as empresas tiverem de se agrupar e de se fundir não é crime nenhum” –, a redução da burocracia que traz “potencial corruptivo”, ter um mercado de trabalho sem “uma excessiva rigidez” e ainda fazer com que o Estado pague a tempo e horas, por ser “uma segurança aos agentes económicos e um exemplo a dar ao país”.

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