China é uma das maiores fontes de ciberataques contra Europa

Agência Lusa , PF
24 nov 2023, 23:33
A Europa está mais bem preparada para o terrorismo? Cibertaque fictício.(Annette Riedl/Getty Images)

Ao contrário dos ataques levados a cabo por agentes russos ou dos ataques lucrativos levados a cabo por agentes norte-coreanos, os ataques chineses são mais estratégicos, normalmente orquestrados para obter acesso a longo prazo

A China é uma das principais fontes de ciberataques contra a Europa, privilegiando alvos estratégicos, e um risco para a prosperidade no continente a longo prazo, afirma o Instituto Mercator de Estudos Chineses (MERICS).

“A China é uma das principais fontes de ciberataques contra a Europa”, afirmou o MERICS, centro de investigação de assuntos chineses baseado na Alemanha, no novo relatório sobre pirataria informática ligada ao Estado chinês para objetivos estratégicos.

De acordo com o Repositório Europeu de Incidentes Cibernéticos (EuRepoC), a China foi responsável pelo maior número de ciberataques a nível mundial entre 2005 e 2023, com 240, seguida da Rússia, com 158.

No entanto, ao contrário dos ataques levados a cabo por agentes russos ou dos ataques lucrativos levados a cabo por agentes norte-coreanos, os ataques chineses são mais estratégicos, normalmente orquestrados para obter acesso a longo prazo, adiantou o MERICS.

Pequim apostou no desenvolvimento das suas estratégias de pirataria com o intuito de dificultar a sua identificação e aumentar a capacidade de combate do Exército Popular de Libertação (EPL), coordenado pelo Estado, apontou o relatório.

Segundo o relatório do Instituto, os agentes chineses concentram-se num número reduzido de alvos, de elevado valor e reutilizam as mesmas táticas para diferentes tipos de alvos, recorrendo a dispositivos de ponta, como routers, e técnicas concebidas para dificultar a deteção.

Em 2021, 86% das empresas alemãs sofreram ciberataques, que causaram danos de 223 mil milhões de euros, equivalente a 6% do PIB da Alemanha.

32% de todos os ataques tiveram como alvo instituições estatais, afetando os setores da defesa, energia, telecomunicações e instituições militares foram os alvos mais frequentes, seguidos das instituições empresariais e instituições científicas, sublinhou o MERICS.

O relatório de 2021 da agência de informações internas da Alemanha, a Verfassungsschutz, informou que: “na Alemanha, a política e a burocracia, a economia, a ciência, a tecnologia e as forças armadas são os principais alvos da espionagem chinesa”.

As empresas ocidentais de cibersegurança e as agências governamentais concordam que o investimento chinês nas indústrias de pirataria informática está alinhado com as prioridades estratégicas dos planos quinquenais chineses, segundo o relatório.

O MERICS alertou para a urgência dos governos europeus, a UE e a NATO em estudarem e identificarem os alvos mais vulneráveis aos ataques piratas informáticos, através do estudo das prioridades do governo chinês e da partilha de informação entre os países ocidentais.

O Governo chinês tem vindo ainda a intensificar os seus esforços na organização de uma grande força de trabalho cibernética, leal ao Partido Comunista Chinês, para reforçar a sua segurança cibernética e orquestrar ciberataques, sem ameaçar o Partido, confirmaram dados do EURepoC, da investigação de empresas internacionais de cibersegurança e dos conselhos das agências de informação.

O relatório do MERICS apontou que, apesar de nem todos os agentes chineses terem ligações claras com o Governo, existem provas substanciais de que muitos têm conexões com Pequim, sugerindo um grau de filiação e patrocínio estatal.

A utilização de sistemas cibernéticos, bem como os ataques direcionados a infraestruturas críticas que possibilitam o acesso a longo prazo, sugerem que a China se está a preparar para futuras atividades disruptivas, representando um risco para a Europa, apontou o relatório.

A prosperidade europeia, assente na sua capacidade tecnológica e inovadora, tem vindo a impulsionar cada vez mais a concorrência geopolítica, económica e militar, o que posiciona a China numa posição de rivalidade na corrida pela supremacia tecnológica, refere.

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