Chega propõe audição no parlamento de secretário de Estado Adjunto de Costa

Agência Lusa , CE
7 nov, 17:38
André Ventura (Mário Cruz/Lusa)

André Ventura anunciou que o partido questionou o gabinete do primeiro-ministro "sobre a manutenção em funções do secretário de Estado Miguel Alves e sobre as condições de natureza política para a sua sustentabilidade no cargo"

O Chega vai propor a audição na Assembleia da República do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Miguel Alves, que está a ser investigado pelo Ministério Público por um contrato-promessa que celebrou quando era presidente da Câmara de Caminha.

“O Chega vai chamar ao parlamento de urgência o secretário de Estado já após o Orçamento do Estado, para que sejam dadas explicações sobre o caso”, anunciou o líder do Chega.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura anunciou também que o partido questionou o gabinete do primeiro-ministro “sobre a manutenção em funções do secretário de Estado Miguel Alves e sobre as condições de natureza política para a sua sustentabilidade no cargo”.

“Temos um secretário de Estado que é um dos homens fortes do primeiro-ministro, e por consequência um dos homens fortes do Governo, que é suspeito não de ilícitos comuns, banais, mas de ilícitos de natureza económico-financeira”, apontou o líder do Chega.

André Ventura considerou também que “um político envolvido em suspeitas deste tipo não se pode escudar no segredo de justiça, tem que ir a público e dar os esclarecimentos que têm de ser dados sobre situações tão graves como as que estão em causa”.

“Os políticos têm uma especial responsabilidade de informação quando são envolvidos, bem ou mal, neste tipo de processos”, defendeu, considerando que o secretário de Estado “deveria ter dado explicações sobre os processos que o envolvem”, mas “não o fez”.

“Fica muito difícil anunciarmos que somos contra a corrupção, que estamos a lutar contra a corrupção, que estamos a implementar medidas de luta contra os crimes de natureza económico-financeira e o nosso número dois, ou três ou quatro está envolvido, sem qualquer explicação pública, em crimes desta natureza”, criticou.

Ao final da manhã, também o PSD anunciou que vai pedir a audição do secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro.

Em causa está a construção de um Centro de Exposições Transfronteiriço em Caminha, no distrito de Viana do Castelo, uma obra que ainda não começou depois do contrato-promessa entre o promotor e a autarquia ter sido assinado em 2020.

O Público noticiou, na edição de 26 de outubro, que a autarquia de Caminha fez um “adiantamento duvidoso” de 300.000 euros para o projeto em questão, autorizado pelo agora secretário de Estado Ajunto do primeiro-ministro, quando liderava aquele município.

O periódico referia que o pagamento foi feito pela autarquia em março de 2021 a uma empresa desconhecida e associada ao empresário Ricardo Moutinho, um investidor com um alegado currículo falsificado.

Também o semanário Expresso, na edição de 28 de outubro, noticiou que a empresa em questão, a Green Endogenous, S. A., faz parte de um grupo de investimento que foi “criado na hora”.

Em entrevista ao Jornal de Notícias e à TSF, divulgada no domingo, o secretário de Estado Ajunto do primeiro-ministro e ex-presidente da Câmara de Caminha, disse que esteve em silêncio porque dirigiu as primeiras explicações à Procuradoria-Geral da República.

Miguel Alves mostrou-se igualmente seguro da legalidade do processo.

Em 31 de outubro, em declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro afirmou manter a confiança política em Miguel Alves.

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