Porque os americanos estão preocupados com as ambições da China na lua

3 jan, 18:30
Missão chinesa à Lua (AP)

Administrador da NASA dá exemplo do Mar do Sul da China para alertar para um possível comportamento da China no espaço. Pequim nega acusações "irresponsáveis"

O administrador da NASA alertou, no domingo, para potenciais objetivos nefastos da China na exploração da Lua.

“É um facto: estamos numa corrida ao espaço. E é verdade que é melhor estarmos atentos para que não cheguem a um lugar na Lua sob o pretexto da investigação científica. E não está fora do âmbito das possibilidades dizerem 'não se aproximem, estamos aqui, este é o nosso território’”, referiu Bill Nelson em entrevista ao Politico, dando como exemplo das ambições territoriais de Pequim, nas Ilhas Spratley, no Mar do Sul da China, onde o Partido Comunista Chinês estabeleceu bases militares.

A preocupação é partilhada por Terry Virts, antigo comandante da Estação Espacial Internacional. "Há potenciais males que a China pode fazer na Lua. Se lá instalarem infraestruturas, podem bloquear comunicações, por exemplo. Tê-los lá não torna as coisas mais fáceis. Há uma preocupação real com a ingerência chinesa", adianta.

O governo comunista refuta estas acusações. "Alguns responsáveis americanos têm falado irresponsavelmente para deturpar os esforços espaciais legítimos da China. A China rejeita firmemente tais observações", disse Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington D.C. "O espaço não é um campo de luta livre. A exploração e uso pacífico do espaço sideral é um esforço comum da humanidade e deve beneficiar todos. A China defende sempre a utilização pacífica do espaço sideral, opõe-se ao armamento e à corrida ao armamento no espaço, e trabalha ativamente na construção de uma comunidade com um futuro comum para a humanidade no domínio espacial", completou.

Victoria Samson, diretora do Secure World Foundation, instituto dedicado à promoção do uso pacífico do espaço sideral, tem algumas dúvidas em relação à retórica americana, sublinhando que a China faz parte do Tratado do Espaço Sideral, que impede os países signatários de reclamar territórios em corpos celestes. Samson diz também ser “muito difícil” manter uma presença constante na Lua, mas concordou que pode haver alguma competição por “locais de aterragens e recursos limitados” na superfície lunar.

O programa espacial chinês tem registado progressos significativos nas últimas décadas. Em 2013, a Chang’e 3 tornou-se na primeira nave espacial chinesa não-tripulada a alunar. Seis anos depois, a sonda Chang’e 4 foi a primeira da história da Humanidade a aterrar no lado oculto da Lua, sendo que Pequim aponta para a década de 2030 a realização da sua primeira missão tripulada ao satélite da Terra.

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