Máscara vai mesmo cair em breve, dizem especialistas (mas deverá continuar a ser exigida em alguns lugares)

12 abr, 08:00

Embora haja sempre o fator risco associado aos convívios, a Páscoa não irá mudar radicalmente o cenário e as máscaras poderão deixar de ser obrigatórias em breve

A poucos dias do fim da situação de alerta no país, que termina no dia 18, os especialistas acreditam que o Governo vai mudar as regras em relação às máscaras, deixando cair o uso obrigatório nos espaços interiores para toda a população .

“Tudo indica que irá haver alterações que passam por aliviar as regras de uso de máscara, deixando de ser obrigatório para todas as pessoas em locais fechados”, refere Carlos Antunes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, considerando que há, porém, algumas medidas que deverão permanecer. De acordo com o especialista, as novas regras poderão excecionar os lares de idosos e as unidades de saúde, onde o uso de máscara deverá continuar a ser obrigatório. Ou seja, nota, o que deverá suceder “é uma abolição gradual” da máscara.

De acordo com as contas de Carlos Antunes, no final de abril, entre os dias 24 e 29, poderá mesmo chegar-se à meta dos 20 óbitos por um milhão de habitantes em 14 dias - limiar de mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC). Isto com base nos últimos dados sobre as infeções em Portugal. “Os casos estão a diminuir, assim como estão a baixar as infeções nas pessoas com mais de 80 anos e as mortes. E, se a tendência se se mantiver, tudo indica que no final do mês se chegue abaixo daquele número de 20 mortes por um milhão de habitantes”, afirma. Mesmo que a descida esteja a ser lenta.

Também Óscar Felgueiras acredita que o cenário possa ser o de um maior alívio no uso da máscara, tal como já acontece em vários países. Apesar de não arriscar com datas ou previsões concretas para que as máscaras deixem de ser obrigatórias - até porque a Páscoa traz “incerteza”, frisa -, o matemático diz que “acima de tudo fará sentido considerar" a opção de as manter apenas em hospitais, centros de saúde e lares, por exemplo. “É tudo uma questão de equilíbrio de várias vertentes, temos várias dimensões em jogo”, destaca.

Qual é a situação atual?

A 4 de abril de 2022, “a mortalidade específica por covid-19” registou um valor de 28,6 óbitos em 14 dias por milhão de habitantes. Este número corresponde a um aumento de 2% relativamente ao período anterior (28,0 óbitos), o que revela “uma tendência ligeiramente crescente”, lê-se no Relatório de Monitorização da Situação Epidemiológica da COVID-19, publicado no passado dia 8 e que conta com os dados mais recentes. Porém, o próprio relatório indica que “a mortalidade por todas as causas encontra-se dentro dos valores esperados para a época do ano, o que indica reduzido impacto da pandemia na mortalidade”.

Para Óscar Felgueiras, é certo que a mortalidade por covid-19 está ligeiramente acima do limiar, mas mais do que um motivo de alerta, o número de óbitos é “acima de tudo, um motivo de atenção”, até porque em poucos dias já se verificou uma descida.

“Entretanto passaram mais alguns dias, essa mortalidade está nos 28,3 (por milhão de habitantes), está estabilizada e a questão é que tem havido uma descida de casos nas últimas semanas”, diz o docente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, frisando que isso poderá espelhar-se numa queda do número de óbitos, encurtando a distância para a bitola definida.

Em entrevista à Rádio Renascença, a diretora-geral da Saúde Graça Freitas frisou a importância de manter algumas medidas de proteção na Páscoa, mas, mesmo sem adiantar uma data, reconheceu que, se a mortalidade mantiver uma tendência decrescente, é possível que a máscara deixe de ser obrigatória dentro de dias.

Páscoa pode ser um risco, mas dificilmente mudará as regras do jogo

Carlos Antunes acredita que nem mesmo a Páscoa vai mudar radicalmente este cenário. Admitindo que será natural que se assista a um aumento de casos, o perito diz que tendo em conta a imunização e o número de pessoas que já tiveram covid-19 não haverá “grande alteração do quadro de números de internamentos e óbitos”.  

“Poderá haver um surgimento ligeiro, até porque a Páscoa é como o Natal, em que há movimentação para as terras, o que pode originar várias cadeias, mas acho que não será de forma tão expressiva”, diz Carlos Antunes. 

Também Óscar Felgueiras olha com cautela para a Páscoa e para os convívios familiares, defendendo que, embora seja “um facto que os casos [de covid-19] têm descido” e que essa tendência de decréscimo é positiva, este evento poderá trazer uma subida de casos tal como o Carnaval, em que “tivemos um fenómeno essencialmente centrado nos jovens entre 15 e os 24 anos que foi particularmente forte, houve quase uma duplicação de casos nessas faixas etárias e acabou por ser o que impediu o aligeiramento dos óbitos” entre os mais velhos.

“A Páscoa consiste num risco em termos de impacto, mas a situação está relativamente controlada”, sobretudo no que diz respeito aos internamentos em unidades de cuidados intensivos, frisa Óscar Felgueiras.

Apesar dos riscos, Carlos Antunes destaca ainda que a Páscoa está dentro do período de estado de alerta - que acaba dia 18 - e, por isso, haverá alguma proteção, o que poderá ajudar a controlar uma subida do número de infeções. 

Na quinta-feira toda a situação será analisada em Conselho de Ministros. Para avaliar a situação, o governo contará com os dados que serão divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e com o relatório semanal da Direção-Geral da Saúde que poderá ser antecipado.

(Nota: O Conselho de Ministros aprovou esta terça-feira, já depois da publicação deste artigo, o prolongamento de situação de alerta no país até ao dia 22 de abril)

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