A "demissão passiva" é a mais recente tendência no emprego - mas não é aquilo que parece

CNN , Megan Marples
31 ago, 22:00
Trabalho (CNN)

Anos de longas horas de trabalho, empresas com falta de pessoal e funcionários exaustos levaram à mais recente tendência do TikTok: a demissão passiva ou quiet quitting.

No entanto, a expressão “demissão passiva” é enganadora, fazendo com que algumas pessoas pensem que isso significa que os trabalhadores fazem o mínimo no seu trabalho.

Isto é inequivocamente falso, disse Kathy Caprino, uma coach de carreira e liderança para mulheres do Connecticut, e autora de "The Most Powerful You: 7 Bravery-Boosting Paths to Career Bliss" (O Seu Eu Mais Poderoso: 7 Caminhos Corajosos para a Felicidade Profissional).

"Trata-se de deixar de fazer tarefas que as pessoas pensam que estão para além daquilo para que foram contratadas, a não ser que sejam compensadas", explicou Kathy.

Os funcionários continuam a poder destacar-se no seu trabalho, mas para isso não precisam de fazer horas extraordinárias, disse à CNN a antiga consultora de engenharia Paige West.

"No meu emprego das 9:00 às 17:00, eu trabalhava 40 horas por semana e cumpria na mesma as minhas funções. Apenas eliminava a sensação de stresse que tinha", disse Paige.

A mudança drástica do mercado de trabalho durante a pandemia provocou, em grande parte, o aumento deste comportamento, disse S. Chris Edmonds, fundador e CEO do The Purposeful Culture Group, um grupo de consultoria do Colorado, que ajuda os empresários a criarem uma cultura laboral positiva.

As empresas têm atribuído responsabilidades adicionais aos funcionários, pois algumas organizações não estavam preparadas para a pandemia e para as suas consequências, disse Edmonds.

Muitas pessoas também ficaram frustradas quando os patrões insistiram em certas regras, tal como o regresso ao trabalho presencial, o que deu a origem a mais casos de burnout e frustração, disse Edmonds.

Apenas 24% dos americanos pensavam que os patrões tinham os interesses dos trabalhadores em mente, de acordo com uma sondagem da Gallup, divulgada em março de 2022.

Deixar de lado algumas das tarefas que estão para além da sua competência não é uma solução sustentável, mas há outras formas de alcançar o que quer, considerou Edmonds.

Avalie as suas prioridades

Para estabelecer limites na sua carreira, tem de conhecer os seus limites, disse Octavia Goredema, coach de carreira e autora de "Prep, Push, Pivot: Essencial Career Strategies for Underrepresented Women" (Estratégias de Carreira para Mulheres Com Pouca Representatividade)." 

"A forma mais rápida de entrar em burnout é não respeitar o que é mais importante para si", disse Goredema. 

Para algumas pessoas, pode ser sair do emprego à hora certa, em vez de ficar mais duas horas. Os funcionários devem perguntar-se que tarefas os fazem sentir realizados e que tarefas não são tão importantes. A partir daí, pode concentrar-se nas suas prioridades e naquilo de que precisa para se sentir realizado na sua carreira, concluiu Goredema.

Partilhe as suas necessidades

Depois de determinar aquilo de que precisa para ser bem-sucedido e feliz no emprego, o melhor é falar com o seu superior, para obter alguma compreensão, disse Edmonds. A comunicação é fundamental. Pode ter uma noção de quais são as suas responsabilidades e o seu superior pode ter outra. Se deixar de fazer algumas tarefas por achar que estão fora das suas competências, pode parecer que está a falhar, se o seu superior achar que isso faz parte das suas funções, disse Caprino.

"Mesmo se eu tivesse uma equipa a meu cargo, e se de repente deixasse de fazer uma tarefa que todos pensariam que eu estaria a fazer, haveria problemas e certas coisas acabariam esquecidas", disse Caprino.

Se quer receber uma compensação justa por alguma tarefa adicional que tenha desempenhado, apresente os factos ao seu superior sobre o seu desempenho no trabalho e o que conseguiu alcançar até agora, disse ela.

Fale com os seus funcionários

Do ponto de vista do empregador, é importante compreender os seus funcionários e certificar-se de que eles se sentem apoiados nas respetivas funções, disse Edmonds.

"A responsabilidade dos empregadores é descobrir o que as pessoas pensam ser justo, e não fazer nada menos do que isso."

Os líderes devem concentrar-se em manter diálogos regulares e em construir relações com os funcionários, disse Edmonds.

Os temas de conversa poderiam ir além do trabalho, para incluir alguns dos seus interesses pessoais e prioridades, pois isso pode muitas vezes afetar a vida profissional, disse Caprino.

"Se não souber como se sentem os seus funcionários, poderá ser apanhado de surpresa."

Os empregadores devem considerar a realização de reuniões individuais com os trabalhadores, pelo menos uma vez por trimestre, disse Goredema.

"Temos de mostrar que estamos comprometidos enquanto líderes, que estamos envolvidos e empenhados."

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