"Envergonha-me perante os portugueses" e "um primeiro-ministro não tem amigos". Costa ataca Vítor Escária e Lacerda Machado

11 nov 2023, 21:21

O primeiro-ministro aproveitou o discurso à nação este sábado à noite para garantir que Lacerda Machado não tinha qualquer mandato seu para agir como o Ministério Público acredita que o advogado agiu, no âmbito da Operação Influencer. Já sobre a apreensão de milhares de euros no gabinete de Vítor Escária em São Bento, disse: "Mais do que magoar pela confiança traída, envergonha-me perante os portugueses e aos portugueses peço desculpa"

António Costa garantiu este sábado à noite que Diogo Lacerda Machado, a quem o primeiro-ministro demissionário em tempos tratou por "melhor amigo"  e que foi detido no âmbito da operação Influencer - não tinha "qualquer mandato" da sua parte "para fazer o que quer que seja".

Lacerda Machado, que nos autos do Ministério Público é descrito como o homem que fazia a ligação entre a administração da Start Campus e o Governo, incluindo o primeiro-ministro, "nunca falou" com Costa, "a respeito deste assunto em circunstância alguma". "E apesar de eu num momento de infelicidade ter dito que ele era o meu melhor amigo, aquilo que é realidade é que um primeiro-ministro não tem amigos. E quanto mais tempo exerce, menos amigos tem", confessa o chefe do Executivo demissionário.

No seu discurso, Costa abordou ainda a relação e o conhecimento que detinha das ações de Vítor Escária, chefe de gabinete do primeiro-ministro a quem, no escritório em São Bento, foi apreendido mais de 75 mil euros em numerário. Foi este facto, aliás, que motivou a demissão do funcionário esta semana. "Sem me querer substituir à Justiça, não posso deixar de partilhar com os meus concidadãos que a apreensão de envelopes de dinheiro no gabinete de uma pessoa que escolhi para comigo trabalhar, mais do que magoar pela confiança traída, envergonha-me perante os portugueses e aos portugueses peço desculpa", disse nos primeiros momentos do discurso na Sala da Lareira.

Costa viria a falar mais tarde novamente sobre Escária, destacando que era alguém "em quem depositava a natural confiança para o exercício de funções que exercia". "Desconheço qual é a versão que ele tem relativamente aos factos que tenho visto imputados na Comunicação Social. Uns são do meu conhecimento, outros do meu absoluto desconhecimento. Portanto, não me substituirei à justiça sobre a forma como agiu neste caso".

Vítor Escária, que iniciou as funções de chefe de gabinete do primeiro-ministro em 2020, foi detido para interrogatório na terça-feira e nas buscas judiciais ao seu gabinete na residência oficial de São Bento foram apreendidos 75.800 euros em numerário.

Poucas horas depois, o primeiro-ministro exonerou Vítor Escária das funções de seu chefe de gabinete e nomeou para este lugar o major general Tiago Vasconcelos, até agora assessor militar de António Costa.

Confrontado com este caso, na quinta-feira, o primeiro-ministro afirmou que decidiu demitir o seu chefe de gabinete, Vítor Escária, logo que soube que os investigadores judiciais tinham encontrado dinheiro em numerário no seu local de trabalho, em São Bento.

“Não, não sabia disso. E mal soube fiz aquilo que obviamente se impunha, que era demiti-lo", declarou António Costa aos jornalistas à entrada para a reunião Comissão Política do PS, em Lisboa.

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