Os queijos mais saborosos da Europa (e um deles é bem português)

CNN , Julia Buckley
24 abr, 16:00

Que (quase) toda a gente gosta de queijo já é uma verdade universalmente reconhecida. E é quase tão universalmente reconhecido que a Europa produz alguns dos melhores queijos do mundo.

É daqui que saem queijos milenares. São queijos inventados por monges há séculos, queijos que são mencionados na literatura clássica e queijos que receberam intencionalmente nomes desagradáveis que nos fazem querer prová-los.

Há queijos malcheirosos, queijos com cinza, queijos cujo processo de fabrico nos dá a volta ao estômago e alguns dos queijos mais caros do planeta.

Toda a gente tem o seu queijo de eleição, é claro, mas enumeramos aqui 22 dos nossos queijos preferidos.

Grana Padano

Não há quem não conheça o queijo Parmesão, mas talvez não esteja tão familiarizado com o Grana Padano. Assim como o Parmesão, é um queijo originário da região de Emilia-Romagna, no norte de Itália, e o travo a nozes, a pasta dura e a textura granulosa fazem com que seja perfeito para adicionar a saladas ou ralar e acompanhar pratos de massa. Porém, é geralmente mais barato do que o Parmesão – aliás, o que acha ser queijo Parmesão pode ser na realidade ser Grana Padano, que tem um sabor ligeiramente mais suave. No entanto, isso não significa que não seja um bom queijo: experimente prová-lo aos pedaços para sentir a textura granulosa e barre com um pouco de chutney ou compota de frutas.

Gruyère

Doce ou salgado? O Gruyère é ambas as coisas e ainda tem um distinto travo a nozes que atenua um pouco a sua doçura. Feito na Suíça – a vila de Gruyères também goza de estatuto protegido devido ao seu queijo –, é um dos queijos europeus mais apreciados e combina muito bem com chutney ou compota, podendo também ser incorporado em receitas (mesmo em receitas simples como um croque-monsieur).

Serra da Estrela

Este queijo pungente, tão amado pelos portugueses, está classificado como um produto em perigo pelo movimento Slow Food e recebeu a denominação de origem protegida pela União Europeia. Isto significa que só pode ser produzido numa pequena área da região montanhosa da Serra da Estrela e que os produtores têm de seguir procedimentos rigorosos. Fabricado nos meses de inverno a partir de leite de ovelha, é um queijo amanteigado que realmente impressiona no que diz respeito ao sabor.

Halloumi

Se já foi à Grécia, é provável que tenha tido o prazer de comer queijo Halloumi: salgado, de textura aborrachada e perfeito para grelhar. Geralmente feito com uma mistura de leite de cabra e ovelha, o Halloumi é originário do Chipre, mas é atualmente consumido em toda a Grécia e na região do Mediterrâneo Oriental. Grelhe até ficar bem douradinho e crocante por fora para uma melhor experiência.

Cheddar

Pode achar que sabe reconhecer um queijo Cheddar, mas a versão barata e insípida que geralmente se vende nos supermercados em nada se compara à verdadeira. Ácido mas com um travo adocicado, de pasta dura mas quebradiça, o verdadeiro Cheddar, proveniente da vila homónima situada no sudoeste de Inglaterra, é um queijo extremamente versátil e maravilhoso para comer sozinho, com chutney, em receitas ou numa simples tosta de queijo. Os melhores podem mesmo conter pequenos cristais – não admira que o queijo Cheddar represente mais de metade das vendas de queijo do Reino Unido.

Manchego

Não é à toa que é o rei dos queijos espanhóis: forte mas não a ponto de ser desagradável, de pasta dura mas com uma ligeira textura quebradiça, e perfeito para comer com marmelada. Até mesmo Cervantes fez menção a este queijo em “Dom Quixote”, tal é a sua popularidade. Feito com queijo de ovelha não pasteurizado, é curado durante dois meses a dois anos – quanto mais tempo, mais forte e quebradiço fica.

Morbier

O veio cinzento ao centro faz com que o queijo Morbier seja um dos mais bonitos da nossa lista. Na realidade, esse veio nada mais é do que cinzas – espalhadas sobre a primeira camada antes de se adicionar a segunda (era originalmente feito com a ordenha da manhã e a ordenha da tarde, embora já não seja assim). Mas não vai sentir o sabor a cinza – o Morbier, que também goza de estatuto protegido, é suave e cremoso, deixando um travo ligeiramente amargo na boca que não o deixa passar despercebido.

Bitto

É um queijo que já existe há dois mil anos e que é produzido nos Alpes de Bérgamo, no norte de Itália, com leite de vaca e cabra, gozando de estatuto de "Presidio Slow Food", o que significa que é um produto em risco de extinção, e cujo custo de fabrico é geralmente mais elevado do que o preço de venda. A última parte não é propriamente verdade no caso do Bitto, já que os melhores – que podem ficar até 10 anos a envelhecer – podem ser vendidos aos preços mais elevados do planeta para um queijo.

Havarti

O Halloumi não é o único queijo que é bom para grelhar. O Havarti derrete lindamente na grelha e também é um bom queijo para se comer às fatias. Com um sabor suave e de pasta semidura, deve o seu nome à quinta onde era fabricado, Havartigården, que pertenceu a Hanne Nielsen, uma agricultora dinamarquesa que viajou até à Europa para aprender as melhores técnicas da produção de queijo e regressou depois à Dinamarca para fazer a sua magia com o leite local.

Wensleydale

O Cheddar pode ser o queijo mais famoso do Reino Unido, mas poucos britânicos viveriam sem o Wensleydale. Sobretudo, é claro, na época natalícia, altura essa em que a versão com arandos é quase obrigatória nas travessas de queijo. Feito por monges do norte de Inglaterra desde a era medieval, o seu sabor suave e a textura crocante fazem dele um dos queijos mais populares do país – é inclusive o queijo predileto dos personagens de desenhos animados Wallace e Gromit. Em Yorkshire, de onde é originário, o Wensleydale também se come com bolo-rei.

Cabrales

Há queijos azuis e depois há o Cabrales, proveniente das Astúrias, no norte de Espanha, que pode ficar até cinco meses a envelhecer em grutas. Especialmente pungente, graças aos seus veios azul-esverdeados e ao leite de cabra misturado com leite de vaca e ovelha, é de pasta semidura, extremamente salgado e incrivelmente delicioso. Barre um pouco num biscoito, mas saboreie-o – em 2019, um queijo Cabrales com 1,8 quilogramas foi vendido em leilão pela exorbitante quantia de 22,890 dólares, tornando-o assim num dos queijos mais caros do mundo.

Comté

Se acha que tem um sabor semelhante ao do queijo Gruyère, tem toda a razão. Este queijo é produzido na região francesa de Franche-Comté, que faz fronteira com a Suíça, sendo igualmente conhecido como Gruyère de Comté. É um queijo adocicado, mas com um travo a nozes e uma boa dose de sal, embora a consistência seja igualmente dura. No entanto, os apreciadores de ambos diriam que o Comté é ligeiramente mais cremoso. O melhor é provar os dois juntos para tirar as suas próprias conclusões.

Pecorino romano

Este é outro queijo italiano extremamente versátil. Tal como o Parmesão e o Grana Padano, é normalmente ralado e polvilhado em pratos de massa, mas ao passo que os outros dois têm um travo a nozes, o Pecorino é um queijo salgado. Pode ser produzido em várias regiões diferentes – a Sardenha faz um excelente Pecorino Romano – mas é sempre feito com leite de ovelha (pecora) e é sempre de pasta dura, textura granulosa e bastante salgado. Os famosos pratos de massa gricia e amatriciana, típicos de Roma, levam ambos Pecorino.

Bryndza

O Bryndza, um queijo branco, forte e que se desfaz facilmente, pode ser mais conhecido como sendo originário da Eslováquia, mas é consumido em toda a região montanhosa dos Cárpatos e o seu nome deriva da palavra “queijo” em romeno. Com um travo ligeiramente ácido e de pasta mole, é um excelente complemento para pratos como o bryndzové halušky, um popular prato eslovaco semelhante ao gnocchi.

Gouda

Os Países Baixos são famosos pelos seus queijos – o mercado semanal de queijo de Alkmaar, que recria a pesagem e o transporte tradicionais, é um dos pontos de passagem obrigatórios quando se visita o país. Vai encontrar bancas a abarrotar de queijo Gouda, que é provavelmente o queijo neerlandês mais famoso. De tom laranja-vivo, é produzido desde a era medieval (a primeira referência escrita a este queijo remonta a 1184) e pode ser envelhecido em poucos meses ou em alguns anos. E enquanto os queijos mais jovens têm uma pasta mais mole e um travo quase adocicado, a pasta vai ficando mais dura à medida que o queijo envelhece e com um travo mais acentuado a nozes.

Callu de Cabrettu

Talvez já tenha ouvido falar no Casu Marzu, o queijo mais perigoso do mundo, mas é pouco provável que o compre, já que a sua venda foi proibida. Experimente antes este queijo de cabra, também ele produzido na Sardenha, região famosa pelos seus ovinos e pastores. Se for uma pessoa que se impressiona facilmente, não leia esta parte – o queijo é feito a partir do estômago de um cabrito lactante, ainda cheio de leito materno. O estômago é fechado com atilhos, pendurado e deixado a envelhecer ao natural até ficar um queijo forte e de pasta quase amanteigada. 

Metsovone

Já conhece bem o queijo Feta, é claro, mas agora vai ter de provar um queijo que não é assim tão conhecido. O Metsovone é proveniente de uma região remota no norte do país, mais precisamente de uma montanha chamada Metsovo. Feito só com queijo de vaca ou misturado com um pouco de leite de ovelha ou cabra, tem uma pasta semidura e é fumado ao natural. Tal como o outro alimento básico grego, o queijo Halloumi, é especialmente bom para grelhar.

Vieux-Boulogne

É considerado o queijo mais malcheiroso do mundo – o que, claro, não é dizer pouco, sobretudo visto que é proveniente de França, onde a pungência não pode faltar. Produzido no litoral norte, na região de Pas-de-Calais, desde a década de 1980, não é pasteurizado nem prensado, o que faz com que seja macio e fedorento debaixo da brilhante casca laranja. Não se esqueça de o servir com pão baguete.

Jarlsberg

Pode pensar que queijos adocicados e com grandes buracos são exclusivos da Suíça e apenas da Suíça, mas o Jarlsberg, um queijo adocicado com um travo a nozes, é originário da Noruega – muito embora o suíço Emmenthal tenha sido introduzido na região no século XIX, antes de surgir o Jarlsberg. Também é produzido sob licença na Irlanda e nos Estados Unidos – mais concretamente no Ohio.

Gubbeen

O queijo mais amado da Irlanda tem uma bonita casca enrugada, um interior fofo e semimole e um ligeiro travo a nozes. Quer algo mais forte? Também há uma versão fumada. Um facto curioso: a casca é lavada todos os dias durante o processo de cura.

Puzzone di Moena

O nome significa “fedorento de Moena” e isso já lhe deve dar uma ideia do sabor deste queijo proveniente de Trentino, no norte de Itália. É um queijo tradicional do povo ladino, uma etnia que vive nas montanhas Dolomitas, originalmente popular entre os trabalhadores agrícolas que gostavam de condimentar a sua dieta limitada. Começou por chamar-se Fassa Nostrano, mas foi rebatizado em 1974 após uma emissão de rádio. Hoje em dia, faz sucesso entre aqueles que só o querem comer devido ao seu nome.

Lüneberg

O brilho quente e alaranjado deste queijo austríaco deve-se ao açafrão, que é misturado com leite que é ordenhado de vacas que pastam nos vales montanhosos ao redor de Voralberg, no oeste do país. Há uma forte influência suíça nesta região. O resultado? Sabe quase a um Emmenthal mais perfumado e com açafrão.

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