Solução governativa: "Nunca houve uma resposta definitiva por parte do professor Mário Centeno", assegura Costa

CNN Portugal , com Lusa
11 nov, 21:38

António Costa falava aos jornalistas em São Bento, em conferência de imprensa, depois de questionado sobre qual a base que teve para sondar Mário Centeno sobre a possibilidade de chefiar um Governo socialista, depois de ele próprio já ter apresentado ao chefe de Estado a sua demissão das funções de primeiro-ministro

Num discurso à nação este sábado, António Costa explicou que a apresentação do nome de Mário Centeno ao Presidente da República para uma possível opção governativa que não envolvesse a dissolução da Assembleia da República, nunca teve uma resposta definitiva por parte do governador do Banco de Portugal. 

O esclarecimento do primeiro-ministro demissionário surge no mesmo dia em que a Comissão de ética do Banco de Portugal anunciou uma reunião para avaliar a conduta de Centeno neste processo. "Quando apresentei a proposta conhecia que o professor Mário Centeno só daria uma resposta definitiva após falar com o Presidente da República. É sabido que o Presidente da República tomou outra opção, e portanto essas conversas nunca prosseguiram e nunca houve uma resposta definitiva por parte do professor Mário Centeno", reiterou António Costa, questionado pelos jornalistas no final do referido discurso.

Costa destacou que a ideia de sugerir o nome de Centeno proveio da sua "consciência" e da "necessidade de encontrar alternativas à dissolução da Assembleia da República", pelo que entendeu, "e creio não estar particularmente isolado neste entendimento, que o professor Mário Centeno preenche requisitos para esta circunstânica".

"Isto porque o atual governador do Banco de Portugal "tem uma sólida experiência governativa, reconhecimento e credibilidade internacional"- fator que Costa diz ser "essencial quando esta semana a notícia de que o primeiro-ministro se demitiu em relação a um caso de corrupção fez manchete em vários jornais internacionais". "Era mensagem para o mundo de que Portugal tinha encontrado uma solução governativa de respeito e competência", acrescentou.

Já sobre os motivos desta diligência, António Costa justificou novamente: “A minha preocupação era habilitar o Presidente da República com uma alternativa a colocar o país, a três anos do fim de uma legislatura, a dissolver um parlamento e a irmos de novo para um processo eleitoral."

Portugal vai ter eleições legislativas antecipadas em 10 de março de 2024, marcadas pelo Presidente da República, na sequência da demissão do primeiro-ministro, na terça-feira.

António Costa é alvo de uma investigação do Ministério Público no Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo relacionado com negócios sobre o lítio, o hidrogénio verde e um centro de dados em Sines terem invocado o seu nome como tendo intervindo para desbloquear procedimentos.

O Ministério Público (MP) considera que houve intervenção do primeiro-ministro na aprovação de um diploma favorável aos interesses da empresa Start Campus, responsável pelo centro de dados, de acordo com a indiciação, que contém várias outras referências a António Costa.

No dia da demissão, Costa recusou a prática “de qualquer ato ilícito ou censurável”.

De acordo com o MP, no processo dos negócios do lítio, hidrogénio verde e do centro de dados em Sines podem estar em causa os crimes de prevaricação, corrupção ativa e passiva de titular de cargo político e tráfico de influência.

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